“O Guarda-Costas”: o filme com Whitney Houston odiado pela crítica e amado pelos fãs

Clássico longa da década de 1990 foi embalado pela clássica “I Will Always Love You”, que fez tanto sucesso quanto a própria obra

Por mais que já fizesse enorme sucesso por sua carreira como cantora, Whitney Houston também ficou muito conhecida em todo o planeta por sua participação no clássico filme “O Guarda-Costas”. No longa, a artista contracenou com Kevin Costner e ainda emplacou uma versão do hit “I Will Always Love You” nas paradas de vários países.

Ironicamente, por mais que o filme tenha feito grande sucesso junto ao público – o que quase gerou uma sequência que teria um nome de peso –, não dá para dizer o mesmo sobre a opinião da crítica, que não gostou de alguns pontos.

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Abaixo, vamos te contar um pouco sobre a produção de “O Guarda-Costas” e essa divisão de opinião entre público e crítica, bem como a jornada de “I Will Always Love You” para se tornar a grande canção do filme. As informações são dos sites Wikipedia, Cheat Sheet, Buzzfeed News, The Digital Fix e o blog The Hollywood Interview.

Como “O Guarda-Costas” surgiu

Se você se emocionou com “O Guarda-Costas” e tem o filme em sua mente até hoje, agradeça a Lawrence Kasdan. O cineasta atuou como produtor o roteirista da obra. A trama foi escrita em 1975 com inspiração no enredo do clássico “Yojimbo”, do renomado diretor Akira Kurosawa. A história retratava dois lordes do crime que entraram em uma disputa para contratar um samurai como guarda-costas.

No entanto, o projeto encontrou muitas dificuldades a partir daí. Kasdan só conseguiu vender o roteiro para o executivo John Calley dois anos depois de termina-lo. Isso após 67 pessoas – incluindo nomes de peso da indústria cinematográfica – terem recusado a ideia, segundo o cineasta.

Calley conseguiu convencer John Boorman a dirigir o filme. Kasdan o encontrou na Irlanda e apesar de o diretor ter feito várias mudanças no enredo, o produtor e roteirista aceitou tudo e a situação parecia seguir como planejado.

A ideia era ter o ator Steve McQueen para o papel do guarda-costas Frank Farmer. Contudo, o projeto seguiria com Ryan O’Neal e a cantora Diana Ross na pele dos protagonistas. No entanto, Ross acabou desistindo e o projeto ficou por vários anos parado.

Somente nos anos 1980, Kevin Costner apareceu na jogada para fazer “O Guarda-Costas” ganhar vida.

A ajuda de Kevin Costner

Com o projeto parado, Lawrence Kasdan decidiu se aventurar como diretor e passou a dirigir alguns filmes. Um deles foi o western “Silverado”, lançado em 1985 e que tinha Kevin Costner no elenco.

https://www.youtube.com/watch?v=Ra2rkBw4OKM

Nos bastidores, o ator soube da existência do roteiro de “O Guarda-Costas” e logo se interessou em gravá-lo após finalizar a leitura. Ele se empolgou tanto que se ofereceu para ser um dos produtores junto de Kasdan. O projeto foi bancado pelo estúdio Warner Bros.

Costner pôde dar atenção ao filme assim que terminou de gravar “Dança com Lobos”. No entanto, o ator segurou a produção de “O Guarda-Costas” durante dois anos por uma simples razão: ele queria a presença de Whitney Houston.

A cantora já vinha fazendo grande sucesso: nos anos anteriores, lançou álbuns bem-sucedidos e emplacou diversos hits que chegaram ao topo das paradas americanas. Por outro lado, ela nunca havia trabalhado como atriz até então.

Whitney Houston assustada

Em 1993, Whitney Houston revelou à Rolling Stone que ficou assustada com o convite por achar que teria apenas um papel menor em “O Guarda-Costas”.

“Eu pensei ‘vou apenas aparecer nesta pequena parte e trabalhar para ir crescendo’. E de repente, li o roteiro e disse: ‘não sei, isso é meio grande’. Fiquei bem assustada.”

No final das contas, porém, ela aceitou o convite para viver Rachel Marron. Em entrevista para a Entertainment Weekly, Kevin Costner garantiu que sua química com a cantora foi boa.

“Foi muita divertida, uma relação que foi única. Teve uma linguagem que eu sabia que criaria faíscas. Pegou a Whitney em um ótimo momento ou criou esse ótimo momento para ela.”

“O Guarda-Costas” para público e crítica

“O Guarda-Costas” estreou nos cinemas americanos em 25 de novembro de 1992, dia de Ação de Graças. A história de amor entre a popular cantora e seu guarda-costas fez um enorme sucesso junto ao público: arrecadou US$ 441 milhões em bilheteria, com um orçamento de apenas US$ 25 milhões.

O filme foi o secundo que mais faturou em bilheteria no ano de 1992, ficando atrás apenas da animação “Aladdin”, da Disney.

No entanto, como te adiantamos anteriormente, não dá para dizer o mesmo sobre a recepção da crítica especializada, que desaprovou roteiro e a atuação do elenco de “O Guarda-Costas”. Especialistas apontaram na época a falta de química entre os protagonistas e a trama “segura demais” foram alguns dos principais problemas.

Um bom exemplo desta discrepância vem do site Metacritic, que compila tanto avaliações da crítica quanto dos fãs. Enquanto a nota média dos críticos é de apenas 39, em 100 pontos possíveis, a do público tem média de 7 pontos em 10 possíveis.

Sequência quase teve a Princesa Diana

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Apesar do sucesso, “O Guarda-Costas” tornou-se uma peça única, sem ganhar sequência. Se dependesse de Kevin Costner, porém, haveria um segundo filme – e ele queria a presença de ninguém mais, ninguém menos que a princesa Diana.

Quem fez a revelação foi o próprio ator, em entrevista para a PeopleTV. Ele contou que graças ao sucesso do original, a Warner Bros. topou bancar uma sequência. A ideia seria bem parecida: Frank Farmer teria de proteger a personagem da princesa de stalkers e paparazzi até os dois se apaixonarem.

Costner relembrou a ocasião em que falou com a ex-integrante da família real britânica sobre o projeto.

“Me lembro que ela foi incrivelmente doce no telefone e que perguntou o seguinte: ‘teremos uma cena em que vamos nos beijar?’ Ela disse de uma maneira bem respeitosa. Estava nervosa porque sua vida era muito vigiada. E eu disse: ‘sim, vamos ter um pouco disso, mas também podemos fazer de outra forma’.”

O ator ainda revelou que recebeu a primeira versão do roteiro apenas um dia antes da trágica morte de Diana, que ocorreu em agosto de 1997.

“I Will Always Love You” em “O Guarda-Costas”

Não poderíamos falar de “O Guarda-Costas” sem mencionar aquele que foi um dos seus grandes atrativos: a clássica canção “I Will Always Love You”, interpretada pela própria Whitney Houston para a trilha sonora do filme.

A composição é de Dolly Parton, que a gravou em 1973 e lançou no ano seguinte. A letra foi escrita para ser uma espécie de despedida da cantora para seu parceiro e mentor, Porter Wagoner, pois a artista havia decidido seguir carreira solo.

Duas pessoas foram as responsáveis por escolher “I Will Always Love Love” para ser a principal canção de “O Guarda-Costas”: o produtor musical David Foster e o próprio Kevin Costner.

Foster, que foi o escolhido para produzir o álbum da trilha sonora do filme, queria originalmente “What Becomes Of The Brokenhearted”, de Jimmy Ruffin, para ser a principal canção de “O Guarda-Costas”.

No entanto, quando a produção descobriu que a música seria utilizada no filme “Tomates Verdes Fritos”, lançado um ano antes, em 1991, a própria Whitney Houston pediu uma nova canção. Daí, Kevin Costner teve a ideia de usar “I Will Always Love You”.

Foster e Houston transformaram a faixa, originalmente voltada para o country, em uma balada soul. A cantora foi quem teve a ideia de introduzir sua versão “a cappella”, algo pouco comum no mercado musical.

A gravadora responsável pelo álbum e David Foster não gostaram muito da ideia. O produtor até aceitou a introdução apenas com a voz da cantora para o filme, mas continuou insistindo em uma abertura instrumental para o disco.  

Mesmo assim, Whitney Houston e Kevin Costner bateram o pé e queriam manter a introdução “a cappella” também para o álbum. No final das contas, coube ao coprodutor do disco, Clive Davis, a decisão final – e ele aceitou a proposta da dupla.

Davis lembrou que Foster, no início, não aceitou bem a decisão:

“Ele repetiu mais palavrões nesta conversa do que já havia escutado em qualquer outra que tive.”

E nem é preciso te lembrar que mesmo com a abertura diferente do usual, a canção fez um grande sucesso em todo o planeta, não é mesmo?

Kevin Costner lembrou do impacto causado pela canção em seu lançamento.

“Acho que nunca vou esquecer quando esta pequena canção saiu. Ela simplesmente explodiu. Ela cantou a primeira parte ‘a cappella’ e musicalmente, o mundo nunca mais foi o mesmo.”

Sucesso musical

Não foi apenas “I Will Always Love You” que fez um enorme sucesso junto ao público, mas também o próprio álbum da trilha sonora de “O Guarda-Costas”.

Estima-se que mais de 45 milhões de cópias tenham sido vendidas em todo o planeta. Por conta disso, o disco se tornou o terceiro mais comercializado na história da indústria musical, ficando atrás apenas de “Thriller”, de Michael Jackson, e “Back in Black”, do AC/DC.

Por anos, este também foi o disco de uma artista feminina que mais tempo ficou no topo das paradas da Billboard. O recorde só foi quebrado em 2011 por Adele, com o lançamento do álbum “21”.

Já com relação a “I Will Always Love You”, o single também ocupou o 1º lugar da Billboard durante 14 semanas, um recorde para a época. É uma das poucas canções da história a entrar nas paradas de quase todos os países do planeta. Chegou ao topo dos rankings em 25 países.

Outras duas canções do disco também foram indicadas ao Oscar de Melhor Canção Original: “I Have Nothing” e “Run to You”.

Remake?

Para terminarmos, vale lembrar que em setembro de 2021, a Variety revelou que a Warner Bros. deu luz verde para produzir um remake de “O Guarda-Costas”. Matthew Lopez foi contratado para escrever o roteiro da nova versão.

No entanto, não tivemos mais notícias sobre o remake desde então. Será que ele vai mesmo sair do papel? E se sair, conseguirá fazer o mesmo sucesso do original? Só o tempo nos dirá.

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Augusto Ikeda
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Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Atua no mercado desde 2013 e já realizou trabalhos como assessor de imprensa, redator, repórter web e analista de marketing. É fã de esportes, tecnologia, música e cultura pop, mas sempre aberto a adquirir qualquer tipo de conhecimento.

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