Por que o álbum de estreia do White Lion foi um desastre, segundo Vito Bratta

Guitarrista se declarou enganado pelo produtor, que usou demos de suas partes no produto final

O White Lion estourou com o álbum “Pride”, lançado em 1987. Segundo trabalho de inéditas, foi o mais bem-sucedido da carreira da banda. Vendeu mais de 2 milhões de cópias só nos Estados Unidos, chegando ao 11º lugar na Billboard 200, impulsionado pelos hits “When the Children Cry” e “Wait”.

Dois anos antes, a banda já havia tentado a sorte com “Fight to Survive”. O debut chegou apenas ao 151º posto na parada americana e 72º no Reino Unido. Em entrevista à Guitar World, Vito Bratta revelou não se sentir surpreso com o fracasso inicial, já que não possui boas lembranças do disco.

“‘Fight to Survive’ foi um desastre. Posso dizer algo sobre que a maioria das pessoas provavelmente não sabe? Esse álbum inteiro foi feito com faixas das demos. Nenhum daqueles registros era para realmente estar ali. Gravei as guitarras para servir de rascunho antes das versões definitivas. O produtor, Peter Hauke, me disse: ‘Ok, Vito, isso é bom por enquanto. Faremos com que você volte e termine as guitarras quando o resto do álbum estiver pronto.’”

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Porém, não foi o que aconteceu. A explicação oficial é de que o orçamento havia sido estourado, embora a banda nunca tenha realmente acessado as contas.

“Eu era uma criança burra, não sabia como as coisas funcionavam. Nunca havia ido a um estúdio de gravação. De repente, estou na Alemanha com um cara careca gritando comigo. Não vou dizer que estava com medo, mas não iria questioná-lo. Para encurtar a história, Mike Tramp termina seus vocais e Peter me diz: ‘Terminamos. Você pode ir para casa agora.’ E eu fico tipo, ‘E as guitarras?’ Peter apenas olhou para mim e disse: ‘Desculpe. Ficamos sem dinheiro e tempo. Vamos com o que temos.’ Fiquei arrasado. Não podia acreditar que um monte de faixas de rascunhos de merda seriam meu primeiro álbum.”

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Foi uma experiência tão traumática que Vito mal consegue se lembrar de detalhes específicos das músicas quando questionado.

“Lembro-me de odiar todos os acordes porque eram faixas de rascunho. Isso foi apenas um caso de eu tocar o que sentia. Não havia nenhum pensamento por trás porque pensei que poderia fazer isso de verdade mais tarde.”

Para piorar, o grupo ainda teve uma série de problemas com a gravadora. Embora a banda tenha assinado contrato com a Elektra Records durante as sessões, o disco foi arquivado indefinidamente, sem intenção de lançá-lo nos Estados Unidos. Acabou lançado primeiramente no Japão, chegando mais tarde ao público americano através do selo independente Grand Slamm Records.

White Lion após “Fight to Survive”

A seguir, o White Lion assinou com a Atlantic Records para a promoção de “Pride”, quando a maré realmente virou para o lado da sorte. O quarteto ainda lançaria “Big Game” (1989) e “Mane Attraction” (1991), encerrando atividades na sequência.

O vocalista Mike Tramp ainda reativaria o nome na virada do século, atitude da qual confessou ter se arrependido, já que sem Vito Bratta não faria sentido uma existência da banda – que chegou a fazer show no Brasil para meia-dúzia de pessoas na plateia.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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