A inspiração por trás de “How Soon is Now?”, do The Smiths, segundo Johnny Marr

One-hit wonder de discoteca inspirado por Bo Diddley gerou um dos maiores clássicos da história do rock alternativo

“How Soon is Now?” é uma das músicas mais conhecidas da década de 1980 e certamente o maior hit da carreira do The Smiths. Contudo, muitos não sabem a inspiração por trás da canção.

Em entrevista à Radio X, com transcrição própria, o guitarrista Johnny Marr contou a história de como um hit de discoteca grudou na sua cabeça.

“Nos anos 1970, em algum ponto, tinha essa música desse cara chamado Bohannon, chamada ‘Disco Stomp’. Era uma música pop bem boba. Meus amigos estavam todos começando a se interessar por guitarra mais elaborada – Deep Purple, Led Zeppelin, essas coisas. E eu era bem um estudante aficionado da guitarra, devia ter só uns 12 anos. Essa canção saiu e era tão boba, mas eu ficava esperando por ela no rádio, fiquei obcecado. Meus amigos todos gostavam de Hendrix, enquanto eu gostava disso. Eu pensava: ‘isso que uma guitarra deveria fazer’.”

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“Disco Stomp”, lançada por Hamilton Bohannon em 1975, chegou ao número 6 das paradas britânicas daquele ano. Anos depois, Marr descobriu que o ritmo da canção tinha origem em uma lenda do rock’n’roll, Bo Diddley.

Segundo o guitarrista:

“Quando fiquei mais velho, me liguei que isso veio desse cara, Bo Diddley, que inventou sua própria batida. Imagina ter uma batida que recebeu seu nome.”

The Smiths e “How Soon is Now?”

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Isso, enfim, acabou sendo usado no The Smiths para dar origem a “How Soon is Now?”. Johnny Mar afirma:

“Quando chegou a hora de fazer ‘How Soon is Now?’, eu fiz uma demo nesse estilo. E eu sabia que era uma demo boa. A gente entrou no estúdio, gravamos a música, Morrissey cantou nela e estava legal. Mas algo estava me incomodando. Todo mundo falando que estava ótimo, mas era só uma faixa extra no single de 12 polegadas. Aí chegou tarde da noite num dia de gravação e eu não estava gostando. Não tinha a vibe da demo.”

A solução encontrada por Marr foi uma arma usada também por Bo Diddley: tremolo. O guitarrista e o produtor John Porter pegaram a faixa original de guitarra e mandaram novamente através de dois amplificadores, usando gates para acentuar o efeito de modulação de volume ainda mais. 

O resultado acabou saindo originalmente como lado B do compacto “William, It Was Really Nothing”. Contudo, ganhou vida própria ao se tornar hit em discotecas – que nem “Disco Stomp”. Marr resumiu:

“Tudo isso porque eu era uma criança excêntrica que sentava no carro nas férias, ida e volta, morrendo de enjoo, mas esperando por ‘Everybody do the disco stomp…’ Sério. Eu ficava verde. Foi assim que aconteceu. É coisa de pessoa criativa.”

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Pedro Hollanda
Pedro Hollanda
Pedro Hollanda é jornalista formado pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso e cursou Direção Cinematográfica na Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Apaixonado por música, já editou blogs de resenhas musicais e contribuiu para sites como Rock'n'Beats e Scream & Yell.

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