Tapa-buraco? Como O Surto fez um dos shows mais curiosos da história do Rock in Rio

Grupo cearense agitou o público com versões inusitadas de Raimundos, Red Hot Chili Peppers e outros, além do hit “A Cera”

O Rock in Rio 2001 foi cheio de momentos inusitados, e é impossível falar desse assunto sem relembrar o improvável show da banda O Surto.

O grupo estava em alta na época, graças ao hit “A Cera” (conhecido pelo refrão “pirou o cabeção”) e acabou escalada após o boicote de vários artistas nacionais ao evento. O episódio, claro, acabou entrando para a história do festival.

Pouco tempo antes da realização daquela edição do Rock in Rio, as bandas Skank, Cidade Negra, O Rappa, Jota Quest, Charlie Brown Jr. e Raimundos anunciaram que não iriam mais se apresentar. Havia divergências quanto a cachês, horários, entre outros pontos.

Isso fez com que a organização do Rock in Rio precisasse buscar alguns nomes mais alternativos da cena nacional para preencher as vagas. Foi exatamente assim que O Surto foi parar no Rock in Rio, no palco principal.

A banda foi formada em 1994, em Fortaleza, no Ceará, e fazia um som alternativo: hardcore, punk, rock, metal e até pitadas de reggae e rap faziam parte de sua pegada, bem típica dos anos 1990. Eles lançaram um álbum independente, homônimo, em 1997, mas foi com o disco seguinte, “Todo Mundo Doido” (2000), que estouraram. Sob a batuta do produtor Rick Bonadio, o grupo liderado pelo vocalista Reges Bolo conquistou geral com a já citada “A Cera” e o single secundário “Tudo é Possível”.

O Surto no Rock in Rio

No palco principal do Rock in Rio, o show d’O Surto acabou agradando, apesar de ter contado com alguns momentos inusitados. Reges Bolo (voz), Zé Wilclei (guitarra), Franklin Roosevelt (baixo) e Jucian Carlos (bateria) conseguiram incendiar o público com o sucesso de “A Cera”, além de covers de Raimundos (“Eu Quero Ver o Oco”), Charlie Brown Jr. (“Tudo o Que Ela Gosta de Escutar”) e Plebe Rude (“Até Quando Esperar”).

Outras versões também chamaram a atenção naquela noite. Em um momento que era para ser de descanso para o vocalista Reges Bolo, foi anunciado um cover de “I Wanna Be Sedated”, dos Ramones, que seria cantado pelo baixista Franklin Roosevelt. Preocupado em fazer feio no inglês “embromation”, o baixista rapidamente devolveu o microfone ao vocalista, que pareceu não gostar.

A banda também mandou uma versão do hit “Californication”, do Red Hot Chili Peppers, que encerrou aquela noite do Rock in Rio. Intitulada “Triste, Mas Eu Não Me Queixo”, a versão foi encorajada pelo produtor da banda, conforme Roosevelt revelou em entrevista ao G1, em 2019.

“Foi uma coisa tão despretensiosa e o produtor Rick Bonadio ficou sabendo. ‘Mano, vocês têm que tocar essa música lá no show’. A gente estava zoando, era coisa que toca em churrasco.”

Apesar de alguns contratempos, Roosevelt tem boas lembranças do show d’O Surto e defende a banda das críticas que sofreu por incluir tantos covers e versões um tanto quanto inesperadas na apresentação. Ele comparou o momento de catarse em “A Cera” ao show do Queen no Rock in Rio de 1985, quando o público cantou “Love of My Life” a plenos pulmões.

“Fora o Queen no ‘Love of My Life’, só teve outra banda que fez 250 mil pessoas cantarem. Foi O Surto cantando ‘A cera’, pô. O Surto e ‘A Cera’ são o ‘love of my life’ da minha vida.”

Surto coletivo?

Depois do Rock in Rio, O Surto lançou ainda mais um disco, intitulado “Equalizando as Ideias” (2002), que rendeu uma turnê de cinco shows pelo Japão. Foi o canto do cisne da banda, já que seus integrantes se desentenderam do outro lado do mundo.

Franklin Roosevelt trabalha atualmente na área comercial, guardando apenas as boas lembranças da época. Por sua vez, Reges Bolo seguiu com o nome do grupo e realiza shows esporadicamente.

Ainda foi lançado o álbum “De Onde Foi Que Paramos Mesmo?” em 2007. Desde então, o projeto passou por várias mudanças de formação, nunca mais voltando a ter a mesma relevância do início do século. Triste, mas não dá para se queixar.

* Texto por André Luiz Fernandes, com pauta e edição por Igor Miranda.

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5 comentários
  1. Eu estava nesse show. Foi uma bosta, antes tivessem tocado material próprio e não tivessem feito bis da tal música de banda de uma música só.

    1. E você fez o que de relevante mesmo? Além de reclamar, você fez algum som (mesmo que um só…) que alguém se lembre? Então cala a boca aí trouxa…

  2. A banda está de volta na ativa e com o baixista Franklin novamente fazendo parte, e já tem som disponível nos principais serviços de streamings, o single Jah.

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