Powerwolf soa épico na medida certa em novo álbum “Call of the Wild”

Banda alemã de power metal não abre mão de sua identidade peculiar em novo trabalho – em referência ao mundo do RPG, sonoridade segue como “Lobisomem: O Apocalipse”, mas agora com pitada de “Dungeons & Dragons”

É bem verdade que o power metal não está mais em seus anos de glória, mas algumas bandas da geração mais recente mantêm o estilo em evidência de alguma forma. Um dos melhores exemplos disso é o Powerwolf, que está lançando um novo álbum, “Call of the Wild”, por meio da gravadora Napalm Records.

Em seu 8º disco de estúdio, a banda parece ter atingido um ponto de equilíbrio entre o agressivo e o épico, mas sem exageros no segundo adjetivo.

Os alemães, que estão completando 18 anos de estrada, são lembrados por fazer um metal de qualidade, mas ao mesmo tempo divertido. A temática lupina e por vezes diabólica/anticristã – sem se levar muito a sério – soa como um sopro de ar fresco em meio a um gênero saturado de dragões, cavaleiros e cenários de partidas de RPG.

“Call of the Wild” até retoma essa atmosfera épica, porém, sem abrir mão de sua identidade, já que não exagera na dose. Ainda na metáfora do RPG, dá para dizer que o Powerwolf continua soando como “Lobisomem: O Apocalipse”, mas agora com uma pitada de “Dungeons & Dragons”.

Ouça o álbum abaixo, via Spotify, e confira resenha na sequência.

Faixa a faixa

A mencionada sonoridade grandiosa surge logo na introdução de “Faster Than the Flame”, uma típica abertura de álbum do Powerwolf, com o pé no acelerador e partes altamente “cantáveis”, ideais para os shows. Na sequência, “Beast of Gévaudan”, que havia sido divulgada anteriormente como single, começa a mostrar a verdadeira cara do disco, com os teclados de Falk Maria Schlegel em destaque.

“Dance With the Dead”, também liberada como single, coloca um pé no hard rock sem deixar o nível cair. A faixa é sucedida por outra paulada, “Varcolac”, novamente com as teclas de Schlegel em evidência, além de um interessante coro de vozes.

O material melhora significativamente conforme se aproxima de sua metade, a partir de “Alive or Undead”. Nesta faixa, o vocalista Atilla Dorn entrega uma bela interpretação naquela que pode ser considerada a balada do álbum – considerando os padrões de “balada” do Powerwolf, é claro. Há um clima de power ballad dos anos 1980 que certamente vai agradar aos fãs.

“Blood for Blood (Faorladh)” é outra surpresa, pois traz uma melodia com claras influências celtas, que faz lembrar os bons momentos do Turisas, principalmente no refrão. A presença de coros, órgãos e orquestrações chega ao ápice com “Glaubenskraft”, a música que cumpre a “tradição” de pelo menos uma música cantada em alemão no disco.

O bom nível segue com a faixa-título e com “Sermon of Swords”, que continuam soando grandiosas, mas trazem uma veia mais próxima do heavy metal tradicional. Em ambas, destaca-se o bom trabalho nas guitarras de Matthew e Charles Greywolf.

O encerramento do álbum se dá com “Undress to Confess”, onde o coral volta a se destacar nos versos, e a rápida “Reverent of Rats”, sem muita cerimônia.

No todo, o Powerwolf entrega um de seus trabalhos mais ousados em “Call of the Wild”, mesmo que isso não signifique reinventar o power metal – o que nunca foi a intenção. O novo álbum soa mais pomposo que os anteriores, mas evita exageros que fizeram o gênero cair de produção desde meados da década passada.

A banda continua afiada e provavelmente entregou o melhor trabalho de guitarras de sua carreira. Entretanto, o tecladista Falk Maria Schlegel obteve maior destaque individual, ao encorpar várias músicas na medida certa.

Para quem se distanciou do power metal nos últimos anos – especialmente devido aos aspectos orquestrados e grandiosos –, “Call of the Wild” pode ser uma boa forma de reatar o relacionamento.

Extras

Os 40 minutos de “Call of the Wild” passam rápido. Sua versão deluxe, porém, apresenta outros dois discos que também merecem atenção.

Um deles traz regravações de músicas do próprio Powerwolf com participações de músicos convidados, tendo como destaque a versão para “Demons are a Girl’s Best Friend” com a vocalista Alissa White-Gluz, do Arch Enemy. Outros convidados incluem Doro Pesch, Johan Hegg (Amon Amarth) e Ralf Scheepers (Primal Fear). A tracklist completa está ao fim da matéria.

O outro reapresenta as 11 faixas de “Call of the Wild”, agora em versões orquestradas. Esse material, especificamente, mostra como a banda realmente investiu tempo e dedicação em tornar sua sonoridade mais grandiosa e épica. É recomendado para quem curtiu os trabalhos mais recentes de bandas como Blind Guardian, por exemplo, ou para quem gosta de descobrir as diferentes nuances de uma mesma composição.

O álbum está na playlist de lançamentos do site, atualizada semanalmente. Siga e dê o play:

Powerwolf – “Call of the Wild”

CD 1:

  1. Faster than the Flame
  2. Beast of Gévaudan
  3. Dancing with the Dead
  4. Varcolac
  5. Alive or Undead
  6. Blood for Blood (Faoladh)
  7. Glaubenskraft
  8. Call of the Wild
  9. Sermon of Swords
  10. Undress to Confess
  11. Reverent of Rats

CD 2:

  1. Sanctified with Dynamite (feat. Ralf Scheepers)
  2. Demons Are a Girl’s Best Friend (feat. Alissa White-Gluz)
  3. Nightside of Siberia (feat. Johan Hegg)
  4. Where the Wild Wolves Have Gone (feat. Doro Pesch)
  5. Fist by Fist (Sacralize or Strike) (feat. Matthew Kiichi Heafy)
  6. Killers with the Cross (feat. Björn Strid)
  7. Kiss of the Cobra King (feat. Chris Harms)
  8. We Drink Your Blood (feat. Johannes Eckerström)
  9. Resurrection by Erection (feat. Christopher Bowes)
  10. Saturday Satan (feat. Jari Mäenpää)

CD 3:

  1. Faster than the Flame (Orchestral Version)
  2. Beast of Gévaudan (Orchestral Version)
  3. Dancing with the Dead (Orchestral Version)
  4. Varcolac (Orchestral Version)
  5. Alive or Undead (Orchestral Version)
  6. Blood for Blood (Faoladh) (Orchestral Version)
  7. Glaubenskraft (Orchestral Version)
  8. Call of the Wild (Orchestral Version)
  9. Sermon of Swords (Orchestral Version)
  10. Undress to Confess (Orchestral Version)
  11. Reverent of Rats (Orchestral Version)
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