A punição do produtor Bob Ezrin a Ace Frehley que guitarrista levou anos para perdoar

Trabalho em “Destroyer” revolucionou a sonoridade do Kiss, mas também causou uma série de mágoas

Após o estouro de “Alive!” (1975), o Kiss visava dar um salto na carreira. Para tal, o canadense Bob Ezrin foi chamado. Já conhecido pelos trabalhos com Alice Cooper e Lou Reed, o produtor adotou uma postura muito diferente da qual a banda estava acostumada até então, atuando quase como um treinador.

A metodologia não foi engolida de cara, especialmente pelo nada disciplinado Ace Frehley. Com isso, o guitarrista chegou até mesmo a ser substituído por Dick Wagner em algumas sessões. O instrumentista registrou guitarras e violões nas faixas “Sweet Pain”, “Flaming Youth”, “Great Expectations” e “Beth”.

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Em entrevista à Guitar World, repercutida pelo Ultimate Classic Rock, o Spaceman refletiu sobre o período. Ele começou dizendo que o clima não era tão tenso quanto parecia.

“As pessoas não comentam tanto, mas Ezrin e eu nos dávamos bem a maior parte do tempo. A questão é que, às vezes, eu chegava atrasado por conta de alguma ressaca da noite anterior. Todos sabem que eu fui um alcoólatra. Estou sóbrio há 17 anos, mas naquela época era diferente.”

Ace ainda ressalta que não era o único mergulhado em vícios, mencionando o próprio produtor.

“Ele gostava de fazer as coisas rapidamente. Talvez porque tinha uma montanha de cocaína e uma garrafa de conhaque Remy Martin o acompanhando na mesa de mixagem. Mas é claro que Paul Stanley e Gene Simmons nunca mencionam isso.”

Ace Frehley e Dick Wagner

Frehley ainda ressaltou que não tinha conhecimento de que seria substituído por Wagner – falecido em 2014 – durante as sessões. A descoberta aconteceu apenas ao final.

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“Disseram que Bob fez isso por sentir que meus solos não estavam tão bons quanto deveriam. Mas acredito que tenha sido mais para me punir por não chegar na hora certa.”

Sendo assim, o guitarrista não nega sua responsabilidade. Porém, admite ter ficado ressentido com a maneira como a questão acabou sendo tratada.

“Vejo isso em parte como minha culpa, mas também em parte como culpa de Bob. Mas o que mais me incomodou foi que não me disseram que ele havia substituído meus solos. Eu tive que descobrir depois de ouvir o álbum em casa, no meu toca-discos. Isso me incomodou por muito tempo.”

Kiss e “Destroyer”

Quarto trabalho de estúdio do Kiss, “Destroyer” marcou uma ruptura com o rock básico dos primeiros discos, abraçando novas e mais trabalhadas sonoridades, fruto da parceria com Bob Ezrin. O produtor incorporou uma série de elementos às composições, incluindo jogo de cordas, corais infantis e efeitos sonoros, além de técnicas como a gravação invertida de instrumentos, especialmente a bateria.

Cantada pelo baterista Peter Criss, “Beth” se tornou o maior sucesso comercial da carreira da banda, chegando ao 7º lugar na parada de singles americana e ganhando o People’s Choice Award em 1977.

Considerado um dos trabalhos referenciais da carreira do Kiss, o álbum vendeu mais de 2 milhões de cópias nos Estados Unidos só no primeiro ano após o lançamento.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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