Retorno triunfal de Bruce Dickinson ao Rio é marcado por coincidências e boa música

Vinte e cinco anos depois, lendário vocalista do Iron Maiden entregou aos fãs cariocas um show solo repleto de energia

*Texto por Luiz Carlos Garcia. || Dia 30 de abril de 2024. Quase exatos 25 anos depois desde a última apresentação de Bruce Dickinson como artista solo no Rio de Janeiro (a saber, em 20 de abril de 1999). Um ano após sua passagem com orquestra interpretando um repertório focado no Deep Purple e seu Concert for Group and Orchestra (em 21 de abril de 2023).

Ao longo deste hiato, inúmeros shows com sua banda principal, o Iron Maiden — tanto com shows convencionais quanto presença como headliner do Rock in Rio —, e até mesmo passagem como palestrante em eventos de inovação e negócios. Sim, Dickinson é um nome presente na Cidade Maravilhosa, mas sua excelente carreira solo ainda deixava saudades nos fãs que o acompanham e acompanharam em empreitadas distantes da Donzela.

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O tempo de espera entre esses dois concertos próprios foi longo. Mas, ao som do primeiro acorde, no Qualistage, na última quarta-feira (30), parece que nem havia passado tantos anos assim.

Foto: Paty Sigiliano @paty_sigilianophotos

Abertura com Noturnall

A abertura da noite ficou por conta dos brasileiros do Noturnall, escalados de última hora, depois de os conterrâneos do Clash Bulldog’s terem ficado impossibilitados de acompanhar Mr. Air Raid Siren em sua turnê devido a um problema de saúde que acometeu um de seus integrantes. Thiago Bianchi (voz), Victor Franco (guitarra), Saulo Xakol (baixo) e Henrique Pucci (bateria) se esforçaram para entregar um competente show aos que já se acomodavam esperando a atração principal, subindo ao palco do Qualistage pontualmente às 21h, conforme o previsto e divulgado pela organização.

Foto: Paty Sigiliano @paty_sigilianophotos

Diante de um repertório ligeiramente menor em relação ao apresentado na abertura para Paul Di’Anno, pouco mais de um ano antes, a silente e educada plateia carioca aplaudiu e agitou quando provocada pelo frontman. E só.

Desde sua estreia, a banda sempre caminhou entre um power metal com pitadas de thrash, com bastante virtuosismo, mas que fica em cima do muro. Não empolga nos momentos mais melódicos e não “agride” nos momentos mais pesados.

Ao fim dos 45 minutos de set, restou destaque a ser feito para Franco, jovem músico que demonstrou grande habilidade no instrumento. Notório por ter substituído Roberto Barros durante uma apresentação de Edu Falaschi em São Paulo, o guitarrista fazia sua estreia ao vivo com o Noturnall.

Foto: Paty Sigiliano @paty_sigilianophotos

Noturnall — ao vivo no Rio de Janeiro

Repertório:

  1. Try Harder
  2. No Turn at All
  3. Fight the System
  4. Cosmic Redemption
  5. Wake Up
  6. Reset the Game
  7. Nocturnal Human Side

Dickinson e banda primorosos

Marcada para subir ao palco às 22h, a atração principal da noite começou com 15 minutos de atraso. Bruce Dickinson surgiu após uma intro narrada e a vinheta “Toltec 7 Arrival”, já desfilando uma de suas melhores músicas: “Accident of Birth”, faixa-título de seu álbum de 1997.

Ali, os tais 25 anos de espera acabaram. E já se tinha a sensação que a ida ao evento valeria, e muito, à pena. Composta por Dave Moreno (bateria), Mistheria (teclados), Tanya O’Callaghan (baixo), Philip Naslund (guitarra) e Chris Declercq (guitarra), a afiada banda, com excelente presença de palco e carisma, foi comandada por Dickinson, 65 anos, que soltou a voz como se o longo tempo de espera — e com um câncer no meio do caminho — pouco tenham tido efeitos danosos em sua voz. “Abduction” e “Laughing in the Hiding Bush” deram sequência ao espetáculo sendo cantadas em alto e bom som pelos presentes.

Foto: Paty Sigiliano @paty_sigilianophotos

Hora de lembrarmos que estamos em 2024 e que Bruce divulga um novo trabalho solo — “The Mandrake Project” —, que, ainda que não tenha o mesmo impacto e qualidade de seus trabalhos do final dos anos 90, é uma obra acima da média. “Afterglow of Ragnarok” foi a primeira das quatro novas faixas a serem executadas nessa noite — as demais, “Many Doors to Hell”, “Resurrection Men” e “Rain on the Graves”. E o single inaugural do recente disco foi muito bem recebida pela audiência, que cantou essa e todas as músicas, novas ou antigas, a plenos pulmões, mostrando todo o entrosamento que o artista e os cariocas possuem.

Número após número, a plateia não se mostrava abatida pelo calor dentro da casa — que, aparentemente, não estava com seu ar condicionado em pleno funcionamento. Ou estava mal dimensionado. Era notório que o Qualistage não estava lotado. Algumas cortinas pareciam dar a sensação de que o local estava com bom preenchimento, uma vez que elas retiravam parte da área destinada ao público, reduzindo o espaço útil da arena. Isso deu uma sensação de maior lotação, mas o ar não dava vazão. Havia até ambulantes vendendo cerveja na pista premium, dado que havia espaço para tal.

Destaques

A surpresa da tour ficou pelo cover de “Frankenstein” (The Edgar Winter Group), que deu espaço para Bruce fazer um duelo de percussão com o baterista Dave Moreno e um solo de teremim. Os grandes destaques da noite ficaram a cargo de “The Alchemist”, bem com as duas últimas do set regulamentar que colocaram a casa abaixo: “Tears of the Dragon”, a linda balada que emocionou os presentes (houve até um pedido de casamento, destacado por Bruce!), e “Darkside of Aquarius”. A banda agradeceu e saiu do palco pelos próximos 10 minutos.

Na volta, o golpe de misericórdia: Uma trinca arrebatadora do disco mais celebrado da noite (“The Chemical Wedding”, 1998): “Jerusalem”, “Book of Thel” e “The Tower”. O público presente curtiu junto com Bruce cada acorde e cada palavra da letra, não arrefecendo até o último minuto. Banda e audiência se despediram, com promessas de encontros mais breves e com espera menores.

Foto: Paty Sigiliano @paty_sigilianophotos

Coincidências

Para quem esteve presente nas apresentações de 1999 e 2024, as coincidências foram muitas. Ambas ocorreram em abril, no mesmo palco da mesma casa de eventos (outrora chamada Metropolitan), numa véspera de feriado, num calor inacreditável pela falta de ar condicionado e com grande parte do repertório dedicada a “The Chemical Wedding” (em 1999, foram 7 músicas desse disco no set; agora, 6 peças).

Foto: Paty Sigiliano @paty_sigilianophotos

Mas parou por aí. Em meio a outras diferenças, não há mais espaço para músicas do Iron Maiden (anteriormente, 3 canções foram executadas), pois Dickinson já voltou a desempenhar esse papel com a banda original. Esse espaço foi preenchido pelas novas canções.

E nem toda similaridade é coincidência. Como em 1999, a voz e o carisma de Bruce seguem intocáveis. Nada de acaso, porém: é talento, carisma e dedicação de sobra.

Foto: Paty Sigiliano @paty_sigilianophotos

Bruce Dickinson — ao vivo no Rio de Janeiro

  • Local: Qualistage
  • Data: 30 de abril de 2024
  • Turnê: The Mandrake Project
  • Produtora: Rider2 / MCA Concerts

Repertório:

  1. Accident of Birth
  2. Abduction
  3. Laughing in the Hiding Bush
  4. Afterglow of Ragnarok
  5. Chemical Wedding
  6. Many Doors to Hell
  7. Gates of Urizen
  8. Resurrection Men
  9. Rain on the Graves
  10. Frankenstein (The Edgar Winter Group cover)
  11. The Alchemist
  12. Tears of the Dragon
  13. Darkside of Aquarius

Bis:

  1. Jerusalem
  2. Book of Thel
  3. The Tower

Noturnall:

Foto: Paty Sigiliano @paty_sigilianophotos
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Bruce Dickinson:

Foto: Paty Sigiliano @paty_sigilianophotos
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