A morte de Amy Winehouse, um dos grandes talentos da música

Cantora partiu prematuramente aos 27 anos e antes de nos deixar, teve sua vida afetada pelo uso de drogas e álcool

Entre os talentos da música que nos deixaram muito cedo, está Amy Winehouse. A cantora britânica foi um dos destaques do chamado neo soul, também agregando influências de R&B e jazz. Dona de voz inconfundível, partiu de forma trágica em 23 de julho de 2011, tendo sido encontrada já sem vida em seu apartamento em Londres.

Por mais que fosse dona de um grande talento e admirada por muita gente, a artista também ficou marcada por seus problemas com drogas e álcool, saúde mental instável e alguns comportamentos questionáveis, o que gerou uma enorme atenção dos paparazzi e da mídia. Estas questões tiveram uma influência muito grande em sua morte prematura e chocante.

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Vícios após “Back to Black”

A vida de Amy Winehouse começou a mudar pouco tempo após o lançamento de “Back to Black”, seu segundo e bem-sucedido álbum, lançado em 2006. O disco teve como inspiração seu então namorado, Blake Fielder-Civil, com quem se casou no ano seguinte.

A pressão causada pela fama, que cresceu por conta do álbum, e da influência negativa de Fielder-Civil em sua vida fizeram a vida particular da artista sair do controle. Por conta do marido, Winehouse passou a fazer uso de drogas mais pesadas, como heroína, e abusar no consumo de álcool.

Quem já confirmou que a cantora virou outra pessoa após conhecer Fielder-Civil foi Nick Godwyn, seu primeiro empresário.

“Amy mudou da noite para o dia após conhecer Blake. Ela parecia completamente diferente. Sua personalidade ficou mais distante e me pareceu que ela estava afundada nas drogas. Quando eu a conheci, ela fumava maconha, mas acreditava que as pessoas que usavam drogas mais pesadas eram estúpidas. Ela costumava rir delas.”

O próprio Blake admitiu que introduziu Amy a drogas mais pesadas e que as coisas começaram a sair do controle justamente após o lançamento de “Back to Black”. A cantora também acabou se afastando de pessoas mais próximas dela durante a união.

Outras duas pessoas também teriam influenciado negativamente Amy Winehouse durante esse período turbulento. O primeiro foi seu segundo empresário, Raye Cosbert, que ficou conhecido por pressioná-la a se apresentar e pouco se importar com a tumultuada vida pessoal da cantora.

O segundo foi o próprio pai da artista, Mitch Winehouse. Ele havia assumido a parte administrativa e financeira da carreira da filha após ficarem afastados por um tempo. No entanto, Mitch desencorajou Amy de procurar tratamento para sua dependência de drogas e álcool justamente no momento em que a filha mais precisava de ajuda.

Se não bastasse esse vício em drogas e álcool, Amy Winehouse também sofria de outros problemas de saúde, como enfisema, depressão e bulimia.

Amy Winehouse tenta dar a volta por cima

Em 2009, Amy Winehouse e Blake Fielder-Civil se separaram. Ele, inclusive, passou alguns meses preso, já na reta final, por conta de uma agressão. Livre da influência negativa do agora ex-marido, a cantora tentou dar a volta por cima e até conseguiu ser produtiva por algum tempo.

Ela, por exemplo, trabalhou junto de Tony Bennett, uma das grandes influências de sua carreira, na canção “Body and Soul” – que fez parte do álbum “Duets II”, do artista. Ela também pensava em fazer um novo trabalho junto de Mark Ronson, com quem gravou o cover de “Valerie”, da banda The Zutons, em 2007.

Além disso, a cantora tinha projetos engatilhados com vários artistas, como Amir Thompson, Mos Def, Raphael Saadiq e Remi. Ela também estava voltando a entrar em contato com Salaam Remi, um dos produtores de “Back to Black”, para produzir seu terceiro álbum de estúdio e vinha compondo novas canções. 

Do ponto de vista pessoal, a artista tentou retomar o contato com pessoas mais próximas, após se distanciar delas durante seu casamento. Winehouse também engatou novos relacionamentos, com destaque para seu namoro com o roteirista e diretor de filmes Reg Traviss, que foi seu parceiro até sua morte.

O desastroso último show de Amy Winehouse

No entanto, por mais estivesse determinada a dar a volta por cima, Amy Winehouse ainda era atormentada por seus vícios, especialmente o uso abusivo de álcool. O problema começou a afetar seu desempenho nos palcos no ano final de sua vida.

O ponto baixo veio um mês antes da morte da artista. Raye Cosbert e Mitch Winehouse agendaram para Amy uma turnê de 12 shows durante o início do verão europeu, apesar do apelo de amigos de que ela não estava muito bem para se apresentar. 

A primeira apresentação foi agendada para Belgrado, capital da Sérvia, em 18 de junho de 2011. No entanto, ela foi um verdadeiro desastre.

Durante o show, Amy Winehouse estava visivelmente embriagada. Como consequência, ela esquecia os versos de suas canções, não conseguia lembrar os nomes dos integrantes de sua banda e também não sabia em qual cidade estava se apresentando. 

Amy também pediu diversas vezes para Zalon Thompson, sua backing vocal, ajudá-la a lembrar das letras das músicas. Em alguns momentos, a artista de apoio teve de assumir a apresentação no lugar da principal.

Não demorou para o público, insatisfeito com o que estava presenciando, começar a vaiar a cantora, que precisou segurar as lágrimas e estava claramente chateada com a situação. A apresentação durou apenas 45 minutos.

Para o programa “Autópsia de Famosos”, do canal Discovery, Troy Miller, que era o baterista da banda da cantora, resumiu, em poucas palavras, como foi o desastroso show.

“Foi um caos, não dava pra continuar. Foi uma grande decepção, foi devastador.”

Os dois shows seguintes da turnê foram cancelados. Dias depois, as demais apresentações também tiveram o mesmo destino. Infelizmente, essa seria a última vez que Amy Winehouse pisaria em um palco antes de sua prematura morte. 

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Dias e horas finais de Amy Winehouse

Na noite anterior a sua morte, Amy Winehouse recebeu uma visita de sua médica particular, Christina Romete. A profissional lembra que a cantora aparentava estar calma e demonstrava um sentimento de culpa, além de ter dito a ela: “não queria morrer”.

Durante a conversa, a artista também afirmou à médica que em 3 de julho, decidiu tentar ficar sóbria, mas teve uma recaída no dia 20. 

Quem confirma esta informação é Andrew Morris, que era o segurança particular da cantora. Ele afirmou que justamente três dias antes da morte de Amy Winehouse, notou que ela estava visivelmente sob o efeito de álcool. Nos dias seguintes, disse que até a viu beber, mas de forma moderada.

Após conversar com a médica, a cantora estava apenas na companhia do próprio Morris em seu apartamento, no bairro londrino de Camden. Os dois ficaram acordados até às duas da manhã assistindo apresentações anteriores da cantora e escutando música. O segurança afirmou que ela estava rindo e parecia de bem com a vida na ocasião.

Quando eram 10h da manhã, Morris foi até o quarto de Winehouse e tentou, sem sucesso, acordá-la. No entanto, não se preocupou em um primeiro momento, ciente de que ela tinha o costume de dormir até mais tarde.

No entanto, quando já passavam das três da tarde, Morris retornou e percebeu que Amy Winehouse continuava deitada na mesma posição de antes. Foi neste momento que o segurança notou que a cantora não respirava e estava sem pulso, o que o fez chamar uma ambulância.

“Ainda estava tudo quieto, o que pareceu estranho. Ela estava na mesma posição que de manhã. Chequei o pulso dela, mas não havia nada.”

Infelizmente, já era tarde demais: quando os paramédicos chegaram, constataram que Amy Winehouse já estava sem vida. Pouco tempo mais tarde, a polícia de Londres confirmou a informação.

As homenagens e o “Clube dos 27”

Claro, a morte de Amy Winehouse gerou uma enorme comoção em todo o planeta. A Universal Republic, selo da artista, emitiu uma nota de pesar, enquanto diversos músicos de renome, como Lady Gaga, Bruno Mars, Rihanna, Adele também fizeram suas homenagens.

O Green Day chegou a lançar a canção “Amy”, que fecha o álbum “¡Dos!”, como forma de homenagear a cantora. 

Por ter falecido com apenas 27 anos, não demorou muito para o público e a mídia já incluírem Amy Winehouse no famoso “Clube dos 27”, reunindo outros artistas de renome que nos deixaram com a mesma idade, a exemplo de Janis Joplin, Jimi Hendrix, Brian Jones (Rolling Stones), Jim Morrison (The Doors) e Kurt Cobain (Nirvana).

O funeral da cantora ocorreu em 26 de julho, no Cemitério Edgwarebury Lane, em uma cerimônia com ritos judaicos – a família de Amy é de origem judia – e restrita apenas para familiares e amigos próximos. A artista foi cremada e suas cinzas foram enterradas no mesmo local em 16 de setembro, ao lado do túmulo de sua avó.

Os pais da artista criaram a Fundação Amy Winehouse, destinada ao tratamento e prevenção de uso de drogas entre pessoas jovens.

A causa da morte de Amy Winehouse

Em 26 de outubro de 2011, foi divulgado o inquérito com a causa da morte de Amy Winehouse. Segundo a polícia britânica, a cantora sofreu uma intoxicação alcoólica acidental. Seu corpo continha 416 mg de álcool por 100 ml de sangue (0,416%), que é cinco vezes o limite para poder dirigir no Reino Unido. 

Alex Winehouse, irmão mais velho de Amy, acredita que a bulimia sofrida pela irmã foi a principal causa de seu falecimento.

“Ela sofria terrivelmente com a bulimia. Isso não é uma revelação, já dava pra saber só de olhar pra ela. Ela acabaria morrendo eventualmente da maneira que estava indo e o que realmente a matou foi a bulimia. Acho que a deixou mais fraca e mais suscetível (a ficar doente). Se não fosse esse transtorno alimentar, ela estaria fisicamente mais forte.”

Para o “Autópsia de Famosos”, o patologista forense Jason Payne-James acredita que outro fator não diagnosticado contribuiu para a morte da cantora.

Ao investigar o passado e alguns incidentes na vida da cantora, Payne-James afirmou que, para ele, Amy também sofria com o chamado Transtorno de Personalidade Borderline. Essa condição faz com que seu portador tenha comportamentos impulsivos e perigosos que ocorrem recorrentemente, variações bruscas de humor, sentimentos de vazio e tédio, relacionamentos intensos e surtos de raiva – sintomas que a cantora demonstrou em várias ocasiões.

Para sustentar sua tese, Payne-James descobriu que Christina Romete, a médica da cantora, a levou, um ano antes de sua morte, para uma avaliação com um psiquiatra e um psicólogo. Os dois profissionais sugeriram que Amy Winehouse fizesse uma terapia comportamental dialética, usada para que pessoas saibam dominar e lidar com emoções destrutivas.

Além disso, o patologista ainda afirmou que o fato da artista ter se deitado de bruços na cama pode ter contribuído para sua morte.

“Deitar de barriga para baixo pode comprometer a respiração, comprimindo o peito e, talvez, obstruindo a boca e o nariz. Se a Amy não estivesse nessa posição, possivelmente teria sobrevivido.”

Também para o documentário, a psicóloga Anjula Mutanda também acredita que o transtorno pode ter influenciado a morte, mas que a própria Amy Winehouse teve sua parcela de culpa por ter recusado, diversas vezes, fazer qualquer tipo de tratamento para seus problemas. 

“Eu acho crucial que essas pessoas tenham o apoio correto para lidar com os sintomas, para que possam lidar com um fim melhor do que esse. Mas o que é tão triste e trágico, no caso da Amy, é que ela não chegou a ter apoio, ela não buscou isso, ela não queria ajuda, e as coisas acabaram trágicas pra ela.”

*Texto com informações de: Wikipedia, The Guardian, Far Out, Diffuser, American Songwriter, Smooth Radio e Autópsia de Famosos.

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Augusto Ikeda
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Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Atua no mercado desde 2013 e já realizou trabalhos como assessor de imprensa, redator, repórter web e analista de marketing. É fã de esportes, tecnologia, música e cultura pop, mas sempre aberto a adquirir qualquer tipo de conhecimento.

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