David Byrne reconhece ter sido um tirano nos tempos de Talking Heads

Banda fará sua primeira aparição pública desde 2002 na estreia da restauração 4K do concert film "Stop Making Sense"

Um dia após o anúncio que os quatro integrantes do Talking Heads fariam sua primeira aparição pública juntos desde 2002, David Byrne reconheceu seu papel no fim da banda.

O vocalista e guitarrista refletiu sobre seu comportamento na juventude em entrevista à People. Mais especificamente, ele destacou sua postura com relação aos outros integrantes: Chris Frantz (bateria), Tina Weymouth (baixo) e Jerry Harrison (teclados e guitarra).

“Quando jovem, eu não era uma companhia agradável. Quando estava trabalhando em alguns shows do Talking Heads, eu era mais como um pequeno tirano. E aí eu aprendi a relaxar, e também aprendi que ao colaborar com pessoas, ambos os lados trabalham melhor se há uma relação boa ao invés de eu ficar falando para todo mundo o que fazer.”

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Apesar de ter seu fim oficializado em 1991, o Talking Heads estava parado desde 1988, com Byrne deixando a banda. Ainda à People, ele disse:

“Acho que o fim não foi bem combinado. Foi bem feio. Tenho arrependimentos sobre como as coisas foram arranjadas. Não acho que fiz da melhor maneira, mas acho que era inevitável acontecer.”

Conflito

Nos anos desde então, o casal Chris Frantz e Tina Weymouth tem feito muitas críticas a David Byrne na imprensa. Em entrevista de março para o jornal inglês Sunday Times (via Stereogum), a baixista afirmou:

“Em entrevistas, David sempre diz estar feliz e eu gostaria de acreditar. Mas se ele está feliz, porque se recusa a se referir a Chris ou eu ou Jerry por nome? Ele nos chama de ‘as pessoas com quem eu tocava’. Isso não é estranho?”

Apesar disso, Byrne comentou que a realidade atual entre os integrantes é mais branda:

“Temos um relacionamento cordial hoje em dia. Nos mantemos mais ou menos em contato, mas não saímos juntos.”

“Stop Making Sense”

Sobre a restauração 4K de “Stop Making Sense”, que terá sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto, ele comentou a experiência de se ver como artista mais jovem:

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“Minha voz ainda está em forma, mas tem um salto para trás que eu faço, que eu penso: ‘como diabos você conseguiu fazer isso?’. Mas estou curioso. Espero que uma plateia maior e mais jovem possa ver isso e ver o que fizemos. Estou otimista que vai atingir uma plateia que não estava a par de muitas dessas coisas.”

A reunião do Talking Heads

Com atividades encerradas em 1991, o Talking Heads havia feito sua última aparição pública como conjunto na cerimônia de entrada da banda no Rock and Roll Hall of Fame, no ano de 2002.

Mais de duas décadas depois, David Byrne, Jerry Harrison, Tina Weymouth e Chris Frantz se reunirão durante o Festival Internacional de Cinema de Toronto, em setembro. A ocasião celebrará o legado de seu lendário filme-concerto “Stop Making Sense”, dirigido por Jonathan Demme e lançado no ano de 1984.

O festival verá a estreia mundial de uma nova restauração 4K do longa feita pela A24, além de um painel após a sessão com os quatro integrantes e o diretor americano Spike Lee.

“Stop Making Sense” captura três performances da banda no Pantages Theater em Hollywood. É contemplada toda a discografia do grupo, desde os inícios no CBGBs, os experimentos com Brian Eno e afrobeat nos álbuns “Fear of Music” e “Remain In Light” até o funk pop futurista de “Speaking In Tongues”.

Considerado um dos melhores exemplos do concert film já feitos, o longa também tem a distinção de capturar a última turnê da banda. Tensões entre Byrne e o resto da banda, principalmente o casal Frantz-Weymouth, chegaram a tal ponto que eles deixaram de tocar ao vivo logo após o lançamento do filme. Após mais três discos de estúdio, entraram em hiato em 1987.

Byrne finalmente declarou o fim da banda em 1991, o que foi uma surpresa para os outros integrantes. Harrison, Frantz e Weymouth tentaram continuar sem ele, lançando o disco “No Talking. Just Head.” em 1996 sob o nome The Heads. Não puderam usar o nome original sob ameaça de processo do ex-vocalista.

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Pedro Hollanda
Pedro Hollanda
Pedro Hollanda é jornalista formado pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso e cursou Direção Cinematográfica na Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Apaixonado por música, já editou blogs de resenhas musicais e contribuiu para sites como Rock'n'Beats e Scream & Yell.

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