Primeira visita de Eddie Vedder ao Brasil foi com os Ramones, disfarçado; conheça história

Vocalista do Pearl Jam veio para acompanhar o amigo Johnny Ramone, que se sentia “sufocado” com status de rockstar na América do Sul e preferia ficar em quartos de hotel

A primeira apresentação do Pearl Jam no Brasil aconteceu somente em 2005. Porém, o vocalista Eddie Vedder já havia conhecido o país na década anterior junto de seus ídolos dos Ramones.

Ele acompanhou a turnê de despedida da banda de punk rock, que passou pela América do Sul em 1996. Curiosamente, ele estava disfarçado praticamente o tempo todo. O próprio Vedder relembrou o episódio muitos anos depois em entrevistas.

¡Adios, Ramones!

Quis o destino que alguns dos últimos shows da carreira dos Ramones, como parte da turnê “¡Adios Amigos!”, fossem feitos na América do Sul. Aqui, os caras eram idolatrados – diferentemente de outras partes do mundo, que só reconheceram o legado do grupo após o seu fim.

Ao todo, foram seis apresentações somente no Brasil, agendadas para março de 1996. Três delas ocorreram no finado Olympia em São Paulo, enquanto as demais foram distribuídas individualmente entre Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes e Santo André.

Eles também passaram pela Argentina para uma performance no Estadio River Plate – curiosamente, os hermanos já haviam recebido seis shows da banda em 1995, todos no Estadio Obras Sanitarias.

O clima na banda, que nunca foi muito bom, estava longe do auge. Foi então que o guitarrista Johnny Ramone teve a ideia de chamar um amigo para acompanhá-lo na viagem: ninguém menos que Eddie Vedder, que passaria o primeiro semestre daquele ano de folga do Pearl Jam.

Reservado, Johnny também queria a presença de Eddie porque não gostava tanto do calor humano proporcionado aos Ramones na América do Sul. Como a banda era muito popular por aqui, os músicos não tinham lá muita paz por aqui. Vedder, então, agiu como uma espécie de parceiro de carteado, já que eles pouco saíram dos quartos de hotel.

Uninho baleado

Em post no Instagram, o fotógrafo Marcelo Rossi, o MRossi, contou uma história inusitada vivida por ele após o show dos Ramones em São Paulo. Junto com uma imagem de um irreconhecível Eddie Vedder, o profissional relatou o dia em que foi encarregado de dar uma carona ilustre em um humilde Fiat Uno.

“Eu estava com a banda fotografando no show do Olympia em São Paulo quando após o show, uma produtora perguntou se eu poderia dar carona para algumas pessoas. Eu disse que estava sem carro e ela disse que emprestava o dela. Achei estranho, mas aceitei. Me deu as chaves e fui aguardar no portão dos fundos, quando de repente saem Johnny Ramone, Eddie Vedder e um outro gringo. Demorou pra cair na real e ligar o carro, que era um Fiat Uno bem baleado… Eu nem sabia que o Eddie estava no Brasil, ele estava ‘disfarçado’ acompanhando a tour para gravar um documentário.”

Rossi, claro, mal conseguia acreditar no que estava vivenciando. Não só por estar transportando grandes rockstars, como também por esses astros serem caras bem gente-boa.

“Fomos em direção ao hotel pelas ruas da Lapa, e cada farol que parava eu queria contar pra alguém a carga preciosa que estava levando… (risos) Isso jamais aconteceria hoje em dia com os esquemas de segurança milionários. Todos muito simpáticos, conversando sem parar. Quando chegamos ao hotel, pedi a Eddie pra tirar esta foto para marcar uma experiência inesquecível.”

Eddie Vedder confirma

Na época da primeira vinda do Pearl Jam para o Brasil, em 2005, Eddie Vedder confirmou a história durante entrevista para o jornal Folha de S. Paulo.

O vocalista destacou a fama e a importância que os Ramones sempre tiveram no Brasil, em comparação com a recepção também calorosa que sua banda recebeu por aqui.

“Era muito amigo de Johnny. Mas passei a maior parte do tempo no hotel, ou no carro. Vi Dee Dee (Ramone, baixista) se desentender com alguém e bater nele… Os Ramones, no Brasil, tinham a atenção que mereceriam receber no resto do planeta. Mas eles viajaram muito ao Brasil, então isso se justifica. É estranho porque, vendo aquilo, me sinto como se o Pearl Jam não merecesse toda a atenção que estamos recebendo, já que é a primeira vez no Brasil.”

* Texto por André Luiz Fernandes e Igor Miranda, com pauta e edição por Igor Miranda.

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