Steve Morse é um veterano da indústria musical. Aos 71 anos, o guitarrista passou quase três décadas no Deep Purple, integrou o Dixie Dregs e também mantém uma carreira solo ativa. Com toda essa experiência, o músico observa o cenário atual com preocupação, especialmente em relação aos altos custos das turnês — um desafio que, segundo ele, afeta até bandas de grande porte.
Conversando recentemente com Jordi Pinyol, em entrevista transcrita pela Ultimate Guitar, o músico explicou que hoje é mais complicado tocar ao vivo por questões financeiras. Por consequência, também é mais difícil manter um grupo em atividade:
“A indústria [musical] mudou… Havia shows em todo canto. Nós conseguíamos arrumar apresentações independentemente da situação. Talvez não fossem grandes shows, mas sempre havia espaço para tocar. Hoje em dia, até isso ficou difícil. Como resultado, é complicado manter uma banda unida.”
É por isso que, de acordo com Morse, muitas bandas estão tirando dinheiro do próprio bolso para conseguir excursionar – na maioria das vezes, como abertura e não como atração principal:
“E mesmo que você tenha um material excelente, as bandas mais bem-sucedidas acabam fazendo coisas como pagar para entrar em uma turnê. Esse é o auge do desenvolvimento para muitas delas: conseguir ser banda de abertura em uma turnê. E apenas uma quantidade muito, muito, muito pequena consegue sair em turnês próprias como atração principal.”
Para exemplificar a questão, o guitarrista mencionou o próprio filho, Kevin Morse, que também segue uma carreira musical e que encontra dificuldades de inserção no mercado. Especialmente, porque não quer tocar com o pai:
“Isso me entristece, porque vejo que ele é realmente muito bom em música, muito interessado nisso. E aí você pensa: para onde ele vai a partir daqui? Se ele tocasse na minha banda, poderíamos sair em turnê. Mas ele não quer fazer isso.”
“Equilibrar as contas”
À Goldmine Magazine no ano passado, Morse já havia entrado no tópico e ressaltado que é cada vez mais difícil para os artistas “equilibrar as contas”. Por esse motivo, os ingressos para os shows também ficaram mais caros:
“Fazer turnês nunca foi tão difícil em termos de equilibrar as contas. E, como consequência, os preços dos ingressos nunca estiveram tão altos. É uma combinação dupla de coisas ruins. Não sei como quebrar esse ciclo e torná-lo sustentável.”
No mesmo período, ao canal Boomerocity, o instrumentista atribuiu o problema ao fato de os jovens parecem escolher menos o caminho musical. Ao mesmo tempo, porém, o músico disse acreditar que ainda é possível construir uma carreira na música:
“Pouquíssimos jovens estão escolhendo a música quando percebem que, se fossem cortar grama pilotando um cortador de grama, ganhariam de cinco a seis vezes mais dinheiro. Mas sempre existem aquelas pessoas que desafiam as probabilidades […]. Acredito que qualquer músico que coloque coração e alma na carreira ao longo da vida encontrará uma maneira de ganhar a vida com isso. Essa é a minha definição de sucesso: quando você consegue fazer aquilo que quer, aquilo que prefere fazer, e transformar isso no seu trabalho.”
Steve Morse atualmente
Desde que deixou o Deep Purple em julho de 2022, Steve Morse tem investido em outros projetos. Após excursionar com o Dixie Dregs em 2024, o guitarrista realizou uma série de shows com a sua banda solo como parte da turnê “The Triangulation”.
Apesar do ritmo constante de performances, o futuro na estrada é incerto. Durante uma entrevista à Guitar World, o músico de 71 anos explicou o motivo.
Ainda em janeiro de 2024, o artista revelou que, por causa da artrite, precisou mudar a técnica que utilizava ao tocar. Com o avanço da doença, porém, a tarefa tem ficado cada vez mais difícil. Sendo assim, o instrumentista acredita que não aguentará a “rotina intensa de apresentações” por muito mais tempo.
Ele relatou:
“Eu tive que criar novas maneiras de palhetar porque cada osso da articulação dói em um grau diferente, dependendo do ângulo em que posiciono a mão. […] Preciso praticar diferentes formas de segurar a palheta, diferentes ângulos, e decidir se dobro o braço ou se toco a partir do cotovelo. É muita coisa. Você precisa realmente, realmente querer tocar para conseguir fazer isso com o avanço da artrite. Eu não sei o que vai acontecer. Quando acordo, será que vou conseguir mexer a mão ou não? Não sei. Até agora, tenho conseguido e cumprido todos os shows. Mas acho que meu tempo de seguir essa rotina intensa de apresentações está chegando ao fim. Essa janela está se fechando.”
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