Bruce Kulick conta como era tocar no Kiss ciente de que Ace Frehley voltaria

Guitarrista integrou a banda entre 1984 e 1996, deixando o grupo com a retomada da formação original

Bruce Kulick atuou como guitarrista do Kiss entre 1984 e 1996. Após mais de uma década, a longa parceria chegou ao fim quando o saudoso Ace Frehley retornou para a reunião da formação original do quarteto.

No fundo, Kulick sempre soube que sua passagem pela banda tinha prazo de validade, já que acreditava que Frehley acabaria voltando em algum momento. O próprio mencionou o assunto durante entrevista recente ao podcast Count’s Kulture, transcrita pela Blabbermouth

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Segundo o músico, existiam rumores a respeito de um reencontro com os ex-membros enquanto ainda integrava a formação. Até porque, em suas palavras, Ace não conseguiu o mesmo nível de sucesso em carreira solo:

“Sempre havia especulações sobre uma possível reunião [com Ace e o baterista Peter Criss], sabendo que Ace e Peter realmente… enfrentavam algumas dificuldades. Depois que saiu do Kiss, Ace sempre lançava material novo e fazia turnês, mas não era algo do nível que nós estávamos fazendo no Kiss. Nós continuávamos liderando turnês em arenas.”

Ao seu ver, era inevitável que a união acontecesse novamente. Contudo, isso não diminui o orgulho que sente pelo trabalho exercido no grupo:

“Eles estavam sempre tentando reviver o sucesso que tiveram, o que era algo difícil quando se sabe o tamanho do que a banda representava em 1975 e 1978. Mas eu ajudei a tirar [Paul Stanley e Gene Simmons] da situação em que estavam, e tenho muito orgulho disso. Só que eu sabia que, em algum momento, aquilo provavelmente acabaria.”

Alívio por não ter recebido convite para voltar

Com a nova saída de Ace Frehley em 2002, Bruce Kulick diz que, de certa forma, sentiu alívio por não ter sido convidado para retornar ao posto. Isso porque a proposta dos mascarados à época era outra e o guitarrista não ficaria confortável em apenas emular o trabalho do Spaceman — o que Tommy Thayer fez muito bem em sua opinião: 

“Quando Ace voltou e depois não quis mais estar na banda, me perguntei se iriam me pedir para ser o Spaceman. Eu estava feliz com o Grand Funk Railroad. Não sei o que teria feito se eles [me convidassem para voltar]. Olhando em retrospecto, eles não me chamaram. Acho que eu teria meio que desrespeitado a minha própria era [no Kiss] se de repente simplesmente virasse Ace Frehley. E nunca me pediram para fazer isso, enquanto Tommy faz esse papel de maneira brilhante. E ele foi amado e odiado por isso. Mas ele faz um trabalho maravilhoso.”

Salários pagos mesmo fora do Kiss

Vale destacar que, mesmo com a “demissão”, o Kiss continuou pagando o salário de Kulick e do baterista Eric Singer com medo de a reunião não dar certo. À Guitar World, o guitarrista descreveu a postura como compreensível e minimizou seu desligamento do grupo, diante do quão lucrativo era o quarteto original:

“Paul e Gene fizeram a coisa certa ao manterem nossos salários por um ano, eles precisavam fazer isso porque poderiam voltar atrás caso a reunião fracassasse […]. O Kiss faturava algo em torno de cinco milhões comigo e com Eric, mas com Ace e Peter estamos falando de um lucro de 50 milhões, o que é realmente absurdo. Eu sempre enxerguei a situação da seguinte forma: nunca fui demitido do Kiss, apenas fiquei para trás por causa de um empreendimento comercial extremamente bem-sucedido. Não é preciso ser contador para entender Paul e Gene.”

Em meio a todo esse cenário, Bruce garantiu não guardar qualquer rancor dos ex-patrões. Ao radialista Eddie Trunk em 2023, como publicado pelo Whiplash, o guitarrista até admitiu que teria voltado caso tivesse sido chamado: 

“Se eles dissessem: ‘nós realmente queremos você de volta, aqui está o salário e o seu cronograma’. Eu teria dito sim. Como poderia negar se adorava estar na banda? Esse seria o preço a se pagar… Mas eu nunca guardei rancor deles. Por que eles deveriam tocar músicas de ‘Revenge’ se não querem ou se não parece certo? Eu entendo.”

Sobre Bruce Kulick

Bruce Kulick foi o guitarrista que ajudou a conduzir o Kiss na tortuosa estrada dos anos 1980 e 90. Ele entrou na banda após o período de instabilidade que teve início na saída de Ace Frehley, passando pela breve passagem de Vinnie Vincent e o meteórico período de Mark St. John.

Com total competência, caiu no gosto da maior parte dos fãs, permanecendo até o momento que a inevitável reunião da formação original aconteceu.

No início de 2024, Bruce Kulick anunciou sua retirada do Grand Funk Railroad após duas décadas. A decisão alimentou rumores de que o guitarrista se reuniria a Gene Simmons e Eric Singer na banda solo do baixista e vocalista. Porém, logo a seguir, os próprios desmentiram.

Além do Kiss e GFR, fez parte da banda de apoio de Meat Loaf. Também teve o Blackjack, em parceria com o cantor Michael Bolton – a quem acompanhou no início da carreira solo. Ainda comandou o Union junto a John Corabi (ex-Mötley Crüe) e lançou discos usando o próprio nome.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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