Por que os Beatles não voltaram na década de 1970, segundo Paul McCartney

"John Lennon estava vivendo a vida dele com Yoko Ono. Eu não teria feito esse pedido a ele", explicou o músico, descrevendo um retorno à época como improvável

Os Beatles chegaram ao fim em 1970. À época, Paul McCartney ficou encarregado de comunicar a dissolução da banda durante entrevistas de divulgação de seu primeiro álbum solo, “McCartney”

Entre inúmeras razões, a separação acabou motivada principalmente pelo desejo dos integrantes de viver a própria vida e por questões de negócios. Apesar do enorme sucesso, um retorno nunca se concretizou e a chance de uma reunião desapareceu de vez após o assassinato de John Lennon, dez anos mais tarde.

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Ainda assim, antes da morte do membro, o Fab Four também não considerava voltar. E há um motivo, revelado por Macca em recente conversa com o radialista Zane Lowe para a Apple Music

Segundo o músico, todos sentiam que já haviam fechado o capítulo envolvendo a banda. Cada um seguiu com outros projetos e, especialmente em relação a Lennon, existia a ideia de que ele não tinha qualquer interesse em recomeçar com o Fab Four. 

Conforme transcrição do site Far Out Magazine, McCartney explicou:

“Acho que sabíamos que tínhamos concluído aquele ciclo e todos dizíamos: ‘fechamos o círculo, foi ótimo’. John estava vivendo a vida dele com Yoko Ono. Você não poderia dizer: ‘você se importaria de voltar para fazermos mais um pouco de Beatles?’. Eu não teria feito esse pedido a ele. Eu via o que ele estava fazendo, era uma vida diferente. E eu também estava vivendo outra vida, com Linda [esposa de Paul e parceira no Wings], sabe?”

Continuar sem Lennon também não fazia sentido para os artistas. Em entrevista de 2021 ao jornalista Howard Stern, Macca justificou:

“É como uma família. Quando famílias se separam, tem a ver com a emoção, a dor emocional, sabe? […]. Passamos por muita coisa e acho que estávamos fartos de tudo aquilo.”

Decisão sobre o fim dos Beatles

Ao Sunday Times em 2020, conforme compartilhado pelo Whiplash, Paul classificou como improvável que os Beatles retomassem as atividades na década de 1970. Isso porque, quando acabaram, tomaram uma decisão definitiva:

“Quando os Beatles acabaram, decidimos que não iríamos voltar. Então, ‘desligamos’ os Beatles. Quando se fala de algo que completou seu ciclo, é muito satisfatório. Não vamos estragar isso fazendo algo que não seja tão bom. Foi uma decisão consciente deixar tudo aquilo para trás, então, não acredito que teríamos voltado. Porém, quem sabe? Poderíamos ter voltado. Certamente recuperei minha amizade com John, o que foi uma grande bênção para mim.”

Paul McCartney e “The Boys of Dungeon Lane”

Na última sexta-feira (29), Paul McCartney lançou o seu novo álbum, o primeiro em seis anos. Chamado “The Boys of Dungeon Lane”, o disco é co-produzido por Andrew Watt, que trabalhou com Post Malone, Ozzy Osbourne, Iggy Pop, Elton John e Rolling Stones.

O título é inspirado em uma estrada em Liverpool, onde Paul costumava observar pássaros na infância. A nostalgia dá o tom do trabalho, como fica evidente no primeiro single disponibilizado, “Days We Left Behind”.

Um comunicado destaca:

“Este é o álbum mais introspectivo de Paul McCartney até o momento, levando o ouvinte de volta ao início de tudo. Nessas novas e extraordinárias canções, Paul escreve com rara franqueza sobre sua infância na Liverpool do pós-guerra, a resiliência de seus pais e as primeiras aventuras compartilhadas com George Harrison e John Lennon, muito antes de o mundo sequer ter ouvido falar da Beatlemania. Assim como sua carreira, ‘The Boys of Dungeon Lane’ é musicalmente eclético e mostra Paul explorando uma variedade de instrumentos e estilos, exibindo sua ampla musicalidade. Há rock ao estilo Wings, harmonias ao estilo Beatles, grooves ao estilo McCartney, intimidade discreta, narrativas guiadas pela melodia, canções sobre personagens – o fio condutor sendo Paul.”

O sucessor de “McCartney III” (2020) levou alguns anos para ser feito, devido a outros compromissos do artista, incluindo turnês. A arte da capa é uma criação de Josh McCartney, filho de Mike “McGear” McCartney e sobrinho de Paul.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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