Entre os dias 25 de junho e 10 de julho, acontecerá no National Mall, em Washington, nos Estados Unidos, o festival Freedom 250. Apesar de descrito como “apartidário” e “responsável por promover celebrações pelo 250º aniversário do país”, o evento é endossado pelo presidente Donald Trump e apoiado por empresas ligadas ao político.
Sendo assim, vários dos artistas escalados resolveram deixar o lineup. The Commodores, Morris Day, Martina McBride e Young MC estão entre os desistentes. Mais recentemente, Bret Michaels também comunicou sua saída da programação.
Nas redes sociais, o vocalista do Poison explicou a decisão. Segundo o cantor, quando recebeu o convite para tocar, o evento foi apresentado como uma homenagem a veteranos, militares, socorristas, professores e profissionais de diferentes áreas dos Estados Unidos, e não como uma iniciativa de cunho político (via Blabbermouth):
“Quando essa oportunidade foi apresentada originalmente à minha equipe, ela foi descrita como uma celebração do nosso país por meio da música e uma chance de homenagear nossos veteranos, militares, socorristas, professores e trabalhadores dedicados de todas as áreas da sociedade. Como filho de um veterano e vindo de uma família que serviu ao país com orgulho, isso sempre foi algo que tive a honra de apoiar. Como muitos de vocês sabem, passei minha carreira inteira unindo as pessoas por meio da música, da positividade e das boas vibrações. Meus shows nunca foram sobre política. Eles servem para oferecer às pessoas um espaço onde possam se reunir, se divertir e esquecer os problemas da vida por algumas horas.”
Ao saber do caráter real do festival, o artista ficou receoso quanto à segurança de todos os envolvidos. Em suas palavras:
“Infelizmente, aquilo que nos foi apresentado como uma celebração do nosso país se transformou em algo muito mais divisivo do que aquilo do qual concordei em participar. Também surgiram preocupações relacionadas à segurança dos meus fãs, da minha banda, da equipe, da minha família e de mim mesmo, incluindo ameaças que são completamente infundadas e imperdoáveis. Por causa disso, tomei a difícil decisão de me retirar dessa apresentação.”
Destacando que o fato “não tem nada a ver com política”, Bret concluiu:
“Isso não tem a ver com política. Tem a ver com permanecer fiel àquilo em que sempre acreditei. Todos têm direito às próprias opiniões. Essa é uma das liberdades pelas quais nossos veteranos lutaram e algo que sempre respeitei. Mas, como pai, amigo e companheiro de banda, preciso levar ameaças e preocupações com segurança a sério […]. Continuarei apoiando com orgulho nossos veteranos, militares da ativa, professores, socorristas e as organizações que trabalham em benefício deles, como sempre fiz. Também quero que meus incríveis fãs em Washington, D.C., saibam que amo todos vocês e pretendo voltar para me apresentar na capital do nosso país em circunstâncias nas quais o foco possa permanecer onde deve estar: na música e nos fãs.”
Rikki Rockett defende Bret Michaels
Diante da repercussão, Rikki Rockett, baterista do Poison, defendeu o colega. O músico destacou que, apesar de discordar em muitos aspectos do vocalista, acredita que ele foi corajoso e fez o que “considerou certo para a situação”:
“Eu apoio a decisão de Bret de se retirar do evento Freedom 250. O que eu não apoio são todos os comentários maldosos sobre o talento de Bret que passaram a fazer parte da discussão. Embora Bret e eu discordemos em muitos aspectos, respeitamos as capacidades artísticas e as conquistas um do outro, tanto como integrantes da banda quanto individualmente. Bret está fazendo o que considera certo para esta situação por vários motivos, e nenhum deles faz dele um covarde.”
No momento, apenas Vanilla Ice, Milli Vanilli e Flo Rida permanecem confirmados no Freedom 250. Por meio da rede social Truth, Trump emitiu um pronunciamento a respeito dos cancelamentos e revelou que, agora, é o headliner do evento:
“Entendo que alguns artistas estão ficando nervosos e inseguros em relação às suas apresentações. Por isso, estou pensando em trazer a atração número um de qualquer lugar do mundo, o homem que atrai públicos muito maiores do que Elvis em seu auge (e faz isso sem sequer usar uma guitarra), o homem que ama nosso país mais do que qualquer outra pessoa e que alguns dizem ser o maior presidente da história, Donald Trump, para substituir esses artistas de terceira categoria altamente remunerados e fazer um grande discurso, mobilizando o país para seguir em frente, como tenho feito desde que me tornei presidente.”
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