Em agosto de 2020, “In The Air Tonight”, clássico de Phil Collins, voltou às paradas. À época, os irmãos gêmeos Tim e Fred Williams, então com 21 anos de idade, publicaram um vídeo reagindo à faixa, que viralizou e provocou um novo pico de interesse pela canção. Hoje, o registro dos youtubers acumula 10 milhões de visualizações.
Diante da repercussão, o fato chegou até mesmo no músico, que comentou o tema em rara e recente entrevista à BBC Breakfast. Para o vocalista e baterista do Genesis, afastado dos holofotes desde 2022, é “incrível” que os jovens estejam descobrindo suas canções.
Reconhecendo a singularidade do hit e mencionando a sua relevância, o músico explicou conforme transcrição da Consequence:
“Fico lisonjeado por as pessoas ainda estarem descobrindo a música. É incrível perceber que ela ainda continua relevante. O som de ‘In the Air Tonight’ foi recriado em vários discos e muitas vezes ao longo dos anos, mas, quando você o ouve pela primeira vez da forma como foi concebido, existe algo de especial nele.”
Como destacado pela Rolling Stone, nomes contemporâneos, incluindo Adele, Lorde e Pharrell Williams, citam Collins como influência. Quando perguntado a respeito pela revista em 2016, o artista refletiu:
“Eles não têm o preconceito com o qual todos nós crescemos. Quando as pessoas param de pensar em você, você pode ser redescoberto.”
O hit “In the Air Tonight”
“In the Air Tonight” é uma das músicas mais famosas da carreira solo de Phil Collins. A faixa abre seu primeiro álbum solo, “Face Value” (1981), e tem como principal destaque a famosa virada de bateria, que introduz um ritmo dançante à canção, até então, mais atmosférica e experimental.
A virada surge apenas por volta dos 3min40s, rompendo abruptamente o clima contido da faixa. Embora soe como se tivesse sido meticulosamente planejada, Collins afirma que a passagem simplesmente aconteceu em uma tomada específica — e foi essa versão que acabou entrando no disco.
Em uma música lenta, um ataque de bateria tão agressivo era algo incomum — e esse efeito foi potencializado pelo uso do gated reverb, técnica descoberta pelo engenheiro de som Hugh Padgham durante as sessões de “Intruder”, de Peter Gabriel, em 1979. Trata-se de um reverb fechado, que mescla o reverb com noise gate, que corta o sinal em sua ponta.
Ao Music Radar, Padgham elaborou sobre a origem da técnica. Confirmou, ainda, que o nascimento orgânico da virada.
“Quando você comprime o som de uma bateria em uma sala de gravação ao vivo como aquela, ele simplesmente soa muito maior e faz com que a sala também soe maior. Portanto, quando você passa de algo que soa grande para o ‘nada’, você tem essa sensação de contraste enorme. Essa é a essência do porquê esse som era tão interessante, porque ele vai do tudo ao nada em milissegundos. Um dia, enquanto Phil tocava bateria, liguei o microfone para falar com ele e ouvir o que ele estava dizendo enquanto ainda tocava. Saiu um som inacreditável. Todo mundo falou: ‘meu Deus, isso soa incrível’.”
A reação de Tim e Fred Williams – que nasceram quase duas décadas após o lançamento da música –, é divertida pela espontaneidade com a qual eles recebem as batidas da música. Fred chega a declarar “you killed it, Phil!” (“você detonou, Phil!”).
Assista abaixo em inglês:
Phil Collins atualmente
Há anos, Phil Collins convive com dificuldades de locomoção. Após sofrer uma lesão em 2007, o músico de 75 anos perdeu a sensibilidade nos dedos e em um dos pés, além de apresentar complicações no joelho, o que tornou necessário o uso de bengalas e muletas para andar.
Atualmente, a saúde frágil do cantor, que está aposentado dos palcos desde 2022, também envolve outras questões. O próprio abordou o tema durante entrevista à BBC (via Variety).
Inicialmente, o artista revelou que seus rins ficaram comprometidos em decorrência do abuso de álcool no passado. Diante das consequências, decidiu abandonar a bebida e hoje está sóbrio há dois anos, como explicou:
“Eu provavelmente vinha bebendo demais e, com isso, meus rins acabaram ficando comprometidos. Eu gostava de voltar de uma turnê, de sair da estrada e pensar: ‘certo, agora vou fazer todas as coisas que eu não podia fazer’. Eu parava de beber às seis da tarde. Não era daqueles caras que viravam a noite bebendo. Eu bebia durante o dia, mas acho que exagerei. Nunca fiquei bêbado, embora tenha caído algumas vezes. Mas isso acabou me cobrando um preço e eu passei meses no hospital.”
Collins também tem diabetes tipo 2, caracterizada por valores elevados de glicose no sangue. Ainda em janeiro de 2017, o cantor mencionou o diagnóstico durante entrevista ao jornal The Standard e contou que teve “um abscesso no pé que infeccionou” por causa da doença.
Por fim, o artista enfrentou recentemente um quadro de covid-19, contraída enquanto estava hospitalizado. Ele concluiu:
“Tive problemas no joelho e passei por tudo o que podia dar errado comigo. Peguei covid no hospital, meus rins começaram a falhar, sabe… tudo o que podia começar a dar errado pareceu acontecer ao mesmo tempo. Passei por cinco cirurgias no joelho até agora. Tenho um joelho que funciona, então consigo andar, ainda que com ajuda de muletas ou algo do tipo.”
Sabe-se que Collins ficou em observação no hospital em julho do ano passado. À época, representantes do músico desmentiram os boatos de que a internação envolvia cuidados paliativos e confirmaram que era por causa do joelho.
“Testify”, o último álbum de inéditas lançado pelo cantor, saiu em 2002. Ele até disponibilizou outro disco, “Going Back”, em 2010, porém apenas composto por releituras. Também à BBC, o artista revelou que quer voltar ao estúdio e iniciar um novo trabalho:
“Estou constantemente dizendo a mim mesmo: ‘preciso voltar para o meu estúdio em casa’. Tenho muitas ideias de letras que anoto, além de coisas pela metade e algumas já finalizadas. Então existe material no qual posso mergulhar para começar a trabalhar.”
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