Além do Yes, 5 clássicos do rock com participação de Rick Wakeman

Lista que evidencia talento do tecladista fora de suas bandas inclui discos de David Bowie, Elton John, Lou Reed, Black Sabbath e Cat Stevens

Músico influente que ajudou a trazer os teclados para o centro das atenções no rock, Rick Wakeman nasceu Richard Christopher Wakeman em 18 de maio de 1949, em Londres, Inglaterra.

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Rebento de uma família musical — seu pai era pianista profissional —, Wakeman começou a ter aulas de piano aos 4 anos de idade. Ao se formar no ensino médio, frequentou o Royal College of Music, e começou a receber convites para frilas em estúdios de gravação. A certa altura, abandonou os estudos em prol de construir seu nome na indústria fonográfica.

Durante o final dos anos 1960 e início dos anos 1970 — antes e enquanto era membro do Yes —, Wakeman ofereceu sua expertise em teclados para muitos pesos-pesados, incluindo David Bowie, Yusuf / Cat Stevens e até mesmo o Black Sabbath.

Foto: Lucas Bolzan @olucasbolzan

A lista a seguir explora alguns álbuns fora das bandas do tecladista nos quais ele deixou sua marca e hoje são considerados clássicos do rock. Confira.

5 clássicos do rock com participação de Rick Wakeman

A bordo da nave de David Bowie

Tudo começou em uma tarde de 1969, quando Rick Wakeman, então com 20 anos, recebeu um telefonema de Tony Visconti. O produtor estava em Londres trabalhando com David Bowie no álbum “Space Oddity” e precisava de ajuda com um Mellotron na faixa-título.

Prontamente, o tecladista partiu de Reading até a capital, aproximadamente 1h30 de distância de carro, disposto a ajudar. Em apenas 25 minutos após sua chegada, a tarefa estava cumprida.

Em entrevista à Planet Rock (via Louder) em 2017, Wakeman revelou que essa ajuda rendeu convites diretos de Bowie:

“David disse: ‘Tony me disse que você toca piano bem pra caramba. Gostaria de gravar algumas outras músicas comigo?’ Eu disse que lógico, adoraria. Gravamos [o lado B de ‘Space Oddity’] ‘Wild Eyed Boy from Freecloud’ e ‘Memory of a Free Festival’ algumas semanas depois, entre outras coisas.”

Lançado em 4 de novembro de 1969, “Space Oddity” foi um grande sucesso, e Bowie chamou Rick Wakeman novamente, querendo que ele tocasse em algumas de suas novas músicas. À Classic Rock, em 2021, o tecladista disse:

“Lembro de estar sentado numa sala, enquanto David tocava num violão 12 cordas surrado as músicas que acabaram no [álbum] ‘Hunky Dory’. Eu nunca tinha ouvido tantos hits em potencial como naquele dia.”

Muito antes de “Hunky Dory” — disco que contém “Changes” e “Life on Mars?”, entre outros clássicos — chegar às lojas em 17 de dezembro de 1971, Bowie procurou Wakeman mais uma vez. Agora, ele queria convidá-lo para se juntar a uma nova banda que estava montando com o guitarrista Mick Ronson, The Spiders from Mars.

No mesmo dia, o tecladista foi oficialmente convidado para entrar para o Yes. Ele compara: “Foi como me perguntarem se eu preferia jogar no Manchester United ou no Chelsea. Escolhi o Yes, porque dentro dos Spiders, David sempre seria o líder”.

Em seu livro de memórias “Grumpy Old Rock Star” (Preface Publishing, 2009), recorda:

“David era um amigo querido e me disse: ‘Se você quer avançar, tem que fazer o que seu coração musical quer que você faça, caso contrário, tudo o que você está fazendo é o que as pessoas gostariam de fazer. Mas elas não terão sua imaginação. Apenas siga em frente.’”

Anos depois, Bowie reforçou a Wakeman que ele tomou a decisão certa. “Ele foi o artista mais influente com quem já trabalhei”, definiu o tecladista ao San Diego Union-Tribune em 2022.

Com Elton John, mas livre de chiliques

Os destinos de Rick Wakeman e Elton John se entrelaçaram pela primeira vez em 3 de março de 1971, quando John fez um concerto no Royal Festival Hall, em Londres, e Wakeman estava na banda de apoio tocando órgão Hammond. “Ele era um pianista incrível, mas nunca gostou de tocar órgão”, comenta Rick em resgate feito pelo site Far Out Magazine.

A aversão de John pelo órgão depôs a favor de Wakeman, já que os dois se encontrariam novamente durante as gravações de “Madman Across the Water”, quarto álbum de Elton, mais tarde naquele ano. Segundo Wakeman, por incrível que pareça, foram sessões tranquilas.

“É surpreendente o fato de Elton não ter dado chilique uma vez sequer durante a gravação de ‘Madman Across the Water’ (…) Ele tem um pavio bem curto nesse aspecto, e provavelmente eu também tenho. Porque quando você está tentando alcançar algo musicalmente e alguém não faz a sua parte, pode realmente atrapalhar as coisas.”

Rick Wakeman tocou órgão Hammond em duas músicas: “Razor Face” e “Rotten Peaches” — esta última definida por Elton como “um apelo ao todo-poderoso de um escravo ou prisioneiro fugido”.

Lançado em outubro de 1971, “Madman Across the Water” é considerado o divisor de águas na carreira de Elton John. O álbum entrou no top 10 na Europa e na América, dando pontapé inicial no período durante o qual o artista lançou seus trabalhos mais festejados e se tornou um dos performers de rock solo mais famosos e bem pagos do mundo.

Wakeman nunca mais participou de outro trabalho de John, mas afirma: “Eu realmente tenho o maior respeito por tudo o que ele fez na carreira”.

No escurinho com Lou Reed

Após o fim do Velvet Underground em 1970, o cofundador, vocalista, guitarrista e compositor Lou Reed ficou à deriva por um ano, chegando até mesmo a trabalhar na firma de contabilidade do pai, antes de assinar contrato com a RCA no final de 1971 como artista solo.

Ele então se mudou para a Grã-Bretanha para trabalhar em seu disco de estreia homônimo, lançado em 1972, com a ajuda do escritor nova-iorquino Richard Robinson e uma penca de músicos de estúdio locais, incluindo Rick Wakeman e seu futuro colega de Yes, o guitarrista Steve Howe. A banda de apoio contava ainda com o multi-instrumentista Caleb Quaye (Elton John, Hall & Oates) e o percussionista Clem Cattini, que Jimmy Page considerou para o Led Zeppelin antes de se decidir por John Bonham.

Wakeman lembra da sessão com Reed nos Morgan Studios, em Londres, onde as luzes foram apagadas para que ninguém pudesse ver. “Aquilo foi interessante!”, comentou ao site Stuff. Em resgate do site Far Out Magazine, ele deu mais detalhes sobre a experiência:

“O estúdio ficava e a sala de controle ficavam no andar de cima. Todos que estavam participando [das sessões] esperavam sua vez no bar; o que não era difícil para mim na época (…) Parecia uma sala de espera de médico. Lá pelas tantas, alguém veio e me chamou: ‘Rick, Lou está pronto para você agora.’ Então eu subi, e o estúdio estava completamente escuro, exceto por uma lâmpada sobre o piano. Coloquei os fones, e ouvi a voz de Lou no meu ouvido: ‘Vou te mostrar as músicas e quero que você toque piano bem rápido por cima delas. Só certifique-se de tocar o mais rápido que puder.’ Toquei por cima de alguns trechos de músicas, então ele disse: ‘Foi ótimo. Obrigado.’ Levantei, as luzes se acenderam, ele veio, me agradeceu, e eu saí porta fora. Foi incrivelmente bizarro.”

Em 1976, quando perguntado o que achava do álbum em retrospecto, Reed declarou: “Tem algumas das melhores músicas que já escrevi, mas a produção é terrível”.

Provavelmente em razão disso, “Lou Reed”, de maio de 1972, palidece em comparação com seu sucessor, “Transformer”, lançado em novembro, que recebeu grande publicidade, gerou o hit “Walk on the Wild Side” e vendeu tão bem que rendeu ao artista, outrora muito controverso para consumo em massa, acusações de ter abraçado o rock mainstream.

O milagre da uma da manhã com o Black Sabbath

Mais uma vez, o palco é o Morgan Studios. Mas desta vez, tudo foi totalmente acidental. Na mesma semana em que o Yes estava gravando “Tales from Topographic Oceans” em uma sala, o Black Sabbath estava trabalhando em “Sabbath Bloody Sabbath” na outra.

“Foi fantástico”, diz o baixista do Sabbath, Geezer Butler, ao biógrafo Martin Popoff.

“Estávamos tentando fazer uma parte de teclado já há um tempo. Todos nós estávamos tentando tocá-la; Tony [Iommi, guitarrista] estava tentando tocá-la, e simplesmente não encaixava. Estávamos no bar do Morgan Studios quando Rick Wakeman chegou (…) Então o chamamos, pedimos algumas dicas, e ele perguntou: ‘Certo, o que exatamente vocês têm em mente?’ E ele entrou no estúdio e saiu tocando. ‘Algo assim?’. E nós dissemos: ‘Sim! É exatamente isso!’ Então o pedimos para tocar no disco.”

Leia também:  Tony Iommi revela trabalhar em álbum solo e compartilha primeiros detalhes

Rick Wakeman, por sua vez, observa que só tocou mini-Moog em duas faixas. Ele completa: “‘Sabbra Cadabra’ foi uma delas. Toquei o mini-Moog nessa numa sessão de madrugada”. Segundo Iommi, a remuneração do tecladista foi em cerveja.

Embora diga que tocou em duas faixas, oficialmente, Wakeman é creditado apenas em “Sabbra Cadabra”, com Iommi e o vocalista Ozzy Osbourne sendo creditados pelos teclados em “Killing Yourself to Live” e Butler e Osbourne em “Who Are You”.

Nos anos 1990, Wakeman tocaria em “Ozzmosis”, sétimo álbum solo de Ozzy. E em 2004, seu filho Adam se tornaria tecladista em tempo integral do Black Sabbath.

Yusuf / Cat Stevens deve, não nega, paga quando puder

Sem saber que era impossível superar “Tea for the Tillerman” (1970) em números, Yusuf /Cat Stevens foi lá e fez do sucessor “Teaser and the Firecat”, lançado em outubro de 1971, um fenômeno ainda maior em vendas: alcançou o top 3 tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos e passou quinze semanas no topo das paradas australianas, tornando-se o álbum mais vendido do país em 1972.

Parte desse êxito se deve ao terceiro e último single extraído do álbum, “Morning Has Broken”. Originalmente um hino tradicional Gaélico de Natal, foi escrito pela autora de estórias infantis inglesa Eleanor Farjeon em 1931 e adaptado por Rick Wakeman, que recebeu carta branca de Stevens para fazê-lo como bem entendesse.

O único problema é que Wakeman nunca foi pago pelo serviço — motivo pelo qual recusou-se a participar do programa de TV “Top of the Pops” com Stevens quando a canção voou alto nas paradas em 1972.

Em 2000, quando Stevens retomou sua carreira musical após duas décadas dedicadas a atividades beneficentes e educacionais relacionadas ao Islamismo ao qual se converteu em 1978, a dívida veio à tona em uma matéria na revista Mojo. Embora Wakeman tenha dito ao cantor para esquecer o assunto, ele insistiu em pagar e pediu a seu contador para calcular uma compensação. Foi revelado que o cachê original era de 10 libras — uma fortuna para a época.

Além do piano em “Morning Has Broken”, Wakeman toca órgão Hammond na faixa “If I Laugh”.

Catálogo de Rick Wakeman como convidado

  • Junior’s Eyes – Battersea Power Station (1969)
  • Paper Bubble – Scenery (1969)
  • David Bowie – Space Oddity (1969, faixas “Space Oddity”, “Wild Eyed Boy from Freecloud”)
  • Heatwave – faixa “Rastus Ravel (Is a Mean Old Man)” (1970)
  • Magna Carta – Seasons (1970)
  • Magna Carta – Songs from Wasties Orchard (1971, faixa “Time for the Leaving”)
  • Colin Scot – Colin Scot (1971)
  • John Schroeder – Dylan Vibrations (1971)
  • David Bowie – Hunky Dory (1971)
  • Elton John – Madman Across the Water (1971)
  • John Williams and Stanley Myers & Orchestra – Changes (1971)
  • Ralph McTell – You Well-Meaning Brought Me Here (1971)
  • John Kongos – Kongos (1971)
  • Cat Stevens – Teaser and the Firecat (1971, faixas “Morning Has Broken” e “If I Laugh”)
  • T. Rex – Electric Warrior (1971, faixa “Bang a Gong (Get It On)”)
  • Lou Reed – Lou Reed (1972)
  • Phillip Goodhand-Tait – Songfall (1972)
  • Harvey Andrews – Writer of Songs (1972)
  • Dave Cousins – Two Weeks Last Summer (1972)
  • Joël Daydé – White Soul (1972)
  • Lou Reed – Lou Reed (1972)
  • David Bowie – The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972, faixa “It Ain’t Easy”)
  • Al Stewart – Orange (1972)
  • Hudson Ford – Nickelodeon (1973)
  • Black Sabbath – Sabbath Bloody Sabbath (1973, faixa “Sabbra Cadabra”)
  • Al Stewart – Past, Present and Future (1974)
  • Dana Gillespie – Weren’t Born a Man (1974)
  • The Strawbs – Nomadness (1975)
  • Vivian Stanshall – Teddy Boys Don’t Knit (1981, faixa “Smoke Signals at Night”)
  • Kenny Lynch – Half the Day’s Gone and We Haven’t Earned a Penny (1983, faixas “They Don’t Know You” e “B. A. Woman”)
  • David Bowie – Absolute Beginners (1986)
  • Denny Laine – Wings on My Feet (1987)
  • Aleksander Mežek – Podarjeno Srcu (1989)
  • Simon Cummings – faixa “Everybody’s Got a Crisis in Their Life” (1990)
  • Ozzy Osbourne – Ozzmosis (1995, faixas “Perry Mason” e “I Just Want You”)
  • Clive Nolan & Oliver Wakeman – Jabberwocky (1999)
  • Gordon Giltrap – Music for the Small Screen (2000)
  • Dr. Feelgood – Chess Masters (2000)
  • Compilação Wonderous: A Tribute to Yes (2001)
  • Compilação Slade Remade (2001)
  • The Bollenberg Experience – If Only Stones Could Speak (2002)
  • Damian Wilson & Band – Live in Rehearsal (2002)
  • Ric Sanders Group – In Lincoln Cathedral (2002)
  • Compilação Return to the Dark Side of the Moon (A Tribute to Pink Floyd) (2005)
  • Cousins and Conrad – High Seas (2005, faixa “Deep in the Darkest Night”)
  • Elkie Brooks – Pearls (2006)
  • Elkie Brooks – Live With Friends (2006)
  • Gordon Giltrap – Gordon Giltrap and Friends at the Symphony Hall Birmingham (2006)
  • Mario Fasciano – Porta San Gennaro Napoli (2007)
  • Various Artists – The Ultimate Tribute to Led Zeppelin (2008)
  • Mitch Benn – Sing Like an Angel (2008)
  • Compilação The Music of Pink Floyd (2009)
  • Compilação Who Are You: An All Star Tribute to The Who (2012)
  • The Fusion Syndicate – The Fusion Syndicate (2012)
  • Etta James – Live at Montreux 1993 (2012)
  • Compilação The Prog Collective (2012, faixa “Check Point Karma”)
  • Compilação Songs of the Century: An All-Star Tribute to Supertramp (2012, faixa “Crime of the Century”)
  • Nektar – A Spoonful of Time (2012)
  • Compilação Fly Like an Eagle an All-Star Tribute to Steve Miller Band (2013)
  • The Prog Collective – Epilogue (2013)
  • Sarastro Blake – New Progmantics (2013)
  • Days Between Stations – In Extremis (2013)
  • Ayreon – The Theory of Everything (2013)
  • Compilação Light My Fire: A Classic Rock Salute to The Doors (2014)
  • Various Artists – Celebrating Jon Lord: The Rock Legend (2014)
  • Deep Purple and Friends With the Orion Orchestra – Celebrating Jon Lord (2014)
  • The Strawbs – Prognostic (2014)
  • Nik Turner – Space Fusion Odyssey (2015)
  • Tucker Zimmerman – Ten Songs (2015)
  • Billy Sherwood – Citizen (2015, faixa “The Great Depression”)
  • Jerry Goodman – Violin Fantasy (2016)
  • Graham Bonnet – Back Row in the Stalls (2016)
  • Compilação Pink Floyd’s Wish You Were Here Symphonic (2016)
  • Leon Alvarado – The Future Left Behind (2016, faixa “Launch Overture”)
  • Michael Ball & Alfie Boe with The Rays of Sunshine Children’s Choir & Friends – faixa “Bring Me Sunshine”
  • Derek Smalls – Smalls Change (Meditations Upon Ageing) (2018)
  • William Shatner – Shatner Claus: The Christmas Album (2018)
  • Rodney Matthews and Jeff Scheetz with Oliver Wakeman – Trinity (2019)
  • Kilty Town – Kilty Town (2019)
  • Wally – Martyrs and Cowboys (2019)
  • Hawkestrel – SpaceXmas (2020)
  • Jools Holland – Pianola, Piano & Friends (2021)
  • Compilação A Tribute to Pink Floyd – Still Wish You Were Here (2021, faixa “Welcome to the Machine”)

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Marcelo Vieira
Marcelo Vieirahttp://www.marcelovieiramusic.com.br
Marcelo Vieira é jornalista graduado pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA), com especialização em Produção Editorial pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Há mais de dez anos atua no mercado editorial como editor de livros e tradutor freelancer. Escreve sobre música desde 2006, com passagens por veículos como Collector's Room, Metal Na Lata e Rock Brigade Magazine, para os quais realizou entrevistas com artistas nacionais e internacionais, cobriu shows e festivais, e resenhou centenas de álbuns, tanto clássicos como lançamentos, do rock e do metal.

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