Durante a “Use Your Illusion Tour”, o Guns N’ Roses atravessou um período turbulento. Ao longo da série de shows, realizada entre 1991 e 1993, as relações pessoais ficaram extremamente desgastadas, sobretudo entre Slash e Axl Rose.
O próprio guitarrista abordou o assunto em detalhes na autobiografia lançada em 2007. Segundo o músico, além do distanciamento crescente entre os dois, os conflitos se tornavam cada vez mais frequentes.
Em um dos trechos, o integrante descreveu a situação com o vocalista da seguinte forma:
“[Eu e Axl] não nos falamos ao longo de alguns dias, durante os quais a banda fez seus ensaios. Esse é um exemplo da tensão exata, de como estar no Guns N’ Roses na época se tornara o mesmo que viver andando por um campo minado. O clima era pesado. Eu apenas tentava fazer a minha parte a cada dia sem criar problemas Considerando-se tudo, eu estava bastante preocupado, porque a verdade é que sou mais sensível do que pareço.”
Diante de tal cenário, estava cada vez mais difícil para o guitarrista permanecer no grupo. Contudo, um curioso conselho dado por Keith Richards o motivou a continuar no GN’R por mais tempo.
À revista Mojo em 2004, Slash relembrou que jantava com o guitarrista dos Rolling Stones à época, quando, naturalmente, desabafou sobre os problemas vividos com Axl. Conforme o site MusicRadar, o instrumentista contou na ocasião:
“Os Rolling Stones estavam gravando o álbum ‘Voodoo Lounge’ na casa do [produtor] Don Was. Ronnie Wood, Keith Richards, suas esposas, eu e minha esposa na época fomos a um restaurante muito famoso de Beverly Hills, onde todas as estrelas de cinema gostavam de aparecer. Eu estava sentado no bar com Keith e, curiosamente, estávamos falando sobre drogas. Ele me perguntou o que eu estava fazendo com o Guns N’ Roses, e eu contei sobre a situação com Axl Rose.”
Richards, então, opinou que, mesmo nos momentos difíceis, você não deve abandonar o barco. Foi o suficiente para que Slash resolvesse “aguentar o tranco”:
“E Keith disse: ‘nunca abandone a banda’. Pensei muito sobre o que ele disse. Uma das coisas que mais amo no Keith Richards é que ele permanece firme — aconteça o que acontecer, ele continua lá. É um herói para mim porque é uma das poucas pessoas completamente inflexíveis quando se trata daquilo que faz, então eu o admiro. Então, quando ele me disse aquilo, eu pensei: ‘é isso, p*rr@’. Aquilo me deu a clareza necessária para voltar ao ensaio no dia seguinte com uma atitude renovada. Isso me manteve na banda pelo maior tempo humanamente possível, até finalmente chegar a um ponto em que não havia mais para onde aquilo ir.”
Em seu livro, o guitarrista contou a mesma história e ainda trouxe uma reflexão a respeito: quando você segue em uma banda apesar das turbulências, seus companheiros de grupo passam a enxergá-lo sob outra ótica:
“Entendi o que ele quis dizer. Se você nunca sai, não importa o que digam, estava lá. Se é sempre aquele que aparece nos ensaios e fica até o fim, mesmo quando os tempos são difíceis e nem todos se entendem, tudo que seus companheiros de banda não poderão acusá-lo é de ter abandonado o barco. É verdade. Se você aparece cedo para ensaiar ou gravar e fica até o final, é aquele com quem ninguém pode se meter. Um exemplo perfeito é a grande canção dos Rolling Stones, ‘Happy’, de seu álbum ‘Exile on Main St’. Segundo a lenda, enquanto Keith aguardava que o restante da banda chegasse, compôs a música inteira sozinho. Quando os demais apareceram, mostrou a eles como quem dissesse: ‘por que demoraram tanto?’. Eu decididamente queria ser esse cara capaz de superar todos os obstáculos e produzir música. Quando está sempre lá, você é aquele que dá as cartas.”
Saída do Guns N’ Roses
De qualquer forma, a realidade virou insustentável para Slash em 1996, ano em que resolveu deixar o Guns N’ Roses, retornando somente em 2016. Também na mesma publicação, o músico listou como motivos os atrasos nos shows, os cancelamentos sem razões pertinentes e a tentativa de controle por parte de Axl:
“Quando me perguntam por que saí do Guns N’ Roses, ocorrem-me três motivos: primeiro, o fato de que durante aquela turnê quase nunca subíamos ao palco no horário; segundo, o cancelamento do shows sem razão alguma; e terceiro, o infame contrato concedendo a Axl o nome da banda caso rompêssemos. Aquele contrato foi um verdadeiro tapa na cara […]. Todas essas condições apontavam para uma situação em que a banda e tudo o que a cercava estavam dispostos de modo a ficar sob o controle de Axl. A começar pela questão do nome e passando para o fato de que ele queria cada músico sob um contrato que pudesse ser encerrado por mau comportamento […]. Aquela situação toda do contrato era a antítese do Guns N’ Roses, a meu ver. Tudo girou tanto em torno de Axl desejar o controle que o restante de nós se sentiu sufocado.”
Sobre Slash
Nascido em 23 de julho de 1965, na Inglaterra, Slash é notório por seu trabalho com o Guns N’ Roses, famosa banda de hard rock. Ele fez parte do grupo entre 1985 e 1996, retornando a partir de 2016.
Além do Guns, o guitarrista trabalhou em uma série de outros projetos. Entre 1994 e 2002, ele teve a banda Slash’s Snakepit. Em seguida, montou o Velvet Revolver, com dois ex-colegas de Guns – o baixista Duff McKagan e o baterista Matt Sorum – além do vocalista Scott Weiland (Stone Temple Pilots) e do guitarrista Dave Kushner.
Quando o Velvet Revolver acabou, em 2008, começou a apostar em uma carreira solo propriamente dita. Primeiro, lançou um álbum chamado “Slash” (2010), repleto de convidados, como Iggy Pop e Ozzy Osbourne. Depois, montou a banda de apoio Slash, Myles Kennedy and the Conspirators, com a qual também lançou uma série de discos – o mais recente, “4”, em 2022.
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