Celebrando os 50 anos de trajetória, o Iron Maiden ganhou um documentário oficial. Batizado de “Iron Maiden: Burning Ambition”, o filme chegou aos cinemas de todo mundo no dia 7 de maio e, conforme sinopse, “acompanha a ascensão da banda desde pequenas apresentações nos pubs do leste de Londres aos grandes shows nos maiores estádios do mundo”.
Dennis Stratton, guitarrista da Donzela de Ferro entre 1979 e 1980, teve a oportunidade de assistir à produção duas vezes. E, por mais que tenha gostado do resultado final, o músico teceu críticas a certas escolhas mostradas no longa-metragem.
Conversando com o canal Paulieflix, o artista opinou que um dos principais erros do roteiro envolve a maneira como o vocalista Blaze Bayley é retratado. Ao seu ver, o documentário atribui a entrada do cantor em 1994 como a responsável pelo declínio da banda e pelas apresentações em locais menores, em vez de destacar os “álbuns realmente bons” dos quais participou.
Conforme transcrição do Blabbermouth, o ex-membro explicou:
“Quando você assiste pela primeira vez, é muita coisa para absorver. Mas como tive o prazer de ver duas vezes, consegui perceber mais coisas […]. Assistindo ao filme, fiquei com muita pena do Blaze, porque, da forma como a história foi narrada, parecia que, no momento em que ele entrou na banda, tudo começou a desandar. Soou como se o Blaze estivesse sendo culpado pelo declínio da banda, quando não foi nada disso. O Blaze fez álbuns realmente bons, é preciso tirar o chapéu para o Blaze por assumir o lugar do Bruce [Dickinson] e tentar continuar de onde o Bruce parou [….]. Ficou parecendo que no instante em que o Bruce voltou, a banda ficou gigantesca de novo. Não encaixou de um jeito muito amigável, se é que você me entende.”
Dennis também acredita que o documentário poderia ter explorado mais os anos iniciais do Maiden. Ressaltando que é um “filme para os fãs”, o guitarrista acrescentou:
“É um filme para os fãs. Tenho orgulho do que fiz nos primeiros anos do Maiden, e também do que levei para a banda e do trabalho naquelas músicas iniciais […]. Acho que os primeiros álbuns ficaram muito bons. Como eu disse, o filme é fantástico para os fãs, mas, para mim, é apenas um pouco triste que eles tenham passado tão rapidamente pelos primeiros dias.”
Avaliação
Em crítica para a Rolling Stone Brasil, o jornalista Igor Miranda destacou que, de fato, o período inicial vivido pelo Maiden na década de 1970 recebe apenas uma menção breve, sem um aprofundamento maior de contexto. Diz trecho do texto:
“‘Iron Maiden: Burning Ambition’ não é indicado para conhecer mais ou se aprofundar na carreira do grupo. Apesar de uma breve menção ao contexto da década de 1970, a história praticamente começa em 1980, meia década após a fundação, embora seja o ano do lançamento do primeiro álbum. Ao longo de seus 107 minutos de duração, não há qualquer história sobre a criação de músicas ou discos […]. O básico foi contemplado. Nada muito além. Talvez seja pouco para o público brasileiro, tão obcecado por Iron Maiden, mas é o suficiente para dar orgulho a uma base de fãs que ficará feliz, simplesmente, por ter sua banda predileta ocupando uma sala de cinema convencional.”
Opinião de Steve Harris
Conversando com Igor Miranda para a Rolling Stone Brasil, o guitarrista Adrian Smith revelou recentemente que foi a Universal Pictures quem sugeriu que a Donzela de Ferro fizesse o documentário. Pouco depois, Steve Harris trouxe mais esclarecimentos a respeito do assunto.
Segundo o baixista, o estúdio assumiu o controle de toda a produção, o que parece não ter ficado muito claro. Ao programa Trunk Nation With Eddie Trunk, conforme transcrição do Blabbermouth, o músico explicou:
“O documentário é sobre nós, mas não foi feito por nós. Vieram até nós com uma ideia que queriam desenvolver e ela mudou um pouco em relação ao conceito original. Inicialmente, seria mais focado nos fãs, e ainda é, até certo ponto. Quiseram usar nossa arte e tudo mais, e acaba parecendo que é um documentário nosso. Mas não é. Acho que eles realmente deveriam ter deixado claro que é um documentário sobre o Iron Maiden, não do Iron Maiden, porque não somos nós. Não tivemos o controle que normalmente teríamos se estivéssemos fazendo isso por conta própria.”
No fim das contas, o Maiden colaborou com todo o projeto. Ainda assim, Harris admite que, se o documentário estivesse nas mãos da própria banda, o resultado teria seguido um caminho diferente:
“Colaboramos com o projeto, demos entrevistas e tudo mais, fizemos o que eles queriam que fizéssemos. Mas se fosse feito por nós, acho que teria sido feito de uma maneira um pouco diferente e não vou dizer mais nada. Ainda assim, acho que o resultado final é… bem, não vou dizer mais nada, acho que as pessoas deveriam simplesmente assistir e tirar suas próprias conclusões.”
Sobre “Iron Maiden: Burning Ambition”
Criado em parceria com o Universal Pictures Content Group, o documentário é descrito como “uma jornada emocionante pelos 50 anos de história do Iron Maiden contada da perspectiva da banda e de alguns de seus seguidores mais devotados”. Além de superfãs de longa data, nomes como Javier Bardem, Lars Ulrich (Metallica), Tom Morello (Rage Against the Machine), Gene Simmons (Kiss), Scott Ian (Anthrax) e Chuck D (Public Enemy) concederam depoimentos.
A obra também apresentará entrevistas exclusivas com membros essenciais da banda, incluindo a entrevista final com o vocalista dos dois primeiros álbuns, Paul Di’Anno, que faleceu em 2024.
Malcolm Venville ficou responsável pela direção, enquanto que Dominic Freeman assinou a produção. A banda destaca:
“Apresentando raras filmagens de arquivo, incluindo animação espetacular do nosso mascote icônico, Eddie, o filme explora como o Iron Maiden ajudou a moldar um movimento cultural, desafiando visões convencionais do rock e do impacto mais amplo do heavy metal na sociedade e na cultura.”
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