Quando o Seven Hours After Violet, ou S.H.A.V., estreou no Brasil como única atração gringa no palco menor do Knotfest 2024, por onde, aliás, só passaram artistas nacionais (estranho, não?), ninguém pareceu entender a razão. O set foi curto, com apenas oito músicas, e a abertura para o Babymetal no dia seguinte na Audio teve uma a mais, além de algumas trocas. Tudo fez sentido com a descoberta de terem sido estas a terceira e da quarta apresentações da carreira do grupo.
Se os dados encontrados no site Setlist.fm estiverem completos e corretos, o retorno a São Paulo e ao Brasil ocorrido no último sábado (16), ao abrir para o Korn no Allianz Parque, se deu no 44º show. Neste miolo, tocaram em grandes festivais no verão de 2025, tais como: Rockville, em Datyona Beach (Estados Unidos); os simultâneos Rock Im Park, em Nuremberg, e Rock Am Ring, em Nürburg (Alemanha); Download, em Leicestershire (Inglaterra); Hellfest, em Clisson (França); Graspop Metal Meeting, em Dessel (Bélgica); e Resurrection Fest, em Viveiro (Espanha) – para citarmos somente os mais famosos.
De concreto, a rodagem trouxe nítida segurança em termos de postura de palco e entrosamento a: Taylor Barber, vocalista também à frente do Left to Suffer; Michael “Morgoth Beatz” Montoya, guitarrista do Winds of Plague; o também guitarrista Alejandro “Scarypoolparty” Aranda, também responsável pelos vocais não rasgados; o baterista Josh Johnson, outro do Winds of Plague; e o baixista do System of a Down, Shavo Odadjian — embora este não precise de experiência para se sentir à vontade ao vivo.
O que não mudou muito foi o repertório. Nem teria bem como, pois só há um álbum, homônimo e de 2024, lançado. Na prática, executaram-no quase na íntegra, preterindo somente “Cry….” (tocada por aqui antes) e “Feel” (esta segue sem ser incluída no Brasil). De diferente, “Glink”, deixada de lado em outubro 2024, foi a oitava do repertório e imediatamente antes da inédita “Graves”, por sinal tocada duas vezes para a gravação de um videoclipe.
Os traços de melodia armênia tão marcantes no System of a Down seguem presentes em “Float”, no refrão de “Alive” e no final de “Abandon”, a primeira do set. Sua sucessora, a cadenciada e bela “Radiance”, vale sua audição, sobretudo pela linha de baixo usada para começá-la e terminá-la.
A sonoridade do quinteto pode parecer um tanto estranha em seu primeiro contato, mas a percepção muda conforme se habitua. Ainda assim, falta algo que fisgue de vez ouvintes e platéia. Compreende-se ser uma banda iniciante — e seu álbum de estreia ter sido composto quando sequer havia integrantes devidamente estabelecidos —, portanto, o material futuro pode trazer evolução..
Há algumas variações e nem todas canções primam pela tranquilidade; casos de “Go!” e o metalcore cigano da citada “Graves” com bumbos duplos alucinantes e vocais rasgados à la Suicide Silence. São verdadeiros petardos indo em direção totalmente oposta a “Gloom”, com instrumental que poderia ter sido escrito pelo Paradise Lost tamanho seu peso e lentidão iniciais.
Quanto à comunicação, exceto entre “Paradise” e “Glink” emendadas, Taylor se dirigiu ao público em todos os intervalos ao longo de 38 minutos. Mostrou-se carismático — mesmo a seu modo um tanto bruto —, nem que fosse para simplesmente agradecer e declarar seu amor a São Paulo, como a cidade que mais ama no mundo todo. Ele, que já caprichara ao pisar no palco com um “Boa noite! Tudo bem, São Paulo?” em português, ainda faria uma participação especial em “Holy Roller”, penúltima do set do Spiritbox, grupo de abertura seguinte.
Shavo também deu o ar da graça em nosso idioma entre “Radiance” e “Alive”, com um sucinto “Vocês são foda!”, que resumiu bem como ele se sente por aqui. Grato pela energia da galera para a filmagem do clipe, ele fez, antes de “Sunrise”, uma sutil menção ao espetáculo proporcionado pelos fãs nos três shows de sua banda principal pela cidade há um ano: “Obrigado, motherf*ckers! Isso foi a coisa mais legal que vi desde o ano passado. Vocês são os melhores!”.
Em entrevista concedida ao colega Igor Miranda para a Rolling Stone Brasil, o baixista sinalizou que o próximo lançamento do conjunto será um EP e cinco músicas já estariam prontas. Como passo adiante, seria interessante se houvesse maior variação dentro do próprio material, incluindo o que já lançaram. Ainda assim, angariaram boas reações durante a performance de sábado (16). Pode ser o suficiente para o momento.
Repertório — Seven Hours After Violet:
- Abandon
- Radiance
- Alive
- Go!
- Float
- Gloom
- Paradise
- Glink
- Graves
- Graves [sim, repetida!]
- Sunrise
Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | Bluesky | Twitter | TikTok | Facebook | YouTube | Threads.
