Desde dezembro de 2021, o King Crimson não realiza apresentações ao vivo. Líder do grupo, o guitarrista Robert Fripp chegou a confirmar à Rolling Stone no ano seguinte que não havia “mais nenhum plano para a banda” e que uma turnê só aconteceria se fosse para “evitar a Terceira Guerra Mundial”.
Recentemente, o músico voltou a mencionar o assunto e mais uma vez desconsiderou a possibilidade de volta. À revista Uncut, o artista de 80 anos atribuiu a decisão ao nível de performance que precisaria entregar no palco e à defasagem ocorrida por causa da pandemia.
Conforme publicado pela Ultimate Classic Rock, Fripp explicou:
“Quando toco no padrão que estabeleci para mim mesmo — o que, em termos de King Crimson, significa tocar músicas como ‘Fracture’, ‘Larks’ Tongues In Aspic, Part Four’ e ‘Frame by Frame’, algo equivalente a semicolcheias entre 156 e 158 batidas por minuto — estamos falando de guitarra em nível olímpico, puramente do ponto de vista físico. A dificuldade é que, após tirar um ano de pausa por causa da covid, é muito difícil recuperar isso. Há um certo tipo de execução que agora, preciso aceitar, representa um desafio enorme. Hoje, não sinto que seja necessário para mim me apresentar em público.”
Até mesmo um novo disco não está mais entre os planos. Ao longo de 2025, o vocalista Jakko Jakszyk mencionou que a banda trabalhava “aos poucos” num novo álbum, mas acabou rebatido pelo empresário David Singleton, que descreveu como “precoce” a afirmação de que havia um material em desenvolvimento.
De acordo com Fripp, havia, de fato, a ideia de talvez disponibilizar um disco ao vivo. Os três bateristas Pat Mastelotto, Gavin Harrison e Jeremy Stacey chegaram a entrar em estúdio para retocar as performances gravadas pelo grupo, porém, o processo não seguiu adiante:
“Os bateristas acharam que, embora tivéssemos gravado todos os shows para arquivo, o som ficaria muito melhor se as partes deles fossem registradas separadamente. Então os bateristas regravaram suas partes, e a sugestão era que nós também [regravássemos] as nossas, para que ficasse muito próximo da performance ao vivo em termos de espírito, mas com um som muito, muito mais preciso. Cabia a Jakko [Jakszyk] levar isso adiante, mas acho que ele acabou envolvido em outros projetos, e isso nunca chegou até mim. Então o momento passou e, com ele, um novo álbum do King Crimson.”
Atualmente, Fripp e a esposa Toyah Willcox comandam a série de vídeos Sunday Lunch — iniciativa na qual, desde o início da pandemia, realizam covers de diversos gêneros musicais de maneira bem-humorada. No ano passado, o músico chegou a parar as atividades após ter sofrido um ataque cardíaco e passado por duas cirurgias de emergência, mas retomou a produção.
O novo material do King Crimson
Conversando com a Goldmine Magazine em julho do ano passado, Jakko Jakszyk havia revelado que o King Crimson trabalhava em um novo álbum — o primeiro em mais de duas décadas. De acordo com o artista, não há previsão de lançamento, já que o grupo está gravando “aos poucos”, nem ao menos um formato definido. Ele afirmou:
“Estamos trabalhando em um álbum de estúdio do King Crimson. Quando vai ser lançado, em que formato ou como, não sei dizer porque foge do meu controle. Mas sim, estamos fazendo o disco aos poucos. Alguns meses atrás, a nossa equipe de gestão perguntou [se podíamos fazer um novo disco]. Então, sim, estamos gravando com a intenção de que saia em algum formato, em algum momento. Mas quem sabe quando?”
Em outubro de 2024, o artista já havia contado em entrevista ao site The Strange Brew que vinha gravando material – o que incluía canções apenas apresentadas ao vivo desde a reformulação do grupo em 2013
“Estamos gravando versões de estúdio de todo o material novo do Crimson. Isso significa que vai haver um novo álbum do King Crimson? Quem sabe? Essas faixas podem ser lançadas aos poucos, podem sair como um álbum ou talvez nem sejam lançadas. Isso não depende de mim, mas pelo menos as gravamos. Algumas delas nós tocamos ao vivo. São três ou quatro faixas que eu compus com o Robert, além de algumas faixas instrumentais compostas por ele. Quem sabe?”
O cantor não citou quais faixas devem ganhar versões de estúdio. Todavia, canções como “Devil Dogs of Tessellation Row” e “Suitable Grounds for the Blues” permanecem apenas com lives divulgadas.
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