Apesar da popularidade do grunge na década de 1990, o Megadeth lançou dois dos discos mais vendidos de sua carreira em meio ao período: “Countdown to Extinction” (1992) e “Youthanasia” (1994). Para promover o primeiro álbum mencionado, a banda chegou a até mesmo excursionar em 1993 com um nome então iniciante do estilo: Stone Temple Pilots.
Segundo o ex-baixista David Ellefson, tudo começou quando ele e os colegas receberam uma cópia do disco “Core” (1992) para avaliarem. Como não queriam uma banda necessariamente ligada ao metal para abrir a turnê, decidiram convidá-los, como explicado ao livro “The World’s State of The Art Speed Metal Band: The Megadeth Story 1983-2002″ (via RockInTheHead):
“Lembro que estávamos em turnê e recebemos uma cópia do primeiro disco do Stone Temple Pilots para avaliar a possibilidade de eles serem uma das bandas de abertura da nossa turnê. Eu me lembro de estar no ônibus da turnê, ouvindo o CD e realmente impressionado com o som deles. Era uma sonoridade única, diferente e muito orgânica. Meio que um rock n’ roll despretensioso e furtivo. Para mim, era uma espécie de mistura de Guns N’ Roses com Alice in Chains. Mesmo assim, parecia algo muito diferente, e gostávamos de chamar bandas para abrir nossos shows que não fossem apenas um pacote de grupos de heavy metal.”
O problema é que o público do Megadeth não aceitou a atração de abertura muito bem. À Guitar World em 2017, o guitarrista Dean DeLeo relembrou que o Stone Temple Pilots precisava lidar todas as noites com a indiferença e raiva da plateia:
“O Megadeth nos chamou para sair em turnê com eles e vou te dizer: o sr. Mustaine foi muito, muito gentil conosco, cara. Muito apoiador. Ninguém sabia quem éramos. Éramos apenas a banda de abertura. Entrávamos no palco de uma arena que não estava cheia. E então tentávamos fazer o nosso som enquanto vários moleques espinhentos com camisetas do Iron Maiden ficavam mostrando o dedo do meio a noite inteira. Eles só queriam ver o Megadeth.”
Chegou ao ponto de Dave Mustaine defender os colegas em pleno palco. Conforme relatado, o vocalista e guitarrista do Megadeth chamava a atenção dos próprios fãs devido ao comportamento:
“Dave Mustaine às vezes aparecia, pegava o microfone e dizia: ‘escutem aqui, seus desgraçados, fui eu quem escolheu pessoalmente esta banda para estar aqui, prestem atenção nessa p*rr@’. Pensávamos: ‘p*t@ m*rd@’. Mustaine foi incrível conosco.”
Dave Mustaine admira Stone Temple Pilots
À Loudwire em 2015, Mustaine mencionou a admiração pelo Stone Temple Pilots. Ainda, destacou uma conversa que teve com o saudoso vocalista Scott Weiland, que morreu em 2015 após um ataque cardíaco causado por uma combinação fatal de cocaína, ecstasy e álcool:
“Quanto mais eu ouvia ‘Core’, mais passei a respeitar os vocais do Scott Weiland, e também achava o jeito de Robert DeLeo tocar realmente ótimo. No fim da turnê, eu disse: ‘Olha, Scott, vocês vão ficar enormes, vão ter dinheiro, drogas, mulheres e tudo isso estará por toda parte. Se for fazer alguma coisa, fique longe da heroína’. Talvez eu devesse ter dito: ‘Use o máximo que puder’, porque ele fez exatamente o contrário.”
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