Em outubro do ano passado, o Rush anunciou que voltaria aos palcos com a turnê “Fifty Something”, iniciada no último domingo (7), em Los Angeles, nos Estados Unidos. Durante um evento privado realizado à época em Cleveland, Ohio, nos Estados Unidos, Geddy Lee afirmou que a decisão de retomar as atividades havia sido “difícil” devido à morte do baterista Neil Peart em 2020 e “relativamente recente”.
Agora, o vocalista, baixista e tecladista revelou em detalhes quando o retorno realmente tomou forma. O assunto surgiu durante entrevista à edição de julho de 2026 da revista Guitar World.
Basicamente, os dois músicos remanescentes, que não tocavam com o nome do grupo desde 2015, consideraram a hipótese em setembro de 2022, com a participação no tributo para Taylor Hawkins, saudoso baterista do Foo Fighters. Porém, o guitarrista Alex Lifeson enfrentava problemas digestivos que dificultavam a ideia.
Então, por volta de 2024, a possibilidade ficou mais concreta quando os artistas voltaram a tocar juntos ocasionalmente “por diversão”. Conforme transcrição do site IgorMiranda.com.br, Lee explicou que tudo começou quando convidou o antigo companheiro para jams caseiras:
“Eu diria que [tudo começou] no fim de 2024. Eu tinha acabado de concluir meu terceiro livro e estava sentado olhando para todos os meus baixos me sentindo muito, muito culpado. Então comecei a recuperar a forma dos meus dedos e eles estavam realmente enferrujados. Passei a tocar todos os dias. Numa noite, estava jantando com o Al e comentei: ‘Estou recuperando a forma dos meus dedos e também andei compondo algumas letras e coisas do tipo. Talvez a gente devesse tocar junto’.”
Naturalmente, os momentos passaram a envolver canções do Rush. Ali, ficou claro o que aconteceria, nas palavras de Lee:
“Nós sempre nos encontrávamos a cada duas semanas para jantar, tomar alguma coisa ou algo assim. Aí o Al veio aqui em casa e nós simplesmente começamos a tocar e nos divertir, como sempre fazemos depois de tomar café demais [risos]. Acho que o Al sugeriu: ‘vamos tocar uma música do Rush por diversão e ver se conseguimos lembrar dela sem estudar antes’. Claro que só conseguimos lembrar de algumas partes. E foi mais ou menos assim que tudo começou.”
Executar as músicas do Rush novamente “afastou toda a tristeza” dos integrantes. No mesmo evento mencionado anteriormente, o cantor descreveu a situação da seguinte maneira:
“Às vezes brincávamos sobre voltar, Al estava envolvido com outras coisas, eu estava escrevendo livros, e nos últimos dois anos voltamos a ensaiar no estúdio. A gente ensaiava e dava risada. E então, um dia — não sei por que — começamos a tocar algumas músicas do Rush só por diversão. E Deus, estávamos rindo tanto e aproveitando tanto. E foi quase como se tocar essas músicas afastasse toda a tristeza.”
A entrada de Anika Nilles
Após conhecer Anika Nilles pelo trabalho com Jeff Beck em 2022 por meio de um roadie em comum, Geddy Lee pensou que trazê-la para a formação “seria um caminho interessante para seguir”. Não houve uma audição propriamente dita com a baterista, que foi “secretamente para o Canadá” para o que os integrantes chamaram de “um experimento”.
Durante entrevista ao jornal The Guardian (via Ultimate Guitar), o vocalista relembrou que, quando começaram a tocar juntos, “algo parecia errado”. Em sua opinião, a baterista, por ter uma base diferente, não parecia compreender a forma como Neil lidava com o próprio kit:
“Para ser sincero, quando ela chegou, acho que nem sabíamos quais eram exatamente as nossas expectativas. Quando começamos a tocar com ela, algo parecia errado. E eu pensei, claro: ‘isso não vai funcionar.’ Aquelas viradas aparentemente impossíveis não eram problema nenhum para ela. O difícil era entender a relação entre a caixa, o bumbo e o chimbal, que é diferente do tipo de formação que ela teve.”
Sendo assim, os primeiros dias de trabalho geraram muita insegurança em ambos os lados. Contudo, diante das qualidades da baterista, os artistas resolveram dar uma chance, como relatado pelo cantor:
“Os primeiros quatro dias foram de altos e baixos. Ela estava nervosa, lidando com o fuso horário, e nós estávamos inseguros. Tivemos uma conversa antes do último dia e eu disse: ‘não sei, Al, será que isso vai dar certo?’. Falamos sobre tudo o que gostávamos nela: a ética de trabalho, o fato de ser uma pessoa agradável, o conhecimento profundo e a grande habilidade técnica. Havia muitos pontos positivos. Então decidimos não agir por impulso. Entramos naquele último dia e ela simplesmente arrebentou.”
Foi aí que as peças começaram a se encaixar. Nas palavras de Lifeson, aos poucos, Anika entendeu os diferenciais de seu antecessor:
“De repente, ela entendeu o que estávamos tentando dizer durante toda aquela semana. Não era sobre o aspecto técnico, mas sobre as sutilezas, aquilo em que Neil era tão incrível, e aquelas dinâmicas internas que só outro baterista consegue entender. E aí a ficha caiu para ela.”
Rush e “Fifty Something Tour”
O Rush excursionará pela América do Norte ao longo de 2026. No ano seguinte, levará a “Fifty Something Tour” para outros continentes. O Brasil recebe o trio em entre 22 de janeiro e 4 de fevereiro para seis shows:
- 22 de janeiro de 2027 – Curitiba – Arena da Baixada
- 24 e 26 de janeiro de 2027 – São Paulo – Allianz Parque
- 30 de janeiro de 2027 – Rio de Janeiro – Estádio Nilton Santos (Engenhão)
- 1 de fevereiro de 2027 – Belo Horizonte – Estádio Mineirão
- 4 de fevereiro de 2027 – Brasília – Arena BRB Mané Garrincha
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