Justiça rejeita pedido de Marilyn Manson para arquivar processo de crime sexual

Ashley Walters, ex-assistente do cantor, moveu uma ação inicial contra o artista em 2021, que passou por sucessivas reviravoltas judiciais

Nos últimos anos, diversas mulheres acusam Marilyn Manson de abuso sexual e violência doméstica. Especificamente o processo movido pela ex-assistente pessoal do cantor, Ashley Walters, tem sido marcado por sucessivas reviravoltas judiciais.

Iniciada em 2021, a ação acabou arquivada no ano seguinte. À época, o juiz determinou que a suposta vítima apresentou poucos fatos e entrou com a queixa tarde demais, visto que os episódios teriam ocorrido entre 2010 e 2011. Ainda assim, ela conseguiu reverter a decisão.

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Então, em dezembro do ano passado, as autoridades novamente arquivaram o caso sob a justificativa de que não era possível aplicar à situação a regra da descoberta tardia — que permite a abertura de um processo mesmo após o prazo legal, quando o dano ou a gravidade do ocorrido só são percebidos muito tempo depois. Só que, mais uma vez, Walters teve a causa reaberta.

No início de 2026, a ex-assistente pessoal do artista mudou o cenário argumentando que a lei californiana AB 250, em vigor desde 1º de janeiro, permite que vítimas de agressão sexual processem seus agressores mesmo após o prazo legal que antes impedia essas ações. Por isso, os envolvidos voltaram à Justiça.

Segundo informações da revista Rolling Stone (via Loudwire), Manson tentou recentemente encerrar o processo mais uma vez. Contudo, o pedido foi rejeitado

Alexa Foley, advogada do artista, defendeu que as acusações não atendiam aos critérios estabelecidos pela nova legislação para a retomada do caso e que Walters não teria provas suficientes para sustentar as alegações de agressão. O juiz Steve Cochran, porém, entendeu que os relatos apresentados eram consistentes o bastante para que seguissem adiante.

De qualquer forma, o magistrado ressaltou que o cantor e sua equipe jurídica poderão voltar a contestar as acusações por meio da solicitação de um julgamento sumário, quando o juiz pode decidir um processo sem que ele chegue a julgamento perante um júri com base nas provas já reunidas. Ambas as partes deverão retornar ao tribunal em agosto. 

Diante da decisão, Bina Ahmad, advogada de Walters, declarou:

“Estamos obviamente satisfeitos. Tiramos inspiração para continuar lutando justamente da nossa cliente. A pessoa corajosa aqui é ela.”

O caso de Ashley Walters

Atenção: há relatos de crimes sexuais a seguir.

A ação inicial alegava agressão sexual, assédio sexual e inflição intencional de sofrimento emocional, entre outras reivindicações. Em seu processo, Ashley Walters afirmou que Manson se aproximou dela em março de 2010 para elogiar uma fotografia sua. Mais tarde, eles se encontraram quando o músico supostamente pediu que ela se despisse para fotos, eventualmente forçando a mão em sua roupa íntima, de acordo com o processo.

Ela declarou que em certo ponto, ele teria dito que “adorava quando as meninas pareciam ter acabado de ser estupradas”. O músico também é acusado de ter chicoteado e jogado Ashley contra a parede durante um ataque de raiva provocado pelo consumo de drogas.

Walters ainda alegou que Brian Warner agiu de forma ameaçadora para garantir o silêncio da ex-funcionária. Ele negou todas as acusações.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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