Como o Halestorm se afastou da religião após início como banda cristã

Lzzy Hale relembrou os primórdios do grupo, que chegou a se apresentar em eventos de igrejas, mas admite que hoje a religião é apenas uma lembrança

Quem teve contato com o Halestorm apenas depois de seu sucesso pode nem saber que eles começaram como uma banda cristã. O assunto surgiu em uma entrevista da frontwoman Lzzy Hale para o Heavy Stories (via Blabbermouth) e ela relembrou esse período sem nenhum tipo de vergonha ou arrependimento.

Lzzy contou sobre a criação religiosa que ela e o irmão, o baterista Arejay Hale, tiveram na infância. O contato com a comunidade cristã era grande durante os primórdios do grupo.

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“Desde que eu era pequena, nós íamos à igreja — nós íamos para a Igreja Presbiteriana. Nossos pais queriam que tivéssemos boa moral e tudo isso. E fizemos isso até logo depois de começar a banda. Meio que perdemos o gosto pela religião — mas não perdemos nossa fé em que há algo fora do nosso controle e o sentimento desse tipo de presença espiritual.”

A cantora e guitarrista revelou exatamente como a mudança começou. Apesar do teor religioso das letras, o Halestorm parecia não ser “cristão o suficiente”. Lzzy explicou:

“Eu ia para uma escola cristã na época, logo depois de começarmos a banda. E eu recebia tanto… eu era chamada na sala do diretor porque eu compartilhava nossas músicas e elas não diziam ‘Jesus’ o suficiente, esse tipo de coisa. E estávamos tão incomodados por — as crianças eram más o suficiente, mas os adultos estavam realmente nos atormentando com isso. E quando comecei a ver um pouco da hipocrisia que vem com a religião em contradição com querer seguir os 10 Mandamentos, algo no meu cérebro começou a clicar: há algo mais do que nós humanos acreditamos que é religião. E então nós meio que paramos de fazer isso.”

O rompimento do Halestorm com o cristianismo

Lzzy Hale afirma que mesmo após de o Halestorm ter se afastado da religião, a comunidade cristã se manteve próxima, ao menos por algum tempo, e por uma certa quantidade de pessoas. Em outras palavras, não foi uma mudança brusca. A artista lembra:

“Havia shows na igreja que fazíamos, que talvez não fossem necessariamente de nossa comunidade, mas tipo: ‘Ei, eles querem que vocês toquem essas três músicas. Vamos te dar almoço grátis e 50 pratas’, esse tipo de coisa… nós saímos dessa comunidade, mas ela meio que nos seguiu por um período.”

Mesmo sem ter sido brusca ou traumática, a separação entre banda e comunidade não foi fácil. No entanto, como esperado, não há arrependimentos — nem mesmo no campo de crenças pessoais de Hale:

“Eu acho que sabíamos que estávamos saindo de certos círculos e perdendo alguns amigos por causa disso. Mas por qualquer que seja a razão, a magia da música era tão importante para nós, era algo que provavelmente me trouxe para mais perto de um Deus do que quando eu estava na igreja. E então eu acho que foi uma daquelas coisas onde ‘eu tenho que passar por isso porque está me ajudando a aprender mais sobre mim mesma do que estudar a Bíblia faria’. E então, sim, eu quis seguir o buraco do coelho e ver onde dava.”

Apenas uma lembrança

Durante a entrevista, Lzzy foi lembrada de que, em alguns momentos, o Halestorm ainda é lembrado como uma banda cristã. A artista contou então uma história de uma amiga que não sabia do passado do grupo e revelou que ela própria se esquece disso:

“É tão engraçado você dizer isso, porque pela primeira vez em algum tempo eu fui lembrada disso. Minha amiga ligou. Ela disse: ‘Eu coloquei no Pandora [serviço de streaming] e estava com um monte de mães e os amigos da igreja. Então eu disse para a Siri tocar música cristã’. E ela falou que ‘Freak Like Me’ começou. E eu conheço essa amiga há anos. Ela disse: ‘vocês eram uma banda cristã?’. É engraçado como isso ainda me segue por aí.”

Não há problemas com o passado cristão do Halestorm e bons aprendizados vieram nos tempos de igreja. Para a artista, a interferência humana é o grande problema da religião:

“Não tenho vergonha disso, não estou negando isso. Eu acho que gosto muito de poder viver nos dois lados da moeda, tanto com uma criação cristã e uma criação espiritual, no mundo secular. E eu amo ter essas duas perspectivas porque eu acredito que muito das coisas que eu aprendi eram boas ideias. É quando a mão do homem entra em tudo isso e começa a distorcer em ganância e lucro em comparação com ‘hey, amar um ao outro é uma ideia muito boa’.”

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André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Interessado em música desde a infância, teve um blog sobre discos de hard rock/metal antes da graduação e é considerado o melhor baixista do prédio onde mora. Tem passagens por Ei Nerd e Estadão.

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