Bruce Dickinson: “vários cantores estão com a voz acabada e todos sabem”

Para o vocalista do Iron Maiden, quando os artistas "não conseguem mais cantar, deixam de ser lendas"

Apesar das várias décadas na estrada, Bruce Dickinson mantém um alcance vocal impressionante. Aos 67 anos, o vocalista do Iron Maiden se orgulha de afirmar que a banda continua executando todas as músicas em seus tons originais nos shows.

Porém, o cantor já deixou claro que, a partir do momento em que não conseguir mais dar conta, irá parar. É por isso que não entende porque outros artistas, mesmo com “a voz acabada”, seguem em cima do palco. 

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Durante entrevista à Kerrang!, o integrante da Donzela de Ferro revelou ter “discutido com um jornalista” sobre o assunto. Após o repórter afirmar que ele deveria continuar cantando independentemente das circunstâncias, Dickinson rebateu dizendo que o status de lenda não justifica uma permanência nos palcos a qualquer custo e que, quando um vocalista já não consegue cantar adequadamente, deixa de merecer esse reconhecimento:

“Eu disse: ‘olha, existem muitos cantores por aí que estão com a voz acabada e todo mundo sabe disso’. E ele respondeu: ‘sim, mas eles são lendas’. Eles não são a p*rr@ de lendas. São pessoas que não conseguem mais cantar. Quando estavam cantando, eram lendas. Quando não conseguem mais cantar, deixam de ser lendas.”

Para Dickinson, que já demonstrou admiração pela voz de nomes como Ian Gillan e Robert Plant, por mais que seja “brutal”, essa é a verdade. Ele concluiu:

“Essa é a verdade brutal, simples assim. Eu não conseguiria subir ao palco se não achasse que ainda sou capaz de fazer isso. Não sei como algumas pessoas conseguem se apresentar quando já não conseguem mais. Obviamente, é a vida delas, mas não é o meu jeito.”

Opinião de Bruce Dickinson

À coluna Daily Star’s Wired em 2022, o vocalista já havia mencionado o assunto. Ainda que não tenha entrado especificamente no campo da voz, citou como exemplo Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones (via Loudwire): 

“Se amanhã eu sentir que não sou mais capaz de cantar mais do que quatro músicas por noite, gostaria que os caras continuassem e que eu pudesse escolher meu substituto. Eu apareceria de vez em quando, e o outro cantor faria o restante. Quando você olha para Keith Richards, que sofre de artrite, ele não está no auge todas as noites, mas é apoiado por outros guitarristas. São os Rolling Stones. Não acho que isso incomode ninguém.”

Para Dickinson, é claro que a voz passa por alterações com o tempo. Mas, ao menos em seu caso, acredita que o timbre mudou para melhor, como relatou à Rock Antenne em 2023 (via Blabbermouth):

“A voz muda com a idade, não há dúvida sobre isso. Mas tive sorte porque ainda consigo alcançar a maior parte das notas agudas. E fazemos todos os shows do Maiden nos tons originais, todas as músicas […]. O timbre da minha voz mudou um pouco e, de muitas maneiras, gosto mais dele agora do que quando tinha 23 anos. Aos 23, minha voz era brilhante e um pouco estridente. Com o tempo, ela ganha vivência. Você consegue expressar mais emoção e carregar mais emoção […]. Quero ampliar o alcance emocional da minha voz ao mesmo tempo em que preservo sua extensão física.” 

Cuidados com a voz

Durante a passagem de sua turnê spoken-word pela Suécia no mesmo ano, o cantor também fez questão de explicar quais são os cuidados básicos que adota com a voz:

“A voz tende a cuidar de si mesma, desde que você não a maltrate. Então é ter bom senso: beber bastante água, não fumar um monte de cigarros…. E, de preferência, não ir a uma partida de futebol na noite anterior a um show para ficar gritando com os jogadores e com o árbitro, porque depois você ficará sem voz. É importante também fazer aquecimento vocal. Ah, e outra coisa: aprenda a cantar. Isso ajuda.”

Iron Maiden no Brasil

O Iron Maiden celebra seus 50 anos com a turnê “Run for Your Lives”, que teve início em 2025. Nela, o grupo só toca músicas do período entre o álbum homônimo de estreia, de 1980 e “Fear of the Dark” (1992) – com exceção do quase sempre ignorado “No Prayer for the Dying” (1990).

O show é marcado pelos telões de led que reproduzem animações em toda a extensão do palco, de acordo com a música, bem como pela estreia Simon Dawson (British Lion) na bateria, ocupando a vaga deixada por Nicko McBrain no final de 2024.

A turnê “Run for Your Lives” já tem passagem garantida pelo Brasil. Com Alter Bridge na abertura, a banda toca no Allianz Parque, em São Paulo, nos dias 25 e 27 de outubro, e na Arena da Baixada, em Curitiba, no dia 28 de outubro.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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