O pior álbum do Sepultura, segundo a revista Metal Hammer

Para revista britânica, uma das maiores do segmento, disco de 2009 não tem uma "identidade marcante" e peca pela "falta de profundidade emocional"

Ao longo dos mais de 40 anos de carreira, o Sepultura disponibilizou 15 álbuns de estúdio. Ao analisar a discografia da banda de origem brasileira, a revista britânica Metal Hammer, uma das mais relevantes do segmento, resolveu eleger o pior material do grupo.

Em artigo assinado por Joe Daly, o veículo classificou “A-Lex” (2009) como um trabalho inferior quando comparado aos outros. O material ficou marcado por ser o primeiro da banda com o baterista Jean Dolabella e por sua inspiração em “Laranja Mecânica”, clássico de Anthony Burgess que também ganhou uma adaptação cinematográfica dirigida por Stanley Kubrick.

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Para o jornalista, ao priorizarem o conceito, os músicos deixaram de lado a própria personalidade e o desenvolvimento das composições. Em suas palavras:

“‘A-Lex’ encontrou o Sepultura sem o baterista fundador Igor Cavalera e sob uma crescente pressão existencial. Inspirado no livro ‘Laranja Mecânica’, o álbum aposta ainda mais no conceito, em detrimento da personalidade e do desenvolvimento das músicas.”

Na opinião de Joe, as faixas até demonstram certa energia e incluem bons riffs e vocais. Contudo, a “falta de profundidade emocional” e de uma “identidade marcante” ficam explícitas:

As músicas têm impacto e energia, apoiando-se em uma sonoridade com influências do hardcore, embora nem sempre contenham o mesmo senso rítmico ou a carga cultural que antes definiam a banda. Os vocais de Derrick Green são intensos e cheios de entrega e os riffs de Andreas Kisser mantêm o nível do guitarrista, mas não é o suficiente para esconder a falta de profundidade emocional do disco. Sem o mesmo imediatismo ou uma identidade tão marcante quanto outros discos do grupo, ‘A-Lex’ acaba virando um monumento à ambição excessiva.”

Não é a primeira vez que a Metal Hammer crítica “A-Lex”. Quando publicou um editorial sobre o fim do Sepultura em 2023, Matt Mills escreveu:

“Na época do que hoje se tornou o canto do cisne do Sepultura, ‘Quadra’, os críticos que realmente ouviram afirmaram que eles haviam recapturado a excelência de suas obras-primas dos anos 90. Mesmo que o Sepultura não tivesse lançado nada além de porcaria pós-Max (e admito que há momentos indefensáveis, como o inconsistente ‘A-lex’), a banda sempre foi imperiosa ao vivo.”

Já em ranking do ano passado, o colaborador Adam Brennan manifestou a mesma posição e justificou (via Whiplash):

“O primeiro álbum sem o baterista original Igor Cavalera usou o controverso romance ‘Laranja Mecânica’ como ponto de partida. A única coisa digna de destaque em ‘A-Lex’ foi o quão monótono e sem rumo soava. Os pioneiros de outrora agora pareciam comuns.”

Ao Terra, à época de lançamento, Andreas Kisser revelou que a banda apoiou-se totalmente no livro “Laranja Mecânica” para dar vida ao projeto. Detalhando o processo de composição, o guitarrista disse a respeito:

“Você tem que ter algum conceito para escrever. Nada sai do nada […]. Eu acho que quando você delimita um tema acaba ficando mais criativo, faz as coisas acontecerem com menos elementos. Falar sobre uma obra assim te inspira das mais diversas formas, ainda mais sendo uma obra tão completa como essa. Ela trata de violência, relações familiares, juventude, igreja, polícia, hipocrisia, política […]. Eu já tinha escrito algumas coisas, mas o disco só apareceu mesmo nas jams que a gente fez. Nas primeiras semanas ficamos só tocando, depois paramos e começamos a organizar esse material […]. Se você escutar o disco do começo ao fim perceberá que ali tem uma história sendo contada.”

O show final do Sepultura

O Sepultura anunciou os detalhes de seu último show. A performance encerra a turnê de despedida “Celebrating Life Through Death”, iniciada em março de 2024 e com mais de 130 apresentações realizadas até o momento.

O evento derradeiro está marcado para o dia 7 de novembro, na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo. A produção é da Live Nation e os ingressos estão à venda no site da Ticketmaster Brasil.

As atrações de abertura incluem os brasileiros do Krisiun, os americanos do Sacred Reich e também o Metal Allegiance. O supergrupo é capitaneado pelo baixista Mark Menghi e traz em sua formação Mike Portnoy (bateria, Dream Theater), Phil Demmel (guitarra, ex-Machine Head), Troy Sanders (baixo, Mastodon) e a dupla Chuck Billy e Alex Skolnick, vocalista e guitarrista do Testament, respectivamente.

Entre os ex-integrantes confirmados estão o baterista Jean Dolabella, que esteve no Sepultura entre 2006 e 2011, e o guitarrista Jairo Guedz, guitarrista original, que fez parte do grupo entre 1985 e 1987. Mais atrações e convidados podem ser anunciados até a data do show.

Sabe-se que os membros fundadores Max (voz e guitarra) e Iggor Cavalera (bateria) não devem participar. Em declaração à Rolling Stone Brasil, Andreas Kisser declarou:

“Liguei para o Iggor alguns meses atrás. Tivemos uma conversa sensacional e muito cordial. Falamos de outros assuntos: família, futebol… foi muito legal. Então, fiz o convite. Ele disse: ‘cara, a gente não sente parte disso, a gente não se sente confortável’. Deu os motivos dele para não querer fazer parte disso. Ok. Por meio dos empresários, também enviamos oficialmente um contato lá [para Max] e também recebemos a negativa. Não sei se foi diretamente da Gloria [esposa e empresária de Max] ou do advogado, mas fomos pelos dois caminhos: um caminho direto, onde falaram ‘não’, e outro mais burocrático, onde também foi falado ‘não’. Se chegou na Gloria ou não, isso não tenho como dizer. Só posso te dizer o que tivemos de retorno. E está de boa. Acho que tínhamos que fazer o convite. Seria muito legal a participação deles.”

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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