Ritchie Blackmore é conhecido por sua personalidade difícil. Ao longo dos anos, inúmeros relatos apontaram seu temperamento complicado. Tanto é que o músico já teceu críticas a nomes consagrados como Jimi Hendrix e Eric Clapton e, recentemente, voltou a chamar atenção ao opinar que guitarristas, de modo geral, não são exatamente boas pessoas.
Porém, o pensamento não vale para Jimmy Page. Durante uma transmissão no Instagram, o instrumentista desfilou elogios para o guitarrista do Led Zeppelin, como transcrito pela Guitar.
Na ocasião, Blackmore relembrou sua impressão ao ver o colega de profissão pela primeira vez. À época, afirmou ter percebido que Page, então integrante do Neil Christian and The Crusaders, era uma “estrela em ascensão”:
“Não acreditem no que dizem por aí. Li outro dia que eu o odiava! Não acredito que disseram isso! A primeira vez que o conheci foi em 1962 ou 1963. Eu sabia que ele iria longe… não só porque tinha estilo, mas também habilidade para tocar. E ele simplesmente tinha presença com a guitarra nas mãos. Era uma estrela em ascensão.”
Nos anos 1960, os dois moravam próximos um do outro em Heston, Middlesex, na Inglaterra, e tinham, de certa forma, uma vida semelhante. Blackmore finalizou:
“Eu nem sabia que ele morava na mesma região. Nós dois tínhamos 15 ou 16 anos na época… Ele é um cara especial. Um grande cara. E sempre será!”
De fato, Blackmore já exaltou o membro do Zeppelin em outros momentos. No documentário “The Ritchie Blackmore Story” (via Rock and Roll Garage), lançado em 2015, o guitarrista mostrou a mesma opinião:
“Eu já sabia que Jimmy seria alguém. Ele não era só um bom guitarrista: ele parecia uma estrela. Tinha alguma coisa nele, ele era muito equilibrado e confiante, mas não arrogante. Pensei: ‘ele vai chegar em algum lugar, esse cara sabe o que está fazendo’. Ele estava muito à frente da maioria dos guitarristas.”
Ritchie Blackmore sobre o Led Zeppelin
Tempos depois, o trabalho do Led Zeppelin inspirou diretamente o Deep Purple em seu quarto álbum de estúdio, “Deep Purple In Rock” (1970), marcado por uma transição para o hard rock. Cansado das orquestras utilizadas por sua banda, Ritchie Blackmore ficou impressionado com a faixa “Whole Lotta Love”, lançada por Robert Plant e companhia em 1969. À revista Classic Rock, revelou como a vontade de “copiar” tal música mudou o rumo das coisas:
“Eu queria fazer esse tipo de música. Se não desse certo, iríamos tocar com orquestras pelo resto de nossas vidas. Então fizemos isso no ‘Deep Purple In Rock’, que, felizmente, deu certo. Nós fizemos isso propositalmente para que cada música fosse como uma martelada, sem calmaria.”
Ainda, para a revista Kerrang!, afirmou que o Led Zeppelin foi responsável por “sofisticar” o rock. Para exemplificar, citou a canção “Kashmir”, de 1975, presente no disco “Physical Graffiti”.
“Acho o Van Halen interessante. Eu particularmente não gosto deles como banda. Mas há muito movimento no material que produzem, é muito vivo. O Led Zeppelin também, eles provavelmente definiram o termo ‘rock sofisticado’. Considerando músicas como ‘Kashmir’, as escalas que eles atingiriam nela… isso foi incrível.”
Briga com John Bonham
Apesar de toda a inspiração citada, Ritchie Blackmore e o saudoso John Bonham, baterista do Led Zeppelin, já se desentenderam uma vez. Em certa ocasião, quando estavam bêbados no bar Rainbow Bar & Grill, em Los Angeles, os músicos fizeram brincadeiras provocativas sobre as canções um do outro que não acabaram tão bem, segundo Blackmore também à Classic Rock (via Rock and Roll Garage)
“Ele costumava me dizer: ‘Deve ser muito difícil ir lá e fazer o riff de guitarra de ‘Smoke on the Water’’. E eu respondi: ‘Sim, é quase tão difícil quanto fazer o riff de guitarra de ‘Whole Lotta Love’. Pelo menos não copiamos ninguém’. Ele disse: ‘Do que você está falando? Isso é mentira!’.”
Então, o ex-guitarrista do Deep Purple citou na discussão a semelhança de “Whole Lotta Love” com “Hey Joe”, popularizada por Jimi Hendrix, e de “Immigrant Song” com “Little Miss Lover”, também de Hendrix. A comparação deixou um clima estranho entre os dois, que logo voltaram para a costumeira relação amigável.
“Depois, subimos as escadas para o banheiro. Nós dois estávamos lá e ele disse: ‘Rich, você quis dizer tudo aquilo?’ e eu falei: ‘Não, na verdade não. Eu estava apenas revidando você’. Ele completou: ‘Ah, eu também não queria dizer aquilo. Há espaço no topo para todo mundo’. Então continuamos mijando, depois descemos as escadas e começamos a beber de novo. Mas ele adorou a discussão. Ele era o tipo de cara que gostava de um confronto e eu sempre proporcionava isso para ele.”
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