Por que David Gilmour sente inveja de Eric Clapton

Além de nutrir admiração pelo "Slowhand", guitarrista do Pink Floyd acredita que o colega de profissão está em uma posição privilegiada

David Gilmour nunca escondeu a admiração por colegas de profissão que ajudaram a moldar seu estilo, de Jimi Hendrix a Jeff Beck. Mas há um guitarrista em particular que vai além e desperta certa inveja no músico do Pink Floyd: Eric Clapton.

Durante entrevista concedida em 1995 e resgatada pela Guitar Player, Gilmour admitiu fascinar a liberdade artística do “Slowhand”. Para ele, o fato de Clapton contar com um vasto repertório, tanto de composições próprias quanto de músicas de outros autores, e poder renovar sua banda sempre que desejar o coloca em uma posição privilegiada.

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Em suas palavras:

“Tenho que confessar uma certa inveja da posição de Eric Clapton. Ele tem um vasto repertório próprio e é um músico de blues tão completo que também dispõe de uma enorme quantidade de material de outros artistas que pode tocar, inclusive músicas menos conhecidas. Ele pode montar uma banda nova a cada turnê. Seria uma situação muito boa para estar. Mas aí a realidade entra em cena. Eu não estou nessa posição.”

Conversando com a Relix em 2015, Gilmour destacou que “foi profundamente influenciado tanto pela abordagem mais inovadora do blues apresentada por Jimi Hendrix e Jeff Beck quanto pelo trabalho mais tradicional de Eric Clapton e Peter Green nos Bluesbreakers de John Mayall. A respeito da inspiração, ele explicou à época: 

“Todos aqueles caras eram incríveis. Passei muito tempo tentando aprender a tocar os licks deles de forma perfeita. Eu sugeriria a qualquer músico jovem que se sentasse e fizesse isso. Você acabará aprendendo a tocar muito bem o material deles. Mas, com o tempo, encontrará seu próprio estilo a partir dessa experiência.”

Sobre Eric Clapton

Em 30 de março de 1945 nasceu Eric Clapton, um dos maiores guitarristas de todos os tempos. Com uma carreira longa e variada, o músico fez história no meio do caminho entre o blues e o rock.

Sua primeira banda com alguma notoriedade foi o Yardbirds. Foi nessa época que ganhou o apelido “Slowhand”. O motivo? Sempre que arrebentava alguma corda da guitarra durante o show, ele parava para trocá-la, pacientemente, ainda no palco. A plateia aguardava batendo palmas lentamente, daí a origem do nome.

Clapton saiu dos Yardbirds em 1965 e teve sua vaga ocupada por Jeff Beck e depois por Jimmy Page. Ficou por pouco tempo com John Mayall & The Bluesbreakers enquanto trabalhava em alguns outros projetos. Em 1966, passou a integrar o Cream junto de Ginger Baker (bateria) e dividindo vocais com Jack Bruce (baixo). O trio, um dos primeiros supergrupos da história, fez com que Clapton ganhasse também o mercado americano.

O Cream durou pouco, encerrando as atividades em 1968. Clapton terminou a década migrando entre projetos como o Blind Faith e o Derek and the Dominos – com este último, lançou um de seus grandes sucessos, a música “Layla”. Nos anos 70, ele se dedicou à carreira solo e lidou com os vícios em drogas e álcool, o que perdurou até a década de 80.

No início dos anos 90, uma tragédia abalou a vida do guitarrista. Seu filho, Conor Clapton, de apenas 4 anos, caiu do 53º de um prédio em Nova York. O fato inspirou a música “Tears in Heaven”, presente no álbum “Unplugged”, gravado no quadro da MTV. Tanto o disco quanto a canção foram premiados no Grammy seguinte, além de baterem recordes de vendas.

Nos anos 2000, Clapton focou em colaborações com músicos como J.J. Cale, Billy Preston e muitos outros, além de uma breve reunião do Cream em 2005. Participou de shows especiais para caridade e dirigiu o concerto em homenagem a seu amigo, George Harrison, falecido em 2001. Criou ainda o Crossroads Guitar Festival em 1999, com várias edições ao longo das décadas seguintes.

Sobre David Gilmour

Nascido em Cambridge, Inglaterra, David Jon Gilmour se interessou por música desde a infância. Incentivado pelos pais, aprendeu a tocar guitarra com ajuda de um livro e seus discos.

Paralelamente aos primeiros passos com a banda Jokers Wild, realizou alguns trabalhos como modelo para se sustentar.

Em 1967 foi convidado a se juntar ao Pink Floyd, inicialmente ajudando a cobrir os lapsos de Syd Barrett ao vivo. Acabou substituindo o amigo de infância. A partir da metade dos anos 1980 se tornou o líder do grupo, posição sustentada até o final.

Lançou discos solo, além de participar de trabalhos com Paul McCartney, Kate Bush, The Who, B.B. King, Paul Rodgers e Elton John, entre vários outros.

Integrante do Labour Party, posicionou-se defensor da causa palestina e se declarou socialista em entrevista à Mojo Magazine no ano de 2008.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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