No último mês de março, a Fender conseguiu assegurar judicialmente os direitos autorais sobre o design da guitarra Stratocaster (“tipo S”). Desde então, a marca vem notificando uma série de empresas que comercializam instrumentos semelhantes, o que ganhou uma ampla repercussão.
Conforme divulgado anteriormente, a Fender entrou em contato com a empresa familiar LsL Instruments e com a PRS, referência na área e utilizada por músicos como Carlos Santana, John Mayer, Mark Tremonti e Myles Kennedy. De origem chinesa, a Yiwu Philharmonic Musical Instruments Co também ficou proibida de fabricar ou vender guitarras parecidas no continente europeu.
Diante da polêmica, a Fender emitiu um comunicado inicial para esclarecer a situação. Na nota, a empresa alegou que em nenhum momento ordenou que as outras fabricantes tomassem medidas drásticas além de “mudanças relativamente pequenas no design” para que não parecessem cópias.
Agora, Edward “Bud” Cole, CEO da companhia, realizou um novo pronunciamento a respeito. Desta vez, deixou claro que a marca não está processando ninguém.
Segundo o profissional, a empresa procurou “de maneira cuidadosa e respeitosa” um “pequeno grupo” de fabricantes com instrumentos muito semelhantes à Stratocaster. Conforme transcrição da Guitar World, ele explicou:
“A Fender não está processando ninguém. O que fizemos foi entrar em contato de maneira cuidadosa e respeitosa com um pequeno grupo de fabricantes cujas guitarras se aproximam demais da reprodução do design icônico da Fender Stratocaster.”
O CEO ressaltou que a Fender tem solicitado alterações de design e períodos de transição para os fabricantes, e não a destruição de estoques ou compensações financeiras imediatas, como chegou a ser divulgado anteriormente no caso envolvendo a LsL Instruments:
“Estamos optando por soluções práticas e razoáveis, pedindo modificações de design quando necessário e períodos de transição generosos para que os fabricantes possam vender o estoque já existente. Não estamos demandando destruição de estoque. Esses comentários foram infelizes. Também não há exigências financeiras imediatas. Queremos trabalhar em conjunto com todos, porque acreditamos que a inovação é mais forte quando as marcas criam suas próprias identidades, em vez de se apoiarem em instrumentos icônicos amplamente copiados que definem nossa indústria há gerações.”
Para Cole, é preciso que o público entenda que o modelo contribuiu de maneira “imensurável” à indústria e que tal legado não pode ser apagado ou minimizado. Sendo assim, concluiu:
“Chamar a guitarra Stratocaster simplesmente de ‘estilo S’ ou ‘formato S’ é uma tentativa de minimizar e apagar a contribuição revolucionária e imensurável que Leo [Fender] e sua equipe deram a toda a indústria, com a qual todos nós construímos grande parte de nosso sucesso e de nossas carreiras. Uma contribuição que beneficiou cada uma das pessoas nesta sala e milhões de músicos ao redor do mundo. Não vamos permitir que esse legado seja apagado, nem que seja diluído.”
Fender e o modelo Stratocaster
Fundada em 1946 na Califórnia, Estados Unidos, a Fender Musical Instruments Corporation ditou tendências nas décadas seguintes. Entre seus maiores divulgadores estão figuras como Jimi Hendrix, Eric Clapton, David Gilmour, Ritchie Blackmore, Jeff Beck, Yngwie Malmsteen, Stevie Ray Vaughan e John Frusciante.
Surgidas em 1954, as guitarras modelo Stratocaster completaram 70 anos de criação em 2024. Entre tantas variações, ela se tornou uma espécie de sinônimo do rock, participando de todas as gerações desde então. Não à toa, levantamentos indicam que mais de 30 mil unidades ainda sejam vendidas anualmente – fora as versões “Capitão Gancho”.
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