Como noticiado, em março, a Fender recorreu à Justiça para assegurar os direitos autorais sobre o design da guitarra Stratocaster (“tipo S”) e saiu vitoriosa. Desde então, a marca vem intensificando os esforços para garantir a exclusividade do modelo e, recentemente, notificou uma série de empresas que vendem instrumentos semelhantes.
Conforme a Guitar World, documentos obtidos pelos youtubers Phillip McKnight e Tone Nerd mostram que a Fender entrou em contato com a fabricante familiar americana LsL Instruments por causa de suas guitarras em estilo S. Em carta, a companhia supostamente pedia que fosse interrompida imediatamente “a fabricação, venda, divulgação ou produção desses produtos infratores” na União Europeia.
De origem chinesa, a Yiwu Philharmonic Musical Instruments Co também ficou proibida de fabricar ou vender guitarras parecidas no continente europeu, sob pena de multa de até € 250 mil (cerca de R$ 1,5 milhão na cotação atual) ou até seis meses de prisão caso o valor não seja pago. Ainda, outras empresas não mencionadas sediadas nos Estados Unidos receberam avisos do tipo.
Diante do cenário, a Fender emitiu um comunicado para esclarecer a situação. Segundo a nota compartilhada pelo site Ultimate Guitar, em nenhum momento a marca ordenou que as outras fabricantes tomassem medidas drásticas além de “mudanças relativamente pequenas no design” para que não parecessem cópias:
“O objetivo da Fender é simplesmente proteger um dos designs mais icônicos e reconhecíveis da empresa, enquanto continua apoiando uma indústria de guitarras vibrante e inovadora. Todos são bem-vindos e poderão continuar fabricando e vendendo guitarras com corpo de corte duplo e/ou duas pontas, desde que o design seja suficientemente diferente do Fender Stratocaster. O pedido era que para que alterassem o design, para que os instrumentos não parecessem cópias mais ou menos exatas da Stratocaster, o que exigiria apenas mudanças relativamente pequenas no design.”
A Fender garante que não busca que tais fabricantes destruam seus estoques num primeiro momento. A ideia é que, com cooperação, outras alternativas sejam priorizadas, como descontinuação gradual e indenizações financeiras. Nas palavras da empresa, muitos dos lugares com quem entraram em contato estão colaborando para chegar numa resolução:
“Nos casos em que há disposição para cooperar, isso pode incluir períodos de transição ou descontinuação gradual, além de redução nas indenizações financeiras. Desfechos como destruição de estoque não são algo que buscamos. São recursos legais que podem ser considerados em situações nas quais a infração continua sem qualquer tentativa de resolução. Muitos dos fabricantes para quem mandamos as cartas entraram em contato conosco e iniciaram negociações razoáveis para um acordo, partindo do entendimento de que deixarão de fabricar e/ou vender clones da ‘Stratocaster’.”
CEO se manifesta
Por fim, Edward “Bud” Cole, CEO da Fender, destacou possuir “enorme respeito pela comunidade guitarrística” e por todos envolvidos na área. De acordo com o profissional, o único objetivo da atitude é proteger o legado da própria marca.
“Possuímos enorme respeito pela comunidade guitarrística, pelos fabricantes independentes e pela criatividade que continua moldando esta indústria. Proteger esses designs icônicos faz parte da obrigação da Fender como guardiã da marca, de seu legado e da autenticidade que os músicos associam aos instrumentos Fender. Continuamos abertos a dialogar de maneira construtiva com parceiros e empresas de toda a indústria enquanto conduzimos esse processo. Nosso objetivo é proteger esse legado ao mesmo tempo em que apoiamos um futuro vibrante para fabricantes de guitarras, construtores de instrumentos e músicos.”
O Tribunal Regional de Düsseldorf, considerado um dos mais influentes em propriedade intelectual na Alemanha, determinou que o corpo da Stratocaster constitui “uma obra criativa original”. Por consequência, o formato passou a “pertencer” à Fender e a ter proteção jurídica.
Fender e o modelo Stratocaster
Fundada em 1946 na Califórnia, Estados Unidos, a Fender Musical Instruments Corporation ditou tendências nas décadas seguintes. Entre seus maiores divulgadores estão figuras como Jimi Hendrix, Eric Clapton, David Gilmour, Ritchie Blackmore, Jeff Beck, Yngwie Malmsteen, Stevie Ray Vaughan e John Frusciante.
Surgidas em 1954, as guitarras modelo Stratocaster completaram 70 anos de criação em 2024. Entre tantas variações, ela se tornou uma espécie de sinônimo do rock, participando de todas as gerações desde então. Não à toa, levantamentos indicam que mais de 30 mil unidades ainda sejam vendidas anualmente – fora as versões “Capitão Gancho”.
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