Assisti aos 6 shows do Dream Theater pelo Brasil e te conto como foi

Retorno ao país ocorreu para apresentações em Porto Alegre, Curitiba, Brasília, SP, Rio e BH, divulgando o álbum “Parasomnia” e celebrando 30 anos de “A Change of Seasons”

Allianz Parque, São Paulo, 16 de maio de 2026. “Peraí… Você é o maluco que cobriu a turnê toda do Dream Theater?” No aguardo para o show do Black Pantera, atração de abertura para o Korn no estádio do Palmeiras, este repórter foi assim abordado por um colega em plena sala de imprensa. Embora nunca na vida houvesse a vontade de ser reconhecido desta maneira, não havia como ignorar o fato ou mentir a respeito e intimamente até se despertou um insólito “quê” de orgulho.

Conforme a conversa se desenvolvia, outro membro de nossa coletividade, atônito, soltou um sincero: “Mas por que você fez isso?”. Instantaneamente, outros comentários similares de outros jornalistas amigos brotavam na cabeça em forma de flashback: “Você foi até Brasília? Boa sorte…”; “Larga esse vício!”; “Você não é fã, você é fanático!”. Pois é.

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Foto de celular: Vagner Mastropaulo

Para viabilizar algo de tal magnitude, é preciso ter a confiança de um veículo de comunicação para realizar o credenciamento e executar o serviço, apoio e/ou compreensão familiar (se o seu círculo pessoal não entende ou respeita, não há como deixar o lar por dias), flexibilidade no trabalho e planejamento. Exemplo: para chegar a Porto Alegre em 3 de maio, a única chance seria de avião, uma vez que o Megadeth se apresentaria na véspera no Espaço Unimed e o ingresso já havia sido adquirido. Outro: a Brasília até se chega de ônibus saindo de São Paulo, mas o tempo gasto inviabiliza a operação e nova compra de passagens aéreas foi imprescindível, em ida e volta.

Feito todo este preâmbulo… e os shows em si? O que teve de melhor em cada uma das seis cidades pelas quais o Dream Theater levou a turnê do novo álbum “Parasomnia” (2025), também com uma celebração do 30º aniversário de “A Change of Seasons”?

A turnê do Dream Theater pelo Brasil em 2026

03/05/2026 – Auditório Araújo Vianna – Porto Alegre

(Um texto detalhado sobre este show já foi publicado aqui.) Quando algo que você deseja muito te é negado, mais você o quer, certo? Pois bem, desde a primeira vinda do Dream Theater ao Brasil em setembro de 1997, com duas datas no Aramaçan (Santo André), e uma no Imperator (Rio de Janeiro), a faixa-título do EP de 1995, “A Change of Seasons”, jamais havia sido tocada integralmente por aqui. E a promessa da turnê atual garantia não somente “Parasomnia” na íntegra, mas também a longa faixa e algumas músicas adicionais.

Em termos práticos, “A Change of Seasons” foi a primeira composição realmente épica do grupo a ser lançada, superando vinte e três minutos. Até então, a música mais longa havia sido “Learning to Live”, de “Images and Words” (1992), com pouco mais de onze minutos. O compilado “A Mind Behind Itself”, presente em “Awake” (1994), não entra na conta, pois os fãs nunca a enxergaram como uma peça única e sempre a dividiram entre “Erotomania”, “Voices” e “The Silent Man” – mesmo assim, somadas, iriam pouco além de vinte minutos.

Curiosamente, “A Change of Seasons” foi uma das primeiras canções gravadas pelo Dream Theater com James LaBrie, vocalista que entrou após o lançamento do primeiro disco, “When Dream and Day Unite” (1989). Em entrevista a Igor Miranda para a Rolling Stone Brasil, ele conta: “‘A Change of Seasons’ foi originalmente planejada para estar no ‘Images and Words’. Mas era o nosso primeiro álbum com a Atco/Atlantic (gravadora), então eles disseram algo como: ‘sentimos que esse álbum deveria ter apenas músicas concisas, mesmo que algumas fossem longas’. Acharam que seria demais”.

Sem dúvida alguma, poder ter ouvido suas sete partes pela primeiríssima vez em solo brasileiro foi o ponto alto na capital gaúcha, especialmente por se tratar de um auditório, com lugares marcados e a possibilidade de testemunhar tudo sentado — mesmo que a galera tenha imediatamente se levantado assim que o espetáculo começou. E em termos de beleza, a casa talvez só perca para a Ópera de Arame, em Curitiba (certamente um gaúcho contestará tal afirmação), onde o Dream Theater tocou em junho de 2016 e dezembro de 2019.

Repertório do show de Porto Alegre (e de toda a turnê, exceto Brasília):

Intro 1: Main Title (The Shining) [Wendy Carlos & Rachel Elkind]
Intro 2: Prelude [Bernard Hermman]
Ato I – Parasomnia
01) In the Arms of Morpheus
02) Night Terror
03) A Broken Man
04) Dead Asleep
05) Midnight Messiah
06) Are We Dreaming?
07) Bend the Clock
08) The Shadow Man Incident
Ato II
Intro: False Awakening Suite
09) The Enemy Inside
10) A Rite of Passage
11) Act I: Scene Three: I. Through My Words
12) Act I: Scene Three: II. Fatal Tragedy
13) The Dark Eternal Night
14) Peruvian Skies [trechos de “Wish You Were Here” (Pink Floyd) e “Wherever I May Roam” (Metallica)]
15) Take the Time
Ato III – A Change of Seasons
Video: Dead Poets Society
16) A Change of Seasons: I The Crimson Sunrise
17) A Change of Seasons: II Innocence
18) A Change of Seasons: III Carpe Diem
19) A Change of Seasons: IV The Darkest of Winters
20) A Change of Seasons: V Another World
21) A Change of Seasons: VI The Inevitable Summer
22) A Change of Seasons: VII The Crimson Sunset [trecho de “A Fortune In Lies”]
Outro 1: Singin’ in the Rain [Gene Kelly]
Outro 2: Dance of the Dream Man [Angelo Badalamenti]

05/05 – Live Curitiba – Curitiba

A chegada de avião a Porto Alegre ocorreu após poucas horas de sono em São Paulo e um cochilo crucial fez com que este que vos escreve chegasse ao show meio em cima da hora. Já em Curitiba, a logística pessoal foi melhor organizada. A entrada à Live ocorreu de modo rápido o suficiente para assistir ao show da grade, diante de John Myung.

Estar ali fez toda a diferença para prestar atenção a detalhes. Alguns deles serão explicados na seção seguinte do artigo, mas dá para trazer um exemplo como curiosidade: antes de começar a cantar “Midnight Messiah”, James LaBrie apontou para uma agente de segurança posicionada entre duas caixas de som no chão e deu uma piscadinha se certificando se ela estava bem, mesmo com o alto volume. Um vídeo registra o momento em 1min45seg. Parece besteira, mas este tipo de preocupação diz muito sobre o estado de espírito de quem está no palco.

A razão da leveza talvez tenha sido seu aniversário de 63 anos, com direito a um spray de espuma nos cabelos, como pode ser conferido neste vídeo. Parabéns a ele!

07/05 – Espaço Dois Ipês – Brasília

(Um texto detalhado sobre este show já foi publicado aqui.) De todas as cidades onde o quinteto norte-americano tocou neste ano, a única jamais visitada por este redator era a capital federal. O plano inicial era o mesmo de Curitiba: passar o dia num shopping, ir para o show e vazar. Porém, foi necessário procurar um hotel perto do Espaço Dois Ipês. De cara, a descoberta: Brasília foi planejada, mas é simplesmente impossível se deslocar por lá sem carro.

Por lá, o setlist foi o único diferenciado no país. Havia lógica: locais que não puderam acompanhar o grupo no giro de dezembro de 2024 ficaram com algumas músicas herdadas de outrora. Logo, o repertório foi aproximadamente meia hora mais extenso e teve clássicos como “Metropolis Pt. 1: The Miracle and the Sleeper”, logo de imediato, e “The Spirit Carries On” e “Pull Me Under” no bis, entre outras. Também deu para assistir da grade, agora de frente a John Petrucci.

Verdadeiros fãs do Dream Theater a ponto de ocasionalmente tocarem num tributo à banda, dois membros do Angra assistiram ao show no pit: o baixista Felipe Andreoli e o guitarrista Marcelo Barbosa – este, aliás, posicionou-se no assento na grade de proteção exatamente à frente deste redator. Terminado o show, ele topou posar para uma foto e ouviu como brincadeira: “Vou poder dizer a vida toda que vi o Dream Theater aqui em Brasília ‘junto’ com Marcelo Barbosa!”. Mentira não era…

Repertório em Brasília:

Intro 1: Rooster [Alice In Chains]
Intro 2: Prelude [Bernard Hermman]
Ato I
01) Metropolis – Part I: The Miracle And The Sleeper
02) Act I: Scene Two: I. Overture 1928
03) Act I: Scene Two: II. Strange Déjà Vu
04) The Mirror [trecho de “Lie” como “outro”]
05) Panic Attack
06) The Enemy Inside
07) Peruvian Skies [trechos de “Wish You Were Here” (Pink Floyd), “Wherever I May Roam” (Metallica)] e “Burn” (Deep Purple)]
08) As I Am
Ato II – Parasomnia
09) In the Arms of Morpheus
10) Night Terror
11) A Broken Man
12) Midnight Messiah
13) Are We Dreaming?
14) Bend the Clock
15) The Shadow Man Incident
Ato III – A Change of Seasons
Vídeo: Dead Poets Society
16) A Change of Seasons: I The Crimson Sunrise
17) A Change of Seasons: II Innocence
18) A Change of Seasons: III Carpe Diem
19) A Change of Seasons: IV The Darkest of Winters
20) A Change of Seasons: V Another World
21) A Change of Seasons: VI The Inevitable Summer
22) A Change of Seasons: VII The Crimson Sunset [trecho de “A Fortune In Lies”]
Bis
23) Act II: Scene Eight: The Spirit Carries On
24) Pull Me Under
Outro 1: Singin’ in the Rain [Gene Kelly]
Outro 2: Dance of the Dream Man [Angelo Badalamenti]

09/05 – Vibra São Paulo – São Paulo

(Um texto detalhado sobre este show, assinado por Thiago Zuma, já foi publicado aqui.) A rigor, esta era para ter sido a “noite de folga”, o show para ser curtido no camarote em companhia de amigos. Rolou, mas em caráter emergencial, aceitamos fazer a cobertura após surgir um imprevisto na equipe do Sonoridade Underground.

Rever o “mesmo” show possibilita checagens. Em São Paulo, antes de tudo começar, deu para ver as notas piscando no visor frontal dos teclados de Jordan, progressivamente se iluminando enquanto um técnico terminava de preparar o instrumento, limpando-o e indiretamente provando: o que se acende é o que ele, de fato, toca.

Foto de celular: Vagner Mastropaulo

Também foi viável desvendar o mistério do enchimento do “Homem-Sombra” em “The Shadow Man Incident”. O barato de sua presença era o fator surpresa, com ele sendo rapidamente inflado no canto ao lado de John Petrucci e no escuro, de forma que, quando você se dava conta, o boneco já estava ali. Para facilitar o processo, ele era “hasteado” por uma corrente em sua cabeça. Confira neste vídeo:

Além disso, foi curioso notar a perda do efeito das lanternas dos celulares acesas, a pedido de Portnoy e LaBrie. Com as luzes voltadas para o palco, até se viam brilhos saindo dos aparelhos, mas obviamente a graça é estar na frente e olhar para trás para observar.

10/05 – Vivo Rio – Rio de Janeiro

(Um texto detalhado sobre este show, assinado por Diego Garcia, já foi publicado aqui.) De toda a excursão, esta foi a cobertura mais difícil de ser concluída, neste caso pela Onstage, pois foi o único show em noite consecutiva. Além disso, um caminhão repleto de latinhas de cerveja e garrafas pet de refrigerantes tombou na Serra das Araras, o que atrapalhou o transporte.

Os palcos do Vibra São Paulo e do Vivo Rio certamente foram os maiores da turnê brasileira. Em ambos os casos, como havia espaço disponível, pendurou-se um backdrop em cada lateral, aumentando a área visual decorativa e oferecendo maior privacidade à equipe técnica da banda. Nas demais datas, ou não havia altura suficiente ou a área não proporcionava tal conforto. Além disso, salvo engano, foram as duas cidades em que os telões da casa estiveram ligados durante o show.

No intervalo, já a partir de “Let’s All Go to the Lobby”, roadies já retiravam o cenário específico de “Parasomnia”. Primeiro a cama do meio do palco, depois os postes de luz e até o pedestal do microfone usado pelo vocalista. Para o segundo ato, aquele com os monstros é substituído por outro, com o símbolo do grupo. Já a iluminação, propositalmente escura no primeiro ato para se adequar à temática do disco, não exatamente se altera na continuação do show, embora melhore.

Com o retorno de Portnoy à banda, houve a sensível sacada de ressuscitar a divertida animação da “N.A.D.S.” (“North American Dream Squad”) para “The Dark Eternal Night”. Simples, porém efetiva, ela ajudou a divertir a noite durante a música. E o baterista cantou o início de “Take the Time”, indo até o verso “Go back to square one”, fazendo uma leve adaptação em “Just let me catch my breath” para “Just let him catch his breath”, referindo-se ao vocalista.

A marofa comeu solta no fundo da pista comum — especificamente perto da mesa de som, onde este repórter havia se posicionado. Faz sentido: ninguém ia acender uma bomba colado na grade, onde estivemos em Curitiba, Brasília e depois em Belo Horizonte. Mesmo em Porto Alegre, seria incomum enrolarem um baseado nas cadeiras do auditório.

Três citações pontuais: o padrão de ovacionar John Petrucci com “Bend the Clock” ainda em andamento se manteve, bem como na capital mineira dois dias depois; a arte no telão de fundo durante “The Enemy Inside” é uma das mais psicodélicas que este repórter já viu; e o humor do carioca é imbatível, sobrando presença de espírito, pois bastou o quinteto encerrar “A Change of Seasons” — superando três horas de espetáculo — para dois amigos abraçados passarem a pular, rir e berrar: “Mais um! Mais um! Mais um!”.

12/05 – BeFly Hall – Belo Horizonte

Das cinco viagens, nada supera uma ida a Belo Horizonte, seja pelo povo acolhedor, sotaque delicioso para os ouvidos e culinária caprichada. De quebra, este repórter ainda descobriu um prato novo, o “CAOL”, sigla para “couve, arroz, ovo e linguiça”. No BeFly Hall, deu para ficar frente a frente com James LaBrie.

E se o vocalista fora super doce com uma agente de segurança em Curitiba, na capital mineira sobrou até para um fã com o celular erguido. Deu para fazer a invocada leitura labial e, para evitar incomodar leituras mais sensíveis, digamos que ele “educadamente pediu” para que o aparelho fosse colocado para baixo.

No mais, o clima de “último show de toda a turnê” da banda e subsequente ida para casa após quase 19 meses viajando conspirava a favor da atmosfera positiva.

Os integrantes

Como mencionado, foi possível assistir a alguns dos shows com visão privilegiada. Consequentemente, deu para se concentrar no que cada músico fazia no palco, checando o que já havia sido observado nas demais apresentações.

John Myung

Assim como Jordan Rudess, John Myung passa parte do show tocando de frente a um tablet. Durante “Fatal Tragedy”, o baixista deixa seu cantinho e vai ao centro do palco. Seu instrumento, absurdamente audível por todo o set, fala alto em partes especificas de “Night Terror” e “A Broken Man”, mas ruge de modo cavalar mesmo nos começos de “A Rite of Passage”, “Take the Time” e “As I Am”, esta em Brasília.

Como curiosidade, cabe destacar: Myung é sempre o primeiro a literalmente sair correndo para o backstage depois de se despedir dos fãs.

Foto de celular: Vagner Mastropaulo

Jordan Rudess

A contribuição de Jordan Rudess é significativa na parte “jam” de “The Shadow Man Incident”, mas o tecladista brilha mesmo em quatro momentos:

  • ao carregar “Are We Dreaming?” sozinho nas costas em caráter intimista;
  • ao criar a atmosfera para, junto a James, fazerem “voz e teclados” em “Through My Words”;
  • ao arregaçar solando no tablet no final de “The Dark Eternal Night”;
  • e ao rumar à frente do palco por somente uma vez perto da conclusão de “Peruvian Skies” com sua keytar pendurada no pescoço, levantando a galera e transbordando carisma.
Foto de celular: Vagner Mastropaulo

Mike Portnoy

Para quem não entendeu o fato de sua bateria possuir três bumbos, um esclarecimento: Mike Portnoy executa a maior parte das músicas tocando em seu lado esquerdo e com dois bumbos. As exceções do “set padrão” tocado em todos os shows — menos em Brasília — tocando em seu lado direito e com pedal duplo, foram em: “Midnight Messiah”, “Bend the Clock” e “The Enemy Inside”, única da era Mike Mangini. Se pensarmos nas músicas diferentes tocadas só na capital federal, incluem-se: “As I Am” e “The Spirit Carries On”.

Há ainda dois casos curiosos. Em “Peruvian Skies”, o baterista começa à direita e pula para a esquerda no segundo combo dobrado do verso “Poor Vanessa”. Ainda mais intrigante é “The Shadow Man Incident”, em que ele executa a parte instrumental do lado padrão e mais frequente, migra para o menos comum no início da parte cantada em diante e retorna para o posto original a partir do verso “That is not dead which can eternal lie”, onde permanece até seu final.

Foto de celular: Vagner Mastropaulo

John Petrucci

Muito se fala a respeito dos backing vocals de Mike Portnoy. As contribuições de John Petrucci são ignoradas neste sentido.

Para citarmos suas colaborações nas faixas de “Parasomnia”, ele auxilia em “Night Terror”, “A Broken Man”, “Dead Asleep”, “The Shadow Man Incident” e “Bend the Clock”. Nesta última, ele detona no solo de quase três minutos que a encaminha para o final, sendo aplaudido ainda em sua execução. Se você reparou bem, nas não-instrumentais, ele teve folga do microfone somente em “Midnight Messiah”.

Foto de celular: Vagner Mastropaulo

James LaBrie

Olhos e ouvidos sempre estão mais voltados a James LaBrie. Seria normal, por ser o frontman, mas há quem passe a noite toda no “modo enxaqueca” esperando a primeira desafinada. Ainda assim, a performance do cantor voltou a atingir alto nível dentro do que é possível oferecer atualmente.

As canções mais novas são levadas ao estúdio para que ele consiga desempenhar seu papel de modo confortável e dentro do espectro vocal atual. Já antigas como “Take the Time” e “A Change Of Seasons” — com esta sempre chegando a três horas no relógio — demandam esforço. James entrega o que dele se espera com primazia.

Foto de celular: Vagner Mastropaulo

As trilhas sonoras do intervalo e da espera

Para encerrarmos, a relação entre música e cinema. Sim, há um trecho de “Dead Poets Society” super bem encaixado para introduzir “A Change of Seasons”, mas não para por aí. O que se escuta na discotecagem ao abrir as noites, concluí-las e, ainda menos percebido, o que é tocado nos intervalos?

As intros, “MainTitle (The Shining)” e “Prelude”, integram as trilhas sonoras de “O Iluminado” (1980) e “Psicose” (60). As “outros”, posicionadas ao fim do show, também estão vinculados ao cinema: “Singin’ in the Rain” compõe a atmosfera do clássico homônimo de 1952, “Cantando na Chuva”; e “Dance of the Dream Man” está na série “Twin Peaks” (1990-91), venerada por Mike Portnoy.

Já a espera de aproximadamente vinte minutos para o segundo ato do show, contempla, na ordem:

  • “Let’s All Go to the Lobby”, comercial de cinema de 1957;
  • “Audrey’s Dance”, também de “Twin Peaks”;
  • “The Grand Duel (Parte Prima)”, de “Kill Bill: Volume 1” (2003);
  • “I Still Can’t Sleep / The Cannot Touch Her (Betsy’s Theme)”, de “Taxi Driver” (1976);
  • “La Gazza Ladra: Overture”, de “Laranja Mecânica” (1971).

Ainda há faixas “bônus”. A playlist geral do pré-show, não importando em qual cidade tenham sido tocadas (e nem sempre todas elas), passou por:

  • “Daniel’s Flashback”, de “Candyman 2: A Vingança” (1995);
  • “Detroit”, e “Title”, ambas de “Corrente do Mal” (2014);
  • “Amityville Horror Main Title”, “Screams” e “One Year Later”, todas de “A Cidade do Horror” (1979);
  • “Drag Me to Hell”, de “Arraste-me Para o Inferno” 2009;
  • “Main Title (A Nightmare on Elm Street)”, de “A Hora do Pesadelo” (1984);
  • “Laurie’s Theme”, de “Halloween” (2018);
  • “Dracula – The Beginning”, de “Drácula de Bram Stoker” (1992);
  • “Main Title (Chucky Theme)”, de “A Maldição de Chucky” (2013);
  • “Wrath”, de “Seven: Os Sete Crimes Capitais” (1995);
  • “Hellraiser”, do filme homônimo de 1987;
  • “Prologue / Welcome to Creepshow (Main Title)”, de “Creepshow – Show de Horrores” (1982);
  • “Overlay of Evil”, de “Sexta-Feira 13” (1980);
  • “It Was Always You, Helen”, de “O Mistério de Candyman” (2001);
  • “Main Titles”, de “Contos do Dia das Bruxas” (2007);
  • “Every 27 Years”, de “It: A Coisa” (2017);
  • “Tubular Bells”, de “O Exorcista” (1973);
  • “Rocky Mountains”, de “O Iluminado” (1980);
  • “Trouble in Woodsboro / Sydney’s Lament”, de “Pânico” (1996);
  • “Where the Monster Lives” e “Main Title (A Nightmare on Elm Street)”, ambas de “A Hora do Pesadelo” (2010) / e, sim, a versão de 2010 é ligeiramente diferente da original de 1984;
  • “Bathroom Dance”, de “Coringa” (2019);

E fora do universo das películas, embora nem tanto, e tão inquietante quanto qualquer um dos temas acima, também rolou “Joker (Outro)”, do EP “In Depression We Trust” (2020), de Issa Omojola.

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