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Dream Theater faz show abrangente e impecável em Porto Alegre

Mestres do prog metal abrem turnê de seis datas pelo país em noite de três horas e três atos, com “Parasomnia”, “A Change of Seasons” e combo para todos os tipos de gostos

Menos de um ano e meio desde a mais recente passagem do Dream Theater por solo brasileiro — em giro de cinco datas encerrado em Porto Alegre em dezembro de 2024 —, a capital gaúcha inaugurou o retorno do grupo nova-iorquino ao país. A apresentação da turnê do álbum “Parasomnia” (2025), também comemorativa dos 40 anos de carreira e do 30º aniversário de “A Change of Seasons”, ocorreu no último domingo (3), no Auditório Araújo Vianna. Indo pouco além de três horas, incluindo intros, “outros” e intervalo de dezenove minutos do primeiro para o segundo ato, o quinteto passeou por diferentes fases de sua discografia em escolhas variadas que agradou tanto que os acompanha recentemente quanto quem vem lá das antigas…

Sem atração de abertura, eram pontualmente 19h30 quando se iniciou uma ambientação: telão de fundo ligado (os laterais do auditório permaneceram apagados por toda a noite), luzes sobre o palco e excertos musicais tensos compondo a atmosfera e culminando em “Prelude”, da trilha de “Psycho” (1960). Tudo isso para a apresentação de fato começar às 20h, com o disco de 2025 na íntegra.

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Apostar na execução ao vivo de um álbum recém-lançado pode colocar uma banda em saia justa. O próprio Dream Theater já correu tal risco, sem sucesso, nas três datas tocando “The Astonishing” (2016) pelo país em junho do mesmo ano — proibindo até fotos do cenário antes de o espetáculo começar no então Espaço das América, em São Paulo.

O mote desta vez pode ser interpretado como um recomeço por se tratar do primeiro disco gravado desde o retorno do baterista Mike Portnoy e o grupo inteirado por James LaBrie (voz), John Petrucci (guitarra), John Myung (baixo) e Jordan Rudess (teclados) saiu-se bem desde “In the Arms of Morpheus”, faixa instrumental que oferece tudo que os fãs necessitam: melodia, peso, virtuosismo e quebradeira. Sobre as faixas do play, ainda podemos pontuar:

  • “Night Terror”: primeiro single lançado, a música já era promovida desde a vinda anterior e foi de um extremo a outro, sendo a menos famosa do set e até um tanto deslocada em 2024 e agora a mais conhecida primeiro ato;
  • “A Broken Man” e “Midnight Messiah”: ambas se transformam saindo da rigidez de estúdio e ganham corpo e peso, tornando bem mais interessantes;
  • “Bend the Clock”: de tão intenso que foi, Petrucci acabou ovacionado por seu solo no meio de sua execução;
  • “The Shadow Man Incident”: sem spoiler, caso você vá aos shows, preste atenção ao que acontece atrás de Petrucci em seu decorrer.

O segundo ato trouxe seis músicas, de cinco discos distintos: “A Rite of Passage”, de “Black Clouds & Silver Linings” (2009); “Through My Words” e “Fatal Tragedy”, ambas de “Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory” (1999); “The Dark Eternal Night”, de “Systematic Chaos” (2007); e “Take the Time”, de “Images and Words” (1992), magistralmente puxada no baixo de Myung, com Portnoy cantando até o verso “Go back to square one” e, de todo o repertório, possivelmente com as linhas vocais mais difíceis para LaBrie reproduzir atualmente. Em termos de escolhas, não havia como errar, pois de alguma coisa aí todo fã gosta.

Se você fez a soma, notou a ausência de uma. “Peruvian Skies”, penúltima do bloco, merece um parágrafo à parte. Esta foi extraída de “Falling Into Infinity” (1997), único play com Derek Sherinian nos teclados e contando até com uma composição coassinada por Desmond Child (“You Not Me”). Para alguns admiradores do quinteto, o disco já é um tanto controverso. Na execução da faixa ao vivo, ao incluírem snippets de “Wish You Were Here” (Pink Floyd) e “Wherever I May Roam” (Metallica), ainda que bem encaixados, há quem possa ter perdido a concentração em seu andamento, dificultando até cantá-la como veio ao mundo.

Cereja do bolo com direito a um pecadinho discreto e conclusivo de “A Fortune in Lies” — até onde este repórter se recorda —, a saideira jamais havia sido totalmente tocada no Brasil; nem nas duas noites de estreia pelo país, de Aramaçan, em Santo André, em setembro de 1997. Em síntese, “A Change of Seasons” foi daqueles momentos que você espera por todo o tempo que segue uma banda, da adoção à paixão eterna, e guardará para toda a vida. Fez muito marmanjo chorar.

Se o momento foi, de fato, impagável, não deixa de ser curiosa a paixão por uma música de 23 minutos que, a rigor, saiu num EP junto a covers totalmente descompromissados ao vivo. Enfim, além de ser uma belíssima composição e de sua letra tecer um paralelo entre as estações do ano e as fases da vida, talvez a razão por tanta adoração resida justamente no fato de aos fãs ela ter sido “negada” por tanto tempo. E se alguém estranhou o vídeo de “Dead Poets Society” (1989) a preparar terreno, o excerto em questão traz versos de sua letra.

Cinco apresentações pelo Brasil estão marcadas até dia 12 — quando fazem o último show por aqui em Belo Horizonte —, portanto, esperam-se algumas trocas no setlist, como recentemente feito em Assunção (Paraguai) e Córdoba (Argentina), para ficarmos nos shows da América do Sul. Independentemente disso, fã que for a Curitiba, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro ou à capital mineira certamente sairá satisfeito.

Dream Theater — ao vivo em Porto Alegre

  • Data: 3 de maio de 2026
  • Local: Auditório Araújo Vianna
  • Turnê: 40th Anniversary Tour — Parasomnia 2026 feat. A Change of Seasons
  • Produção: Liberation MC

Repertório:

Intro 1: Main Title (The Shining) [Wendy Carlos & Rachel Elkind]
Intro 2: Prelude [Bernard Hermman]
Ato I – Parasomnia
01) In the Arms of Morpheus
02) Night Terror
03) A Broken Man
04) Dead Asleep
05) Midnight Messiah
06) Are We Dreaming?
07) Bend the Clock
08) The Shadow Man Incident
Ato II
Intro: False Awakening Suite
09) The Enemy Inside
10) A Rite of Passage
11) Act I: Scene Three: I. Through My Words
12) Act I: Scene Three: II. Fatal Tragedy
13) The Dark Eternal Night
14) Peruvian Skies [trechos de “Wish You Were Here” (Pink Floyd) e “Wherever I May Roam” (Metallica)]
15) Take the Time
Ato III – A Change of Seasons
Video: Dead Poets Society
16) A Change of Seasons: I The Crimson Sunrise
17) A Change of Seasons: II Innocence
18) A Change of Seasons: III Carpe Diem
19) A Change of Seasons: IV The Darkest of Winters
20) A Change of Seasons: V Another World
21) A Change of Seasons: VI The Inevitable Summer
22) A Change of Seasons: VII The Crimson Sunset [trecho de “A Fortune In Lies”]
Outro 1: Singin’ in the Rain [Gene Kelly]
Outro 2: Dance of the Dream Man [Angelo Badalamenti]

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