Em março de 2020, o Edguy entrou oficialmente em hiato. A banda de Tobias Sammet já não subia aos palcos desde dezembro de 2017 e declarações recentes do vocalista indicavam que o futuro do projeto continuava incerto.
Porém, o grupo surpreendeu na última terça-feira (16) ao anunciar o retorno às atividades. No dia 25 de junho de 2027, a banda realizará o seu primeiro show em uma década na praça de Domplatz, em Fulda, na Alemanha, onde começaram.
Até o momento, esse é o único compromisso marcado pelo Edguy. Ao divulgar a apresentação, os músicos apenas escreveram na legenda em tom misterioso que “algumas histórias merecem um capítulo final, vamos escrever o nosso juntos”.
Além de Sammet, a formação é composta por Jens Ludwig (guitarra), Dirk Sauer (guitarra), Tobias “Eggi” Exxel (baixo) e Felix Bohnke (bateria). “Space Police: Defenders of the Crown”, disco mais recente, chegou em 2014.
Vale lembrar que, em março do ano passado, Tobias não descartou a volta do Edguy. Em entrevista à Metal Hammer (via Whiplash), o cantor mencionou a possibilidade, mas deixou claro quais eram os impedimentos:
“Com o Avantasia consigo produzir um disco em dois meses. Com o Edguy, em dois meses, não conseguimos sequer decidir o tom da primeira música! Ainda nos damos bem, mas todos encontraram formas diferentes de ganhar a vida. O livro ainda não está fechado. Só Deus sabe o que vai acontecer ou quando, mas não será em breve. Eu não me importaria de cantar aquelas músicas ao vivo novamente, mas no momento eu não sinto falta o suficiente para aguentar a dor de cabeça que tinha indo ao local de ensaio diariamente.”
Poucos meses mais tarde, conversando com Fernando Queiroz para o site IgorMiranda.com.br, o artista trouxe uma resposta parecida a respeito do assunto. Em suas palavras, a falta de sintonia e o desgaste entre os membros complicavam a ideia:
“Neste momento, chegamos em um ponto onde estamos em lugares diferentes. Não estamos mais em sintonia. Ficou tudo muito desgastado. Estávamos cansados, pois quando crescemos todos juntos como amigos, há uma dinâmica na banda, e quando é você que carrega tudo na banda — compõe as músicas, toma as decisões, e tem a responsabilidade de manter cinco pessoas felizes ali —, tudo fica muito maluco. Aí começa aquela coisa de ‘eu quero que seja assim, eu quero tocar dessa forma, eu quero ser um avião’ [risos], fica tudo muito difícil e todos começam a discutir. Você pensa: ‘ah, dane-se, eu vou fazer tudo sozinho, aí ninguém reclama’. Fiquei nessa linha pois estava ficando realmente melhor e maior. Mas não teria problemas em fazer algo com o Edguy de novo. Espero que aconteça em algum momento, mas não tenho ideia se realmente vai.”
O hiato do Edguy
Fundado em 1992, o Edguy lançou dez álbuns de estúdio durante a carreira. Três deles figuraram no top 10 da Alemanha, terra natal do grupo. Como mencionado, apesar do sucesso, a banda entrou em hiato indeterminado em 2020.
À época, Tobias Sammet, que continuou com o Avantasia, explicou nas redes sociais o motivo pelo qual tomou a decisão. Além de querer focar em outros projetos, o processo desgastante de criação do “Space Police: Defenders of the Crown” (2014) pesou para o artista.
Confirmando a pausa, ele declarou (via Blabbermouth):
“O Edguy está em hiato há algum tempo, como todos perceberam. Sim, faz bastante tempo desde nosso último compromisso, e atualmente não há nada planejado. Estamos todos ocupados com nossos próprios projetos, pelo menos até que o terrível coronavírus interrompesse grande parte da vida cotidiana em todo o mundo.
A situação é a seguinte: ‘Space Police: Defenders of the Crown’ foi um grande álbum, mas foi extremamente exaustivo produzi-lo e transformá-lo no disco que eu queria. Acho que isso não é incomum. Depois de quase três décadas em uma banda, entregando material de forma constante, os grupos deveriam ter o direito de perder o consenso criativo por um tempo e fazer uma pausa, em vez de lançar algo apenas para colocar o logotipo da banda em um produto.
Além disso, eu não consigo me dividir em dois. O Edguy sempre foi meu amor e, no início de 1999, comecei meu segundo amor: o Avantasia. Também tenho ideias para um projeto solo que adoraria realizar, mas não quero me perder em muitas coisas ao mesmo tempo. Além disso, tenho 42 anos, escrevi 18 álbuns, sou pai de família e estou preso em isolamento (como todos nós estamos atualmente; não estou pedindo simpatia). Simplesmente não quero continuar produzindo como uma máquina apenas para atender expectativas. Isso é impossível.”
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