De Yardbirds a Tina Turner, Jeff Beck resume sua vida em 11 músicas

Longa e diversificada carreira do guitarrista conta com material mais do que suficiente para uma playlist de respeito

A carreira de Jeff Beck transita por vários estilos e parcerias. Se há algo pelo que o gênio da guitarra não pode ser criticado é por ser previsível. As parcerias recentes com Ozzy Osbourne e Johnny Depp são exemplos mais do que suficientes.

Sendo assim, não foi fácil para o músico resumir sua história em 11 músicas. Porém, a revista Classic Rock pediu e ele fez um esforço.

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Confira a lista a seguir.

A vida de Jeff Beck em 11 músicas

The Yardbirds – “Train Kept A Rollin’” (single, 1965)

“Gravamos com Sam Phillips no Sun Studios, em Memphis, durante nossa primeira turnê pelos Estados Unidos. Giorgio Gomelsky, que estava no comando da banda à época, ligou para ele e Sam disse: ‘É domingo. Estamos fechados’. Giorgio argumentou que estava perdendo uma grande oportunidade de gravar uma banda de sucesso e acabou convencendo-o. Então fomos até lá e gravamos algumas faixas.

Para ser honesto, nossa versão de ‘Train Kept A Rollin’’ era bem ruim, mas era diferente. Estudei a do Johnny Burnette Trio desde então e ainda é a música mais incrível de todos os tempos. Ela também manteve o Aerosmith em alta por um bom tempo. Na verdade, o tiro saiu pela culatra para mim quando a coloquei de volta no set. As pessoas vinham e diziam: ‘Adorei aquela faixa do Aerosmith que você tocou’.”

Jeff Beck – “Beck’s Bolero” (B-side, 1967)

“Foi gravada com John Paul Jones, Jimmy Page, Nicky Hopkins e Keith Moon. Essa era a banda que esperávamos formar naquela sessão. Keith concordou em tocar bateria por um dia e, quando apareceu, estávamos esperando que ele pudesse estar interessado em uma posição permanente. Ele não estava feliz com sua banda da época. Algo a ver com o vocalista, eu acho.

Eu não sei se teria funcionado ou não, mas soou muito bom em estúdio. Não podia acreditar quando voltamos e ouvimos na sala de controle. ‘Isso é incrível. O que podemos fazer com isso?’ E a próxima coisa que sabemos é que Keith havia voltado ao The Who e a coisa toda nunca decolou. Mas tudo o que precisávamos era de um cantor. Infelizmente, não havia Peter Grant (empresário do Led Zeppelin) na época para fazer algo conosco.”

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Jeff Beck Group – “You Shook Me” (do álbum “Truth”, 1968)

“Quando Peter Grant tocou para mim o primeiro álbum do Led Zeppelin, estava rindo. Tudo funcionou muito bem para a banda. Na verdade, ele administrou o Jeff Beck Group no início e nos salvou da morte quase certa ao nos levar para a América. Tudo o que estávamos fazendo era subir e descer o M1 tocando em locais pequenos. Nunca chegaríamos a lugar nenhum a menos que fôssemos para lá.

Peter trabalhava no mesmo escritório que Mickie Most. Ele usava Jimmy Page em muitas sessões. Um dia, Jimmy mostrou interesse em formar uma banda e eu estava sendo um incômodo. Peter fez a coisa certa, me deixou e pegou o Led Zeppelin. Foi o certo. Mas se ele tivesse se concentrado mais em manter a paz entre os músicos da minha banda, teria sido muito melhor.”

Stevie Wonder – “Superstition” (de “Talking Book”, 1972)

“A Epic Records estava implorando por um disco meu. Então disseram: ‘Se pudermos colocar você no álbum de Stevie e ele escrever uma música para você, faria um disco para nós?’ E eu respondi: ‘Que horas é o avião?’ Minha mente e eu estávamos simplesmente maravilhados.

Um dia, durante um intervalo, eu estava brincando tocando uma bateria. Stevie entrou e pensou que eu era o baterista. Ele disse: ‘Não pare’, caminhou até o clavinete e começou a tocar o riff. Foi o início de ‘Superstition’. Tocamos por cerca de dois minutos e depois começamos a trabalhar direito. Essa deveria ser a minha música. Mas quando Stevie levou uma demo para a Motown, Berry Gordy disse: ‘isto é seu’.”

Jeff Beck – “Scatterbrain” (de “Blow By Blow”, 1975)

“Quando eu ficava nervoso no camarim, treinava escalas rápidas. Então o tecladista Max Middleton começou a escrever acordes em torno das minhas práticas. Qualquer coisa com uma melodia peculiar ou acordes fortes sempre sobreviverá como um número ao vivo, porque você pode continuar atualizando com mais acordes ou preenchimentos de bateria.”

Jeff Beck – “Cause We’ve Ended As Lovers” (de “Blow By Blow”, 1975)

“Quando ouvi essa música que Stevie Wonder havia escrito para sua namorada Syreeta, pensei: ‘essa é para a guitarra’. E então Max Middleton veio com uma parte de teclado para outra música. Juntamos as duas. É uma faixa de blues, mas tem um motivo muito bonito. Então tem a forte melodia de blues machista no meio e volta para a melodia fina e feminina no final.”

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Jeff Beck – “Led Boots” (de “Wired”, 1975)

“Eu queria tirar o máximo de inspiração da Mahavishnu Orchestra sem que ninguém reconhecesse. O único sinal revelador era Jan Hammer, tecladista deles. Fiz questão de uma participação considerável dele. Seu estilo de tocar é rápido, mas muito enganoso. É como brincar com um demônio. E eu amo o jeito que ele entende compressão e funk. Tem todos os elementos que aprecio no rock’n’roll. Achei que estava um pouco comprimido demais, mas quando ouço agora posso ouvir que ele sabia o que eu deveria estar fazendo melhor do que eu.”

The Honeydrippers – “Good Rockin’ At Midnight” (de “The Honeydrippers Vol. One”, 1984)

“O telefone tocou no meu apartamento em Nova York. Era o chefe da Atlanic Records, Ahmet Ertegun. Ele perguntou: ‘O que você está fazendo agora?’ Respondi: ‘É domingo e está chovendo’. Ele disse: “Bem, é melhor você vir para os estúdios Atlantic. Temos Robert Plant aqui’. Então fui até lá e uma hora depois estávamos tocando.

Acho que Robert estava tentando entrar na vibe do Sun Studio. Ele adora todas essas coisas e gravações de performances reais. Tudo que precisa é conseguir o engenheiro de som certo para fazer justiça. Alguém como Tom Dowd. Você faz duas ou três tomadas e escolhe a melhor. Feito. Nada de ficar três semanas tentando fazer com que os pratos soem bem.”

Jeff Beck – “People Get Ready” (de “Flash”, 1985)

“Fiz uma versão instrumental, Rod Stewart ouviu e adorou. Ele estava no telefone com uma de suas loiras quando toquei a demo. De repente disse: ‘Que porra é essa? Vamos gravar.’ Então reservamos um estúdio.

Lembro que foi uma sessão mágica. Pessoas em outras partes do estúdio pararam o que estavam fazendo e foram ouvir, então havia uma grande plateia na sala de controle. Foi um desses grandes momentos. E acho que foi uma das melhores performances que já ouvi de Rod.”

Tina Turner – “Steel Claw” (de “Private Dancer”, 1984)

“Eu tinha uma guitarra horrível, que só era boa para notas altas, mas Tina adorava. Como eu, ela costuma fazer as coisas em poucos takes. Ela ficou por perto enquanto estava fazendo um solo, mas não estava funcionando e eu disse: ‘Olha, é melhor você ir jantar’. Eu realmente não gosto de pessoas olhando para mim enquanto estou no estúdio. Aquela sessão de ‘People Get Ready’ foi uma exceção. Foi apenas uma chance de me exibir.”

Jeff Beck – “Nadia” (de “You Had It Coming”, 2001)

“Baseei-me na versão original de Nitin Sawney. Foi um desafio fazer todas aquelas escalas indianas. Mas uma vez que decifrei a melodia ficou fácil. Estávamos construindo músicas a partir de uma faixa de cliques, apenas um grão de areia. Em um ponto copiei um cato de melro. Eu costumava ouvir um na macieira do lado de fora da minha janela quando criança e essa melodia era muito assobiável. Então compramos um CD de cantos de pássaros e diminuímos o ritmo do canto do melro para que eu pudesse escolher a melodia. Então eu transpus para um bottleneck.”

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

1 COMENTÁRIO

  1. Olá João Renato! Gostei da seleção. Faltou algumas, mas é muito difícil escolher somente 11 de uma extensa discografia. Grande homenagem para o inigualável Jeff Beck! No céu tá rolando a maior “sonzera” hoje! Obrigado Jeff Beck por ter existido!

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