A resposta de Tom Morello a quem critica músicos por se manifestarem politicamente

"Existe uma camada especialmente quente do inferno reservada para pessoas que, em tempos de grande injustiça, censuram a si mesmas e permanecem caladas", opinou o guitarrista

Tom Morello é conhecido por seu ativismo. Formado em ciência política pela Universidade de Harvard, o guitarrista do Rage Against the Machine sempre falou abertamente a respeito de suas opiniões políticas em seu trabalho, não só na mencionada banda, mas também em projetos como o Prophets of Rage e em carreira solo. 

Há anos, o músico recebe críticas pelo posicionamento. Conversando com o Chicago Tribune em 2018, o próprio chegou a rebater aqueles que defendem que deveria evitar temas políticos e se dedicar apenas à guitarra:  

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“Primeiramente, quando você pega uma guitarra, você não deixa de ter seus direitos. Em segundo lugar, quando as pessoas te dizem para ‘calar a boca e tocar guitarra’ ou reclamam de artistas que se manifestam, é só porque elas não concordam com o que você está dizendo. Não é nada complicado”.

Anos depois, o guitarrista continua com a mesma visão. Em recente entrevista à Metal Hammer, compartilhada pela Blabbermouth, Morello afirmou que quem diz que músicos não deveriam se envolver com política, na verdade, só apenas discorda das opiniões que eles expressam. Citando ainda a importância da liberdade de expressão, ele explicou:

“Quando as pessoas dizem que músicos não deveriam se envolver com política, na verdade estão dizendo que discordam da sua opinião política. Porque, no instante em que você compõe uma música que concorda com as ideias delas, elas passam a apoiar. Então, primeiro, é muito hipócrita. E, segundo, por que você deveria abrir mão do seu direito à liberdade de expressão por causa do trabalho que faz? Por isso ofender alguém? Acho que o oposto é o que realmente faz sentido.”

Para o membro do Rage Against the Machine, é um “desserviço” deixar de emitir o próprio pensamento político. Isso vale não só para os músicos, mas para todas as outras profissões: 

“Você presta um desserviço a si mesmo e ao seu tempo quando censura quem você é dentro do seu trabalho. E não estou falando apenas de músicos. Acho estranho isolar músicos e dizer: ‘ah, eles não deveriam falar nada’. Seja no seu trabalho como jornalista musical, gerente de turnê, motorista de ônibus ou qualquer outra profissão, você não deveria deixar para trás quem você é e aquilo em que acredita. E, como já disse, existe uma camada especialmente quente do inferno reservada para pessoas que, em tempos de grande injustiça, censuram a si mesmas e permanecem caladas quando deveriam ter se manifestado, apenas porque têm medo de algum provocador da internet.”

Ao mesmo tempo, Morello reconhece que os Estados Unidos enfrentam um momento delicado por causa da repressão do governo do presidente Donald Trump, o que pode causar certo medo. É por isso que o guitarrista considera “todo ato de arte um ato de resistência” neste momento:

“Nestes momentos perigosos, em que há tanta repressão de ideias, censura de livros e artistas sendo cancelados por suas opiniões políticas, o simples fato de se manifestar já é importante […]. Nós temos um presidente que irá pessoalmente atrás de você e mobilizará o Departamento de Justiça contra você se você se posicionar contra o regime dele. Isso acaba intimidando muita gente e fazendo com que não expressem o que pensam. Mas, no momento em que você se cala, o autoritarismo vence. É nesse momento que o fascismo avança mais alguns passos. Por isso, todo ato de arte é um ato de resistência.”

Sobre Tom Morello

Guitarrista e fundador do Rage Against the Machine, Tom Morello também é lembrado por outros projetos, como o Audioslave, Prophets of Rage e sua carreira solo. O músico, cuja obra é permeada por temas políticos, é formado em Ciências Políticas pela famosa Universidade de Harvard, em Massachusetts.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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