Os 50 melhores discos de rock da América Latina, segundo a Rolling Stone

Nove obras brasileiras entraram na lista; alguns nem são considerados rock pelos mais radicais, mas a publicação os entende como dentro do gênero

A Rolling Stone elaborou uma lista com os 50 principais álbuns do rock latino-americano. Por conta de nosso distanciamento cultural – tanto pelo aspecto do idioma quanto pelo egocentrismo –, vários são poucos conhecidos no Brasil pelo público em geral. Ainda assim, possuem grande valor histórico.

Vale ressaltar que a nossa música emplacou 9 discos na lista final. Alguns nem são considerados rock por ouvintes mais radicais – especialmente aqueles que entendem que algo só pode ser rock se tiver distorção. Porém, a publicação os compreende dessa forma e explicou as escolhas, as quais traduzimos abaixo.

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Os 50 melhores discos de rock da América Latina, segundo a Rolling Stone

50. Los Shakers, ‘La Conferencia Secreta Del Toto’s Bar’ (1968, Uruguai)

49. Diamante Eléctrico, ‘Mira Lo Que Me Hiciste Hacer’ (2021, Colômbia)

48. La Revolución de Emiliano Zapata, ‘Revolución de Emiliano Zapata’ (1971, México)

47. Los Jaivas, ‘Alturas De Macchu Picchu’ (1981, Chile)

46. Los Van Van, ‘Los Van Van’ (1974, Cuba)

45. Los Bunkers, ‘Vida De Perros’ (2005, Chile)

44. Génesis, ‘Génesis’ (1974, Colômbia)

43. Raul Seixas, ‘Krig-ha Bandolo!’ (1973, Brasil)

O título intrigante alude aos misteriosos gritos de guerra do herói na história em quadrinhos de Tarzan. A música lá dentro é igualmente maluca: “Eu sou a mosca que pousou na sua sopa”, canta o iconoclasta Seixas em “Mosca Na Sopa”, enquanto um riff bagunçado de blues-rock luta por espaço contra cantos agitados de samba. Homem com muitas funções contraculturais, ele conseguia soar desanimado e folk em “Metamorfose Ambulante” e depois se vestir como um baladeiro romântico na fábula alquimista “Ouro De Tolo”, sobre transformar chumbo em ouro. Seixas morreu em 1989, aos 44 anos, mas o seu espírito irreprimível continua vivo.

42. Juanes, ‘Un Día Normal’ (2002, Colômbia)

41. Rita Lee & Tutti Frutti, ‘Fruto Proibido’ (1975, Brasil)

Após uma viagem transformadora com os ícones da tropicália Os Mutantes, Rita Lee passou a maior parte dos anos setenta erguendo o trono musical no qual foi legitimamente ungida rainha do rock brasileiro. Fruto Proibido dança descontroladamente – ecoando os tons mais pesados de um Elton John – suas músicas repletas de vampiros de piano de cabaré e solos de guitarra de blues. Da atrevida “Esse Tal De Roque Enrow” ao hino “Ovelha Negra”, esta autoproclamada ovelha negra encontrou a redenção na música até ao fim. Rita Lee faleceu em 2023, aos 75 anos.

40. Zoé, ‘Memo Rex Commander’ (2006, México)

39. Puya, ‘Fundamental’ (1999, Porto Rico)

38. Traffic Sound, ‘Virgin’ (1969, Peru)

37. El Gran Silencio, ‘Chúntaros Radio Poder’ (2001, México)

36. Banda Nueva, ‘La Gran Feria’ (1973, Colômbia)

35. Él Mató a un Policía Motorizado, ‘La Síntesis O’Konor’ (2017, Argentina)

34. Os Paralamas do Sucesso, ‘Selvagem?’ (1986, Brasil)

Foi uma aparição triunfante no festival Rock in Rio de 1985 que confirmou Os Paralamas como uma das bandas brasileiras mais afiadas da década. No ano seguinte, o trio liderado pelo guitarrista/vocalista Herbert Vianna retornou com um terceiro LP, seu mais ousado e alegre disco de festa. O ícone da MPB, Gilberto Gil, participa da faixa de abertura “Alagados”, cuja letra condena a desigualdade social e exalta as favelas do Rio de Janeiro. A marca registrada do reggae-rock dos Paralamas está em plena floração no apelo e resposta de “Melô do Marinheiro” e no descontraído cover de Tim Maia “Você (Usted)”.

33. No Te Va Gustar, ‘Este Fuerte Viento Que Sopla’ (2002, Uruguai)

32. Los Tres, ‘Fome’ (1997, Chile)

31. Eduardo Mateo, ‘Mateo Solo Bien Se Lame’ (1972, Uruguai)

30. Santa Sabina, ‘Santa Sabina’ (1992, México)

29. Los Hermanos, ‘Ventura’ (2003, Brasil)

Você realmente não viveu até assistir ao vídeo no YouTube de pombinhos brasileiros pedindo casamento em shows de Los Hermanos enquanto “Último Romance” toca. Escrita pelo cantor/guitarrista Rodrigo Amarante, a música descreve a devoção de um casal de idosos apaixonados, sabendo que este será seu último romance. Terceiro lançamento da banda carioca, Ventura foi eleito o melhor álbum brasileiro de todos os tempos em pesquisa de uma rádio de 2012. Um exagero, talvez, mas sublinha a ligação emocional gerada por estes sucessos diabolicamente melódicos. A seção de metais descolados adiciona uma colher de açúcar ao eufórico “O Vencedor”.

28. Mon Laferte, ‘Vol. 1’ (2015, Chile)

27. Totem, ‘Totem’ (1973, Uruguai)

26. Carlos Vives, ‘El Rock de mi Pueblo’ (2004, Colômbia)

25. Molotov, ‘¿Dónde Jugarán Las Niñas?’ (1997, México)

24. Andrés Calamaro, ‘El Salmón’ (2000, Argentina)

23. Los Prisioneros, ‘Corazones’ (1990, Chile)

22. Fito Páez, ‘El Amor Después Del Amor’ (1992, Argentina)

21. Tribalistas, ‘Tribalistas’ (2002, Brasil)

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Pode não ser um disco de rock no sentido mais convencional da palavra, mas a estreia de grande sucesso do maior supergrupo brasileiro de todos os tempos é profundamente informada pelo espírito lúdico de Rubber Soul e Pet Sounds. A cantora Marisa Monte, o percussionista baiano Carlinhos Brown e a voz rouca de Arnaldo Antunes – todos três estrelas por mérito próprio – estão no auge de seus poderes neste deslumbrante espetáculo de brilho da MPB, instrumentos de brinquedo e harmonias comoventes. Da batida eletrônica animada do mega-hit “Já Sei Namorar” à mal sussurrada balada de Natal “Mary Cristo”, a beleza neste lote de músicas é desarmante – e mágica.

20. Moris, ‘Treinta Minutos de Vida’ (1970, Argentina)

19. Roberto Carlos, ‘Em Ritmo de Aventura’ (1967, Brasil)

Muito antes de se tornar um cantor latino romântico que vendeu um milhão de cópias, Roberto Carlos encontrou sua vocação no rock’n’roll. Com seu violão estridente, uma parceria fenomenal de composição com Erasmo Carlos (sem parentesco) e um tom vocal meloso que encapsula a saudade e a exuberância da juventude, ele liderou a Jovem Guarda, movimento que tomou o Brasil de assalto. Em Ritmo de Aventura é a trilha sonora de um filme – a resposta sul-americana ao Help dos Beatles – que mostra o carismático Roberto dirigindo um carro esporte vermelho ao som da açucarada e pesada “Por Isso Corro Demais”. Do charme cru do hit soul-rock “Eu Sou Terrível” ao melancólico “Como É Grande o Meu Amor por Você”, este foi um dos primeiros álbuns que mostrou o potencial ilimitado do rock brasileiro.

18. Sumo, ‘Llegando los Monos’ (1986, Argentina)

17. Karnak, ‘Karnak’ (1995, Brasil)

Inspirado pelas gravações de campo que acumulou durante suas viagens ao redor do mundo, o cantor e multi-instrumentista André Abujamra retornou à sua cidade natal, São Paulo, e passou três anos elaborando o álbum mais criminosamente subestimado da música latina: uma estreia ampla, cosmopolita e imensamente comovente sobre unidade. e amor. Ele recrutou um templo comovente de orquestra – além de dois atores e um cachorro que ficava sentado calmamente no palco durante os shows – e formatos de polinização cruzada com abandono: reggae e samba; rock orquestral com pop árabe; linguagens reais e imaginárias. “Não sou deste mundo/vim da Atlântida”, afirma no contagiante “Comendo uva na chuva”. Mestre quixotesco e sobrenatural, Abujamra estava dolorosamente à frente de seu tempo.

16. Soda Stereo, ‘Canción Animal’ (1990, Argentina)

15. Natalia Lafourcade, ‘Hasta la Raíz’ (2015, México)

14. Los Amigos Invisibles, ‘The New Sound of the Venezuelan Gozadera’ (1998, Venezuela)

13. Pescado Rabioso, ‘Artaud’ (1973, Argentina)

12. Caifanes, ‘El Silencio’ (1992, México)

11. Santana, ‘Abraxas’ (1970, México)

10. Julieta Venegas, ‘Bueninvento’ (2000, México)

9. Charly García, ‘Clics Modernos’ (1983, Argentina)

8. Maldita Vecindad y los Hijos del Quinto Patio, ‘El Circo’ (1991, México)

7. Babasónicos, ‘Jessico’ (2001, Argentina)

6. Os Mutantes, ‘Os Mutantes’ (1968, Brasil)

No final dos anos 60, a excentricidade da psicodelia encontrou terreno fértil no Brasil, onde uma geração jovem de músicos condenava a ditadura militar do país. Em busca de uma nova sonoridade – desde sempre conhecida como tropicália – eram igualmente apaixonados pelo pop chiclete e pela vanguarda. Auxiliado pelos engenhosos arranjos de Rogélio Duprat, o trio formado por Rita Lee, Sérgio Dias e Arnaldo Baptista criou um delirante país das maravilhas sonoras que deu ao Magical Mystery Tour uma corrida pelo seu dinheiro. Na icônica faixa de abertura “Panis et Circenses” – escrita por Caetano Veloso e Gilberto Gil, nada menos – cantos hippies colidem com flauta doce melíflua, percussão excêntrica e uma valsa distorcida de Strauss tocando no rádio. Os Mutantes passam momentos difíceis fazendo covers de Françoise Hardy, The Mamas & the Papas e Jorge Ben – mas também podem ser introspectivos em pérolas assustadoras como “O Relógio”.

5. Los Fabulosos Cadillacs, ‘Fabulosos Calavera’ (1997, Argentina)

4. Milton Nascimento, ‘Clube da Esquina’ (1972, Brasil)

Há uma quietude sobrenatural nas músicas do Clube da Esquina, pilar da música brasileira do coletivo de Milton Nascimento, Lô Borges e outros compositores com ideias semelhantes. No centro deste LP duplo bizantino está a genialidade de Nascimento – a maravilha infantil em sua fusão de nostalgia dos Beatles, folk sagrado afro-brasileiro, um toque de dissonância e peculiaridades de vanguarda. As músicas transbordam de imagens potentes: o sol na cabeça enquanto você anda em um trem azul em “O Trem Azul”, um girassol da cor de seu cabelo na psicodélica “Um Girassol Da Cor Do Seu Cabelo” – ambas de Borges. No concurso “San Vicente”, Nascimento procura um coração pan-americano numa cidade imaginária que pinta com riffs de guitarra folk e sinos em forma de procissão – um gostinho de vida e morte. Mais do que um álbum conceitual, Clube da Esquina parece uma experiência religiosa.

3. Aterciopelados, ‘La Pipa de la Paz’ (1996, Colômbia)

2. Gustavo Cerati, ‘Bocanada’ (1999, Argentina)

1. Café Tacvba, ‘Ré’ (1994, México)

Os países na lista

Argentina e México foram os mais representados, com 11 álbuns. O Brasil vem na sequência com 9. A Colômbia tem 6, o Chile 5 e o Uruguai 4. Cuba, Porto Rico, Peru e Venezuela emplacaram 1 disco cada.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

17 COMENTÁRIOS

  1. Lista esquisita. Tenho esse do Aterciopelados em CD. Discaço,.mas em 3° não! Uns três do Lulu Santos, que tem uma sonoridade parecida, ficam acima por exemplo.

  2. Faltou Secos e Molhados na minha opinião o melhor da América Latina. Faltou Legião Urbana e Barão Vermelho. E Milton Nascimento ótimo disco. (Eu tenho) mas rock?????????????????
    Devo ser radical. Kķkkkkkkkkkk

  3. O cara conseguiu ignorar LEGIÃO URBANA, CAZUZA, LULU SANTOS, CASSIA ELLER, SKANK e tantos outros, para incluir nessa lista quase ridícula, Mutantes e Tribalistas! Fala sério!

  4. Como fã de Soda Stereo e Gustavo Ceratti há uns 30 anos, acho incrível não serem conhecidos aqui no Brasil. Tem fãs até no Japão! O brasileiro ainda é muito fechado ao rock latino, tanto americano quanto espanhol. Na Espanha, como exemplo, na mesma época que estourou Soda Stereo na América do Sul, surgiu na Espanha Heróis del Silencio com o potente vocal de Henrique Bunbury.

  5. Como toda lista, é questionável e tem viés. Embora não sejam roqueiros, assim como Milton, incluiria alguma coisa de Caetano Veloso e Gilberto Gil, dois gigantes muito influentes.

  6. Desde quando Milton Nascimento é rock? Cresci ouvindo tocar Milton nas radio e nunca ouvir ele fazendo rock. Um dos meus favorito somente nacional é Rock’a’ula dos Cascas. É uma aula de rock n roll.

  7. Algumas observações colaterais do ranking:
    1) Nós, brasileños, conhecemos muito pouco do rock e da música pop latino-americana;
    2) Os responsáveis pela seleção da Rolling Stone conhecem pouco, quase nada ou mesmo nada de rock ou música pop brasileira;
    3) Imagino, por extensão, que conheçam o mesmo pouco do rock produzido por nuestros hermanos;
    4) Quase posso suspeitar que o verdadeiro nome dessa lista é “50 discos de música popular latino-americana que conhecemos”;
    5) Listas são listas: as únicas que têm alguma validade ou serventia são aquelas que nós mesmos fazemos.

  8. Faltou Sertãozinho & Chororo, Zé de Carmago & Luciano, Lulu Santos, Pivette Sem Galo, Daniela Mercúrio
    Esqueceram Axé, Pagode, Arrocha, Sertanejo chifrudos, Funk Favela Mc Pipokinha, etc …

    Rollings Stones = UOL = vies politico roxo, doentio. Ali só tens enfumaçados fazendo comédia.

    Engenheiros do Hawaii, Raimundos, Plebe Rude, Irá, Os Fulanos, Pitty, Replicantes, Capital Inicial, Titãs, Sepultura, Chico Science, Massacration, etc …
    RESPEITO AO ROCK NACIONAL

    Esse pessoal do UOL nem ouvem rock. Pois eraram feio até na seleção do disco de Raul Seixas, o best of rock in Roll, foi : Viva Sociedade Alternativa.

    • A lista é da Rolling Stone AMERICANA, que nada tem a ver com o Uol. E mesmo a Rolling Stone brasileira, da qual sou colaborador, só faz parte da rede de sites do portal Uol; sua redação nada tem a ver com o Uol. Não custa nada pesquisar um pouco antes de comentar.

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