Acontece em julho a turnê Masters of Voices, com uma série de shows pela América do Sul sob o comando dos vocalistas Eric Martin (Mr. Big), Edu Falaschi (ex-Angra), Tim “Ripper” Owens (ex-Judas Priest e Iced Earth) e Jeff Scott Soto (ex-Yngwie Malmsteen, Journey etc). O Brasil recebe sete apresentações, entre os dias 13 e 25 do mês citado.
Completam o conjunto o baixista Felipe Andreoli (Angra), os guitarristas Marcelo Barbosa (Angra) e Leo Mancini (Tempestt, Spektra, ex-Shaman) e o baterista Edu Cominato (Soto, Spektra). A tour é uma realização da Top Link Music. Confira a agenda completa abaixo:
- 13/07 – Porto Alegre @ Araújo Vianna. Ingressos na Sympla.
- 15/07 – Curitiba @ Hard Rock Cafe Curitiba. Ingressos no Clube do Ingresso.
- 17/07 – Belo Horizonte @ Mister Rock. Ingressos no Clube do Ingresso.
- 18/07 – São Paulo @ Tokio Marine Hall. Ingressos na Ticketmaster Brasil.
- 19/07 – Limeira @ Mirage Eventos. Ingressos no Circle of Infinity.
- 24/07 – Brasília @ Capital Moto Week. Ingressos na Bilheteria Digital.
- 25/07 – Catanduva @ Sesc Catanduva. Ingressos à venda em breve no Sesc.
Em entrevista ao site IgorMiranda.com.br, Eric Martin revelou como surgiu a ideia para o projeto, contou histórias divertidas e refletiu sobre o fim do Mr. Big, oficializado em 2025 após a conclusão de uma turnê mundial. Confira abaixo o bate-papo completo em vídeo, bem como os destaques em texto.
Entrevista com Eric Martin sobre Masters of Voices, Mr. Big e mais
Como surgiu a ideia do projeto Masters of Voices, idealizado pelo empresário Paulo Baron, da Top Link Music:
Eric: “Conheço Jeff Scott Soto há anos e temos trabalhado juntos em turnês desde o início dos anos 2000, além de eu ter gravado uma música, ‘Mysterious’ (Talisman), em um álbum de regravações dele. Temos uma boa química. Daí toquei em um festival com Jeff perto do Rio [nota: possivelmente Nova Friburgo, em 2025], Tim ‘Ripper’ Owens estava lá, assim como Edu Falaschi. Jeff falou: ‘Eric e eu nos damos bem, Tim também se dá bem conosco’. E eu conheço Edu Falaschi, o encontrei algumas vezes ao longo dos anos e me dou muito bem com ele. E de alguma forma, Paulo Baron, a lenda, ouviu isso e juntou todo mundo. Planejamos isso por um ano, pois é difícil dar certo quando há tanta gente envolvida.”

Sobre o baterista da banda de apoio: Edu Cominato, que já tocou com o Mr. Big:
Eric: “Conheci Edu Cominato quando o Mr. Big tocou com Geoff Tate no Brasil [em 2017]. Edu tocava com Geoff nessa época. Não lembro ao certo da ordem cronológica, mas logo depois, Pat Torpey [baterista original do Mr. Big] ficou muito doente ou já faleceu, e tínhamos obrigação contratual de realizar alguns shows. Edu fez um teste para a banda e quase o trouxemos. Ele tocou ‘Take Cover’ sem esforço e ainda cantou os backing vocals. Nem todo mundo consegue! Não deu certo de ele entrar por outros motivos, um deles porque ainda estávamos de luto por Pat. Uns dois anos depois, falei com ele e o chamei para tocar com o Mr. Big por um tempinho [nota: em 2024, durante apresentações na Europa e Reino Unido feitas enquanto o titular Nick D’Virgilio estava ausente]. Ele é um dos caras mais legais que conheço, além de ótimo músico.”

O nome da turnê Masters of Voices:
Eric: “Parece nome de torneio de golfe, né? Quando ouvi o nome pela primeira vez, pensei: ‘nunca quero pensar que sou um mestre da voz’. Anos atrás, fiz um projeto no Japão chamado Mr. Vocalist. Soa pretensioso. ‘Masters’ me faz pensar: ‘nossa, será que sou mesmo um mestre?’. Mas soa legal. Estou me acostumando. Soa metal! E agora estamos falando MOV [sigla].”
Quando Edu Falaschi e Chuck Billy, do Testament, foram assistir a um show de Eric Martin no Blackmore Bar, em São Paulo:
Eric: “Espremeram umas 600 pessoas num lugar pequeno e estava um calor insuportável. Parecia uma sauna! Estava suando feito um porco e me esforçando bastante para aquelas 600 pessoas que vieram ver ‘o vocalista do Mr. Big’, pois aquele era um dos meus primeiros shows solo. Edu Falaschi e meu querido amigo Chuck Billy, do Testament, vieram ao show. Fiquei tipo: ‘Nossa, vocês vieram me ver! Que legal!’. Chuck falou: ‘Bom, estamos aqui pertinho; acabamos de tocar juntos num lugar para 8 mil pessoas’. Pensei: ‘Ah, você não veio para me ver. Você só veio para beber’. Era a sua festa pós-show!”

Sobre cantar “Maniac”, música de Michael Sembello e trilha do filme “Flashdance”, junto do Avantasia em pleno Wacken Open Air, famoso festival de heavy metal na Alemanha:
Eric: “Éramos a atração principal e tinha fácil umas 90 mil pessoas. Toby [Tobias Sammet, vocalista] quis tocar essa música, que já havíamos gravado. Ok, é uma música forte, mas para mim, é pop, tipo… ‘Flashdance’! Sou americano, né? É tipo dançar e jogar um monte de água em mim. Então, Toby disse: ‘Aqui na Europa não é assim, essa música é muito forte’. Ainda assim, não é metal. E eu estou na Meca do metal, diante de um mar de camisetas pretas. Quando ele falou para tocarmos, achei que seria linchado. Mas tocamos. Senti a energia da plateia, todos cantando: 90 mil pessoas gritando ‘Maniac’. Se eu consigo tocar ‘Maniac’ no Wacken e não levar uma flechada na cabeça, acho que é tranquilo tocar ‘To Be with You’ no Masters of Voices.”

Sobre ter sido o integrante que discordou do fim do Mr. Big:
Eric: “Eu deixei rolar. Nossa equipe ficava dizendo que Paul [Gilbert, guitarrista] queria se concentrar na família e na carreira solo. Comecei a sentir que estava chegando a hora de pensar que era hora de pendurar as chuteiras. Ao mesmo tempo, eu não queria desistir. Nunca desisto de nada. Nunca saí ou fui demitido do Mr. Big. Só que senti a vibe com a morte de Pat, restando apenas Billy [Sheehan, baixista], Paul e eu. Tivemos bateristas incríveis, mas não parecia o mesmo Mr. Big. Dito isso, as extensas turnês me afetaram. Não gostei disso. Em termos de saúde, eu não estava tão forte quanto gostaria. E realmente senti que o Paul não queria mais fazer isso. Ele ficou esgotado. Há muito planejamento para esse tipo de turnê. Enfim, aí eu deixei rolar. Eu não queria que acabasse, não desisti, mas também não queria uma turnê para sempre.”

Sobre a possibilidade de o Mr. Big voltar:
Eric: “Não vai rolar! Mas eu adoraria se a equipe me ligasse amanhã ou daqui um ano dizendo: ‘ei, o que você acha de tocar em um festival com o Mr. Big?’, por exemplo. Eu diria: ‘sim, com certeza’. Sou o primeiro da lista de e-mails porque a equipe sempre sabe que eu vou dizer ‘sim’. Você pode perceber pelos meus trabalhos: eu nunca digo ‘não’. Só não gosto de shows consecutivos.”

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