Entre abril e novembro de 2008, o Deftones trabalhou no que seria o seu sexto álbum de estúdio. Chamado “Eros”, o disco foi gravado em Los Angeles, nos Estados Unidos, com a participação do produtor Terry Date, mas acabou engavetado.
Em meio ao processo, o saudoso baixista Chi Cheng sofreu um grave acidente de carro. Como o integrante ficou hospitalizado em coma, o grupo resolveu interromper as sessões e, posteriormente, começar novamente do zero. O processo rendeu outro disco: “Diamond Eyes” (2010), com Sergio Vega no instrumento de quatro cordas.
Ao longo dos anos, os integrantes ofereceram respostas diferentes a respeito de um possível lançamento do projeto inédito. Mas, ao que parece, 18 anos mais tarde, “Eros” acabou na íntegra em um fórum online, na última segunda-feira (22).
Segundo a Metal Hammer, ao todo, são 11 canções. Além de inacabadas, as gravações apresentam os títulos provisórios “Destiny”, “Brenda”, “Melanie”, “Smile”, “Margot”, “Candy”, “Sable”, “Electra”, “Trempest”, “Diamond” e “Briana”.
A única faixa do material que chegou oficialmente a público foi “Smile”. Já sabia-se, porém, que a banda havia idealizado cerca de 12 canções para o trabalho descrito como “realmente experimental e sombrio”.
Vale ressaltar que, ao Independent em 2016, Chino Moreno ressaltou que ele e os colegas nunca chegaram a finalizar as letras e vocais do trabalho. Oferecendo um panorama geral de “Eros”, o cantor detalhou à época:
“Musicalmente, estava cerca de 75% a 80% pronto e as letras estavam pela metade, mas, honestamente, eu não estava muito satisfeito com o material que tínhamos. A parte musical estava um pouco fraca […]. Se o disco estivesse pronto e só estivéssemos segurando ele, provavelmente já o teríamos lançado — talvez até de graça — só para as pessoas ouvirem, mas exigiria muito mais trabalho para finalizá-lo.”
O que diz o Deftones?
Até o momento, o Deftones não pronunciou-se a respeito do vazamento. De qualquer forma, recentemente, a banda havia mencionado em entrevistas a criação de “Eros” e a possibilidade de disponibilizá-lo.
Perguntado acerca do tema em entrevista ao The Guardian no ano passado, Chino Moreno foi realista e jogou um balde de água fria nos fãs que esperavam ouvir o disco. Nas palavras do vocalista, é provável que o álbum nunca saia oficialmente porque, ao seu ver, não faz sentido retomar ideias tão antigas e inacabadas:
“Provavelmente o disco nunca verá a luz do dia. Lançá-lo envolveria voltar àquele período, ressuscitar coisas inacabadas e, de algum jeito, concluí-las. ‘Dallas’ é a única música que estava minimamente pronta. O novo álbum [‘Private Music’] começou com ideias que estávamos desenvolvendo sozinhos, durante a pandemia. E quando nos reunimos para realmente começar a fazer o disco, nenhum de nós quis olhar para trás, para aquelas ideias da pandemia — queríamos capturar o momento em que estamos hoje. Então, voltar para tentar capturar o que estava acontecendo durante ‘Eros’ e terminar aquelas ideias não faz muito sentido.”
Por sua vez, o baterista Abe Cunningham ofereceu uma perspectiva mais positiva. Conversando com Igor Miranda para a Rolling Stone Brasil, o músico levantou a possibilidade de “Eros” ser liberado ao menos como um EP no futuro, por mais que não queira dar certeza:
“O álbum nunca foi concluído porque Chi sofreu o acidente quando estávamos trabalhando nele. Estávamos tentando voltar a ter uma irmandade e amizade após muito tempo de banda. Foi uma época muito catártica. Tem algumas músicas muito boas, outras nem tanto, então talvez saia em forma de EP com algumas delas, não sei. Sei que as pessoas gostariam de ouvir porque é a última gravação de Chi. Mas não está pronto. Ainda precisa de muito trabalho. Então, quem sabe?”
O integrante já havia manifestado o mesmo interesse anteriormente. À Download TV em 2020, o membro sugeriu a hipótese e revelou quais eram os desafios para que o plano tomasse forma (via Metal Injection):
“Conversamos sobre talvez lançar uma versão condensada ou um EP com quatro ou cinco músicas, o que até faz sentido. Mas precisamos resolver todas as questões legais e também temos que terminar o material. Mas sim, seria legal se finalmente visse a luz do dia. O álbum nunca foi concluído e é isso que as pessoas não entendem […]. E, para ser sincero, não é tão bom assim. Mas há algumas músicas que são realmente boas.”
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