Paralelamente ao Knotfest, Trivium faz espetáculo matador no Cine Joia

Apresentação da banda americana foi a primeira de uma série de sideshows que antecipam a primeira edição do festival comandado pelo Slipknot

No próximo domingo (18), São Paulo irá receber pela primeira vez o Knotfest – festival idealizado pelo Slipknot. Além dos “donos da festa”, o evento irá contar com shows de alguns dos nomes mais importantes do metal mundial, como Judas Priest, tributo ao Pantera, Bring Me the Horizon, Trivium, Sepultura, entre outros (clique para conferir o lineup completo).

Como aquecimento, apresentações secundárias com atrações do lineup acontecem ao longo da semana em diferentes casas da capital paulista, além de uma (Slipknot + Bring Me the Horizon) no Rio de Janeiro. O pontapé inicial veio na última quarta-feira (14), com o Trivium, no Cine Joia.

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Surgido em Orlando, no estado americano da Flórida, em 1999, o grupo foi iniciado como um projeto extracurricular do jovem Matt Heafy (voz e guitarra) com amigos de escola enquanto ainda cursavam o ensino fundamental. Para aqueles tempos, a proposta era ousada: unir metalcore, death metal melódico e thrash metal – daí o nome “Trivium”. Após lançarem um disco de forma independente (“Ember to Inferno”), assinaram com a Roadrunner Records e se consolidaram como um dos gigantes do metal contemporâneo. São mais de 20 anos de carreira e dez álbuns lançados – o último, “In the Court of the Dragon”, saiu ano passado.

*Fotos de Gustavo Diakov / @xchicanox

Quando até os roadies empolgam…

Aberto às 21h, o Cine Joia foi rapidamente ocupado por vários headbangers que já se aglomeravam na praça Carlos Gomes. Enquanto aguardavam, os fãs puderam tirar fotos com o banner que destacava a arte oficial do show e acompanhar a discotecagem, com uma tracklist que foi de Judas Priest (“Painkiller”) a Cannibal Corpse (“Evisceration Plague”). As reações ensurdecedoras do público enquanto os roadies arrumavam os pedestais, por volta das 21h40, mostravam que todos ali estavam animados – afinal de contas, o grupo até então só havia vindo ao Brasil uma vez, em 2012.

Com três minutos de antecedência em relação ao horário oficial, Matt Heafy, Corey Beaulieu (guitarra), Paolo Gregoletto (baixo) e Alex Bent (bateria) subiram ao palco sob o som da intro “IX”. Aplaudidos e sob gritos do nome da banda, iniciaram com “What the Dead Men Say”. Os presentes cantaram a plenos pulmões e vibraram na ponte, onde Corey executa um breakdown e Alex responde na bateria com stomps e grinds antes do solo. Sem pausas, “Down from the Sky” manteve a energia da pista em seu ápice, com Matt e Corey se aproximando da grade de proteção para pedir gritos de guerra enquanto tocavam o riff marcante de abertura.

Ao término da dobradinha, Matt cumprimentou os fãs em português com um animado “olá, boa noite, São Paulo” e ainda falou sobre como o “Trivium ama o Brasil”. Na sequência, veio o emblemático riff de “The Sin and the Sentence”, uma das principais faixas da carreira do grupo. Aqui, o público se comportou de forma inusitada: além de acompanhar as notas do solo de guitarra aos gritos, alguns fãs abriram um moshpit no camarote, na parte superior da casa.

Feijoada, jiu jitsu, games e peso

Após a porradaria insana, “Until the World Goes Cold”, oriunda do álbum “Silence in the Snow” (2015), acalmou o público – ainda que centenas tenham unido forças para cantar alto o icônico refrão. Com um “f#cking” ao fim de cada frase, Matt Heafy elogiou a energia dos fãs e pediu para a galera pular o mais alto possível em “A Gunshot to the Head of Trepidation” – single de “Ascendancy”, primeiro álbum do Trivium pela Roadrunner Records. Aqui, o frontman mostrou que além de fazer excelentes guturais, também manda bem em vocais limpos. Na sequência, uma surpresa: “Forsake Not the Dream”, faixa de “In Waves” (2011) que não tem aparecido com frequência nos últimos shows.

O simpático Matt comentou a respeito de sua primeira visita ao Brasil, em 2012. A primeira lembrança foi de quando deixou o aeroporto e logo foi convidado para comer feijoada e tomar caipirinha. Além disso, afirmou que a viagem mudou sua vida para sempre, já que, aqui, assistiu a uma luta de jiu jitsu que o convenceu a praticar a arte marcial no retorno aos Estados Unidos. A paixão pelo país é tamanha que ele revelou estar produzindo um jogo virtual com elementos da cultura brasileira.

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Chega de conversa: Heafy pediu luzes de celulares ao tocar “The Shadow of the Abattoir”, uma das músicas mais criativas do Trivium, que une passagens lentas com blast beats violentos. Em seguida, para a felicidade dos fãs mais fervorosos, uma série de faixas “lado B”, a exemplo da “In the Court of the Dragon”, “Catastrophist” e “To the Rats”. Ao finalizar o bloco de faixas secundárias, Matt gerou uma “onda humana” na pista, com centenas de pessoas pulando em sincronia ao riff inicial de “The Heart from Your Hate”. Satisfeitos, os músicos resolveram atender a pedidos dos fãs ao tocarem “Shogun” – outra canção que raramente aparece nos shows.

Encerramento apoteótico

Próximo ao encerramento, vieram mais dois clássicos: “Strife” e “Pull Harder on the Strings of Your Martyr”. Para estimular o público, Matt provocou ao dizer que São Paulo foi apenas “uma das melhores plateias da turnê”, mas que aquela era a última chance do público provar que os brasileiros eram os “the f#cking best”. Como resposta, a multidão armou dois circlepits em pontos diferentes da pista, e alguns até arriscaram crowdsurfings.

O encerramento com chave de ouro veio com a prova máxima do domínio que um artista pode exercer sobre seus seguidores. O frontman do Trivium pediu para a plateia se sentar no chão e levantar apenas quando a banda começasse a executar os riffs de “In Waves”. Dessa forma, a noite foi encerrada com uma multidão de pessoas “surgindo” do chão do Cine Joia para cantar alto com seus ídolos.

Particularmente, nunca fui um grande fã de Trivium. Quando mais novo, adorava Bullet For My Valentine – banda geralmente rotulada em sites voltados ao público headbanger como “o Trivium do País de Gales”. Até por isso, nunca me aprofundei no trabalho do grupo. Logo em seguida, me aprofundei no hardcore e no punk old school, me afastando do metalcore dos anos 2000.

A aproximação veio apenas quando soube que iriam tocar no Knotfest, já que resolvi ouvir a discografia e assistir a alguns vídeos de shows no YouTube. A experiência foi chocante. Trata-se de um grupo profissional e atualmente muito maduro, com execução perfeita de variadas técnicas típicas de segmentos diversos do heavy metal. Não pude evitar em pensar: “esses caras são incríveis e deveriam estar no topo do mundo”. Ao testemunhar pessoalmente, só tive a comprovação disso. É uma das bandas mais talentosas do planeta.

*Fotos de Gustavo Diakov / @xchicanox

Trivium – ao vivo em São Paulo

  • Local: Cine Joia
  • Data: 14 de dezembro de 2022
  • Turnê: Deadmen and Dragons

Repertório:

  1. IX (intro)
  2. What the Dead Men Say
  3. Down From the Sky
  4. The Sin and the Sentence
  5. Until the World Goes Cold
  6. A Gunshot to the Head of Trepidation
  7. Forsake Not the Dream
  8. The Shadow of the Abattoir
  9. In the Court of the Dragon
  10. Catastrophist
  11. To the Rats
  12. The Heart From Your Hate
  13. Shogun
  14. Strife
  15. Pull Harder on the Strings of Your Martyr
  16. Capsizing the Sea + In Waves

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Guilherme Góes
Guilherme Góeshttp://www.igormiranda.com.br
Guilherme Góes, 27 anos, estudou jornalismo na Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Apaixonado por música desde criança, participa do cenário musical independente paulistano desde 2009. Já passou pelos veículos Besouros.net e Hedflow.

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