Guiado por Tatiana Shmayluk, Jinjer tem passagem vitoriosa pelo Bangers

Show da banda ucraniana mostrou que sua cantora domina o palco com uma presença que poucas figuras no metal atual conseguem replicar

Não tem como não associar o show da banda ucraniana Jinjer à cantora Tatiana Shmayluk. Desde o figurino usado no Bangers Open Air 2026, com um vestido rosa chamativo em meio ao preto usual de um festival de música pesada, à impressionante performance vocal, que sai de falsetes singelos aos gritos agressivos, a apresentação de pouco menos de uma hora no Hot Stage girou em torno dela.

A quarta passagem pelo Brasil trouxe um novo disco na bagagem, “Duél” (2025), lançado meses depois da última visita ao país no final do ano anterior. Vindo de Donetsk, o grupo viu as manifestações da cantora sobre a devastação de sua terra natal após a invasão russa a partir de 2022 ajudarem a dar proeminência à sua ascendente carreira.

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Seja pela frequência das visitas ou militância antiguerra, o Jinjer consolidou um bom público no país também graças à sua sonoridade única, que varia do rock alternativo ao metalcore, passando pelo djent, ao sabor da forma de cantar de Shmayluk.

Ao contrário de outras bandas que tocaram no Hot Stage, os ucranianos souberam utilizar o som de bumbo processado na bateria cheia de polirritmia de Vladislav Ulasevich, evidente em faixas como “Vortex” ou “Disclosure!”, ambas do álbum “Wallflowers”, de 2021.

Boa parte das harmonias que dão sustentação às linhas vocais da frontwoman vem do baixista Eugene Abdukhanov, algo evidenciado em “Perennial”, uma das duas faixas do EP “Micro” (2019) tocadas no palco principal do Bangers Open Air.

Assim, o som da guitarra de Roman Ibramkhalilov muitas vezes acompanha o peso do ritmo ditado pelo baterista ou floreia os arranjos melódicos em tons mais altos — caso de “Teacher! Teacher”, a outra do citado lançamento.

Foi difícil tirar os olhos da vocalista durante a apresentação sob sol inclemente do Hot Stage. “Um hardcore do Jinjer vai ajudar”, avisou ela ao anunciar “Fast Draw”, frenética composição de “Duél”, que, com seis músicas executadas no Memorial da América Latina, ocupou metade do repertório.

A pesada faixa-título variando djent e metalcore havia iniciado o set, com a cantora achando um jeito de encaixar danças ciganas a suas melodias suaves misturadas às métricas imprevisíveis da seção rítmica antes do breakdown com vocais agressivos.

A tarefa pareceu mais fácil na sinuosa introdução de “Green Serpent” na sequência. No entanto, como ficou evidente durante a tarde, nenhuma canção seguia um padrão claro do início ao seu final, apesar das durações majoritariamente abaixo dos quatro minutos.

Na reta final, a situação se repetiu nos compassos iniciais de “Someone’s Daughter”, última executada de “Duél”, que flerta com o formato de balada, com as subidas da música sugerindo alguma catarse. Parece ter funcionado melhor em “Pisces”, penúltima do show, que acabou com a pancadaria de “Sit Stay Roll Over”, ambas de “King of Everything”, de 2016.

Ao fim da apresentação, o que restou no Hot Stage foi a sensação de que o Jinjer já se sente como um velho conhecido em terras brasileiras. Entre o peso técnico do instrumental e o carisma magnético de Shmayluk, o quarteto ucraniano provou que, mesmo sob o sol inclemente, sua música é capaz de criar uma atmosfera onde a brutalidade e a beleza não apenas coexistem, mas dependem uma da outra.

Jinjer no Bangers Open Air 2026 — repertório:

  1. Duél
  2. Green Serpent
  3. Fast Draw
  4. Vortex
  5. Disclosure!
  6. Tantrum
  7. Teacher, Teacher!
  8. Hedonist
  9. Perennial
  10. Someone’s Daughter
  11. Pisces
  12. Sit Stay Roll Over

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Thiago Zuma
Thiago Zuma
Formado em Direito na PUC-SP e Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, Thiago Zuma, 43, abandonou a vida de profissional liberal e a faculdade de História na USP para entrar no serviço público, mas nunca largou o heavy metal desde 1991, viajando o mundo para ver suas bandas favoritas, novas ou velhas, e ocasionalmente colaborando com sites de música.

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