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Como o Black Sabbath implodiu na era Dio, segundo o cantor

Vocalista ficou feliz com o resultado do disco "Heaven and Hell" (1980), que marcou a sua estreia na banda, mas não escondeu os problemas internos

O Black Sabbath deu início à fase com Ronnie James Dio no álbum “Heaven and Hell”. Lançado em abril de 1980, o disco marcou a estreia do vocalista e teve bom desempenho nas paradas — algo que o próprio fez questão de destacar à época.

Ainda assim, o saudoso cantor não escondeu os desafios enfrentados pela banda. O tema veio à tona em uma entrevista de 1981 à Radio Trent, resgatada pelo canal Igor’s Rock Universe e compartilhada pela Ultimate Guitar.

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No bate-papo em questão, Dio, primeiramente, descreveu o material como “brilhante”. Para o artista, o grupo conseguiu provar por meio do projeto que, mesmo com o fim da formação clássica, ainda estava no jogo: 

“Acho que o álbum é brilhante, de verdade. Estou muito satisfeito. Agora temos patamares mais altos para alcançar, porque temos o ‘Heaven and Hell’ como base. Ficou provado que a banda, na sua formação clássica, não era tudo. O fim não significava que o Sabbath tinha acabado. O álbum, com todo o sucesso, mostrou que a banda podia voltar a fazer música competitiva.“

Apesar do resultado positivo, Dio afirmou em seguida que “houve um período de baixa” no grupo devido à falta de contribuição de certos membros — sem especificar o período. Em suas palavras, a situação acabou superada:

“Houve um período de baixa ali no meio, acho que pela falta de contribuição de certos membros, que vou deixar anônimos neste momento, e isso acabou fazendo tudo meio que desmoronar. Mas todos nós acreditávamos no que estávamos fazendo com o Sabbath. Acreditávamos muito na música que estávamos criando, nas composições e na forma como gravamos tudo e voltamos à produção. E o sucesso não surpreendeu nenhum de nós, de forma alguma. E não estou falando de um lugar egocêntrico, a gente já achava que era um álbum muito bom quando o fizemos.”

Problemas com Geezer Butler

Vale mencionar que, em outra ocasião, Dio ressaltou que compôs todo o disco ao lado do guitarrista Tony Iommi e mencionou especificamente problemas com o baixista Geezer Butler. Conforme a Loudwire, o vocalista disse:

“Geezer [Bulter] ficou lá só por alguns dias depois que eu cheguei. Então Tony e eu compusemos tudo. Fomos para a Flórida com outro baixista para começar a gravar. E, no meio disso, o Geez ligou para o Tony e disse: ‘eu realmente gostaria de voltar, existe alguma chance?’ De qualquer forma, eu já achava que não estava funcionando tão bem com o outro baixista que tínhamos contratado. Mas senti que era importante o Geezer tocar com o Tony. Então foi uma decisão óbvia. Isso acabou sendo mais uma turbulência com a qual tivemos que lidar, porque ele não estava exatamente no melhor estado mental naquela época.”

Sabe-se que nos estágios iniciais de “Heaven and Hell”, Butler deixou a banda por razões pessoais, relacionadas, especialmente, ao divórcio de sua então esposa. Posteriormente, o baixista, de fato, voltou para gravar o disco, mas todas as letras foram compostas por Dio, e não pelo músico, sempre responsável por tal função. 

Dois substitutos chegaram a ser convocados para a vaga. Inicialmente, Craig Gruber, ex-colega de Dio no Elf e Rainbow, assumiu o posto. Pouco tempo depois, foi substituído por Geoff Nicholls, do Quartz, que também tocava outros instrumentos, como guitarra e teclados. No fim, acabou mantido como tecladista. 

Por sua vez, Bill Ward também esteve, de certa forma, ausente. Os pais do baterista haviam falecido pouco tempo antes, além do integrante ainda sentir a falta de Ozzy Osbourne, o que agravou o seu vício em álcool. 

Black Sabbath e “Heaven and Hell”

Lançado em 25 de abril de 1980, “Heaven and Hell” foi o nono trabalho de estúdio do Black Sabbath. O trabalho marcou a estreia do vocalista Ronnie James Dio, além de ser o primeiro a contar com Geoff Nicholls nos teclados.

Chegou ao 9º lugar na parada britânica e 28º nos Estados Unidos, melhor desempenho desde “Sabotage” (1975). É o terceiro mais vendido da carreira da banda, atrás apenas de “Paranoid” e “Master of Reality”. Ganhou disco de platina em território norte-americano e prata na Inglaterra.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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