O Eurovision Song Contest 2026, competição musical mais importante da Europa, acontecerá entre os dias 12 e 16 de maio. Como participantes, estão os membros ativos da União Europeia de Radiodifusão (UER), em sua maioria países europeus, além de convidados, o que inclui Israel — representado pelo cantor Noam Bettan com a música “Michelle”.
Uma série de artistas, porém, não quer o território na competição. Depois de Espanha, Países Baixos e Irlanda saírem da disputa por esse motivo em dezembro, um manifesto da classe artística passou também a advogar pela exclusão.
Nomes como Roger Waters, grande defensor da Palestina, Brian Eno e Peter Gabriel assinaram a iniciativa criada pelo movimento No Music for Genocide. Por sua vez, as bandas Primal Scream, Kneecap, Massive Attack, Idles, Of Monsters And Men e Hot Chip também manifestaram apoio.
A campanha pede pela retirada de Israel do evento, tomando como referência a decisão de barrar a Rússia após a invasão da Ucrânia, em 2022. Parte do texto afirma:
“Neste mês de maio, milhões de pessoas devem acompanhar o 70º Eurovision Song Contest. Pelo terceiro ano consecutivo, verão Israel sendo celebrado no palco, apesar do genocídio em curso em Gaza, enquanto a Rússia permanece banida por sua invasão ilegal da Ucrânia.
Como músicos e trabalhadores da cultura — muitos atuando em países ligados à União Europeia de Radiodifusão —, rejeitamos o uso do Eurovision para encobrir e normalizar o genocídio, o bloqueio imposto a Gaza e a ocupação militar brutal de Israel contra os palestinos.
Também declaramos solidariedade aos apelos palestinos para que emissoras públicas, artistas, organizadores de eventos de exibição, equipes técnicas e fãs boicotem o festival até que a EBU suspenda a emissora israelense KAN, considerada cúmplice. Ainda elogiamos as saídas da Espanha, Irlanda, Islândia, Eslovênia e Países Baixos, por príncipios, além de destacar finalistas de seleções nacionais que se comprometeram a não participar do Eurovision […].
O presidente de Israel, Isaac Herzog, teria desempenhado um papel central ao pressionar emissoras a não banirem Israel do concurso, considerado o evento de música ao vivo mais assistido do mundo […]. Em 2022, a EBU afirmou que a presença da Rússia “traria descrédito à competição”. Ainda assim, mais de 30 meses do que os autores descrevem como genocídio em Gaza — juntamente com acusações de limpeza étnica e apropriação de terras na Cisjordânia — não foram considerados suficientes para que a mesma medida fosse aplicada a Israel […].
Há momentos em que o silêncio passivo não é uma opção. Nós nos recusamos a permanecer em silêncio enquanto a violência genocida de Israel serve de trilha sonora e silencia vidas palestinas. Quando crianças em prisões israelenses sofrem agressões por cantarolar uma música. Quando o que resta de quase todos os palcos, estúdios, livrarias e universidades em Gaza são pilhas de escombros, sob as quais corpos ainda aguardam resgate e um enterro digno.
Como artistas, reconhecemos nossa força coletiva e o poder da recusa. Recusamo-nos a ficar em silêncio. Recusamo-nos a ser cúmplices. Convidamos outros profissionais da nossa indústria a se juntarem a nós.”
Roger Waters e Eurovision
Vale destacar que, há anos, Roger Waters critica o Eurovision pela inclusão de Israel. Para o The Guardian em 2019, o ex-Pink Floyd escreveu até mesmo um artigo, pedindo para que Madonna não cantasse na final marcada em Tel Aviv.
Em certo trecho, pontuou:
“A decisão de Madonna de aceitar o convite para se apresentar em Tel Aviv, na final do Eurovision Song Contest em maio, levanta, mais uma vez, questões éticas e políticas de grande importância para todos nós refletirmos.
Em Paris, em 1948, a então recém-criada Organização das Nações Unidas elaborou e adotou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que consagrou no direito internacional que todos os nossos irmãos e irmãs ao redor do mundo, independentemente de etnia, nacionalidade ou religião, possuem certos direitos fundamentais, incluindo — mas não se limitando a — o direito à vida, à liberdade e à autodeterminação.
Diante disso, a pergunta que cada um de nós deveria fazer é: concordo com a Declaração da ONU?
Se a resposta for sim, surge uma segunda questão: estou disposto a sustentar esse apoio aos direitos humanos na prática? Vou ajudar meus irmãos e irmãs em sua luta por esses direitos ou vou simplesmente virar o rosto e seguir em frente?
No contexto da discussão atual sobre o local da final do Eurovision e a participação de Madonna e de outros artistas, os ‘irmãos e irmãs’ em questão são o povo palestino, que vive sob um regime de ocupação descrito como profundamente repressivo e de apartheid, sem usufruir plenamente dos direitos à vida, à liberdade e à autodeterminação.”
À época, o músico ainda assinou uma carta publicada no mesmo veículo, que propunha o boicote à competição.
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