O Sepultura anunciou a aposentadoria dos palcos em dezembro de 2023. À época, a banda confirmou a turnê de despedida “Celebrating Life Through Death” e revelou que o giro deveria durar cerca de 18 meses.
No fim das contas, o grupo acabou estendendo um pouco mais a excursão, iniciada em março de 2024 e que, em breve, será concluída em definitivo. Como divulgado recentemente, o show final acontecerá no dia 7 de novembro, na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo.
Durante recente coletiva de imprensa concedida no Rock in Rio Lisboa, Andreas Kisser destacou que ele e os colegas estão firmes quanto à decisão de parar. Nas palavras do guitarrista, há “zero arrependimento”.
Conforme transcrição do Estadão, o músico explicou:
“Não adianta falarmos ‘agora está legal, vamos continuar’. Estaríamos enganando [os fãs]. Estamos muito tranquilos e com zero arrependimento. Trabalhamos muito duro para que pudesse acontecer dessa forma.”
Ainda em 2023, também em coletiva, o integrante pontuou que a ideia de uma última turnê já vinha sendo trabalhada internamente desde cerca de 2021. Mencionando os motivos que levaram ao veredito, Kisser ressaltou o sentimento de “dever cumprido”:
“Saímos de cena de uma forma tranquila, em paz com a gente mesmo. Muito do que passei com a minha esposa, essa coisa da morte, da finitude… a própria carreira do Sepultura teve várias finitudes, a minha entrada, a saída do Jairo [Guedz, guitarrista original]… a saída do Max [Cavalera], do Iggor [Cavalera], Jean [Dolabella], a entrada do Eloy [Casagrande]. São ciclos. Estamos tranquilos com o que estamos fazendo. Queremos celebrar, não é um momento triste. Não queremos ver o Sepultura acabar por uma briga ou alguém entrando em um rehab e não podendo subir no palco. São novos desafios individuais, mas sempre representando o coletivo […]. Estamos felizes e muito agradecidos com tudo que aconteceu na nossa história, fizemos grandes álbuns e shows, cultivamos amizades, conhecemos nossos ídolos, ajudamos a colocar o metal brasileiro no mapa mundial e, agora, deixamos a cena com o sentimento de dever cumprido.”
Ainda assim, o próprio não descarta apresentações esporádicas do Sepultura no futuro. Ao conversar com o Jaimunji em abril, o guitarrista trouxe o assunto à tona:
“Cara, eu não descarto nada. É irrelevante dizer se a aposentadoria vai ser para sempre ou se vamos voltar. A coisa mais importante é que vamos parar agora. Precisamos desse descanso, porque organizamos tudo ao redor disso. Precisamos de nosso tempo, precisamos de tempo para olhar em uma direção diferente.”
O show final do Sepultura
O Sepultura anunciou os detalhes de seu último show. A performance encerra a turnê de despedida “Celebrating Life Through Death”, iniciada em março de 2024 e com mais de 130 apresentações realizadas até o momento.
O evento derradeiro está marcado para o dia 7 de novembro, na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo. A produção é da Live Nation e os ingressos estão à venda no site da Ticketmaster Brasil.
As atrações de abertura incluem os brasileiros do Krisiun, os americanos do Sacred Reich e também o Metal Allegiance. O supergrupo é capitaneado pelo baixista Mark Menghi e traz em sua formação Mike Portnoy (bateria, Dream Theater), Phil Demmel (guitarra, ex-Machine Head), Troy Sanders (baixo, Mastodon) e a dupla Chuck Billy e Alex Skolnick, vocalista e guitarrista do Testament, respectivamente.
Entre os ex-integrantes confirmados estão o baterista Jean Dolabella, que esteve no Sepultura entre 2006 e 2011, e o guitarrista Jairo Guedz, guitarrista original, que fez parte do grupo entre 1985 e 1987. Mais atrações e convidados podem ser anunciados até a data do show.
Sabe-se que os membros fundadores Max (voz e guitarra) e Iggor Cavalera (bateria) não devem participar. Em declaração à Rolling Stone Brasil, Andreas Kisser declarou:
“Liguei para o Iggor alguns meses atrás. Tivemos uma conversa sensacional e muito cordial. Falamos de outros assuntos: família, futebol… foi muito legal. Então, fiz o convite. Ele disse: ‘cara, a gente não sente parte disso, a gente não se sente confortável’. Deu os motivos dele para não querer fazer parte disso. Ok. Por meio dos empresários, também enviamos oficialmente um contato lá [para Max] e também recebemos a negativa. Não sei se foi diretamente da Gloria [esposa e empresária de Max] ou do advogado, mas fomos pelos dois caminhos: um caminho direto, onde falaram ‘não’, e outro mais burocrático, onde também foi falado ‘não’. Se chegou na Gloria ou não, isso não tenho como dizer. Só posso te dizer o que tivemos de retorno. E está de boa. Acho que tínhamos que fazer o convite. Seria muito legal a participação deles.”
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