Roberto Barros, guitarrista que trabalhou com Edu Falaschi entre 2017 e 2025, teceu críticas públicas ao vocalista recentemente. Por meio de vídeos nos Stories do Instagram, o músico acusou o ex-cantor do Angra de não lhe dar os devidos créditos no disco “Vera Cruz” (2021) e relatou episódios em que não teria recebido tratamento adequado nas turnês, nem cachês condizentes.
O artista alegou que ganhava um valor mais baixo que os colegas e que arcava com despesas como aluguel de equipamento. Segundo relatado, houve uma discussão na van da banda em 2018, após show na Itália, quando foi dito que todos os músicos haviam recebido cachê de R$ 1 mil por uma apresentação anterior em São Paulo enquanto, para ele, a remuneração teria sido de R$ 300.
Roberto também afirmou que ele e os outros instrumentistas dormiam em hostels “horrorosos” durante uma turnê em 2024, enquanto Edu ficava em lugares com melhores condições. Em suas palavras, no show do Recife, a hospedagem não tinha “ar condicionado, toalha, nada; tinha pulga dentro do quarto.”
Procurada, a assessoria de imprensa de Falaschi informou que o cantor não iria se manifestar sobre o tema. Porém, o próprio — indiretamente — entrou no assunto durante entrevista ao vivo para o canal Linhagem Geek na última segunda-feira (22).
Sem citar nomes, o vocalista reconheceu que nem todo mundo ficou “100% feliz” em suas turnês solo mais recentes. O cantor trouxe um contraponto e destacou os custos elevados e a logística complicada de colocar os shows na estrada, muitas vezes sem contratante.
Conforme transcrição do site IgorMiranda.com.br, ele disse:
“Teve muito investimento, muita luta, teve muita gente envolvida, teve situação em que nem todos ficaram 100% felizes. É uma empresa. Alguns shows custaram caro pra car*lho, então em 30 shows de alguma turnê, eram shows meus, eu como produtor, sem contratante. Dependendo da situação, eu tinha que transformar todo o trabalho em uma certa logística que funcionasse para a turnê acontecer, pagar todo mundo como teria de pagar […]. A estrada também cobra muito: tensão, distância, cansaço… nem sempre sai com todo mundo 100% feliz.”
Edu ressaltou que nunca deixou de pagar o cachê da banda e o cachê da equipe, mesmo que tirasse do próprio bolso. Como destacado, todos os acordos e prazos foram cumpridos, ainda que não “suprissem a expectativa de 100% das pessoas envolvidas”:
“Toda vez que eu fizer uma produção, um show, duas coisas precisam estar 100% perfeitas independentemente de um ingresso ou 5 mil ingressos vendidos: cachê da banda e cachê da equipe. Sempre pago. Muitas vezes pago do meu dinheiro, pois o contratante pode pagar 30 dias depois […]. Minha prioridade é: pode ter uma pessoa ou 5 mil pessoas na plateia, mas eu preciso pagar a todos na data combinada. Tudo que fiz com banda, equipe, todos os envolvidos… até falei com um integrante da minha banda hoje sobre isso: tudo sempre foi falado, aprovado, combinado e assinado. E eu cumpri com todos os compromissos de cachê e data de pagamento. Às vezes você não consegue suprir a expectativa de 100% das pessoas envolvidas, mas sempre fiz o meu melhor […]. Aprendi que quando você faz uma turnê, você ganha no todo, não por show. Você não pode pensar individualmente, mas no bolo. Você pensa: ‘preciso de X mil reais para bancar 20 pessoas durante 40 dias’. Não dá para falhar, não dá para pagar depois […]. Sempre dei meu melhor. Nada de caso pensado ou botei a galera na estrada sem combinar, ou sem saber o que iria acontecer. Tudo foi organizado, combinado, aprovado e assinado.”
Edu Falaschi: “tive que aprender a ser empresário”
Complementando a questão, o vocalista admitiu que sofreu prejuízos até em shows lotados, como no caso da gravação dos DVDs “Temple of Shadows in Concert” em 2019 e “Vera Cruz Live in São Paulo” em 2022, e que precisou aprender na marra como empresariar todos os envolvidos numa excursão:
“Muitas vezes tomei prejuízo, porque não deu o público que tinha que dar. Muitas vezes tomei prejuízo com 5 mil pessoas, como no show do DVD em São Paulo, pois tudo foi investido no DVD. Era caro, o show era caro, o aluguel da casa era caro. Então eu sabia que aquele show não daria lucro, mas outro daria. Pela rota, você precisaria fazer aquele show, pois não daria para fazer um show aqui e outro lá […]. Tive que aprender a ser empresário e a gerenciar pessoas, que é difícil pra car*lho, pois cada um é de um jeito. Eu me dediquei muito enquanto outros estavam curtindo. Até o Aquiles [Priester] às vezes falava: ‘vamos pra festa’. E eu estava no computador fazendo contas, tipo: ‘putz, tomei um prejuízo de R$ 5 mil aqui, vou precisar da grana e tal’ […]. É prioridade realizar o show. Independentemente de ter ou não dinheiro: você precisa fazer o show acontecer se você vendeu ingresso e prometeu que teria o show.”
Por fim, Edu mencionou a questão das hospedagens. De acordo com o artistas, muitas vezes, foi preciso ficar em lugares “mais simples” devido à quantidade de despesas:
“Fiz várias turnês que foram muito caras. Porque tinha muito day off [dia livre]. E eu tenho que bancar todo mundo naqueles dias sem ter show. Não tem dinheiro entrando. Então tem segunda-feira, terça, quarta, quinta de day off, e eu pagando para 20 pessoas alimentação, hotel… às vezes, tinha que reduzir um pouco o status da turnê, como ficar hospedado em um lugar mais simples. Sempre ficamos em hotéis, mas às vezes fica em uma pousada.”
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