Foto: RockHall.com

Por que o Rock and Roll Hall of Fame também inclui artistas de hip hop e outros gêneros

Greg Harris, CEO da instituição, afirma que rock “nunca foi apenas quatro caras magros com cabelos compridos e guitarras na mão”

O Rock and Roll Hall of Fame, definitivamente, não é uma unanimidade. Sempre que sai a lista de homenageados de cada ano, há polêmica sobre os critérios da organização, que ignora grandes nomes do rock e do heavy metal e inclui artistas de hip hop, pop e vários outros gêneros musicais.

Em 2021, a situação voltou a ser discutida. O rapper Jay-Z foi escolhido entre os homenageados, enquanto o Iron Maiden ficou de fora mais uma vez.

Para tentar – mais uma vez – colocar uma pedra sobre a questão, o CEO do Rock and Roll Hall of Fame, Greg Harris, falou sobre o assunto em uma entrevista para a rádio WBAB, transcrita pelo Blabbermouth.

A ausência de gigantes do rock no Rock and Roll Hall of Fame

Especificamente sobre o Iron Maiden, Greg Harris explicou que a banda britânica ficou de fora devido ao sistema de votação da instituição, com a vitória de Foo Fighters, Jay-Z, Tina Turner, The Go-Go’s, Carole King e Todd Rundgren entre os 16 nomes indicados. Ao todo, são mais de mil especialistas do segmento da música, como artistas, jornalistas, representantes de gravadoras e outros profissionais do meio, representando o júri.

“Não há dúvidas de que o Iron Maiden é uma banda impactante e influente. É por isso que eles foram indicados esse ano, junto com outros 15 artistas e grupos. Quando os votos entraram, esses seis eram os líderes. Então, não estamos questionando se eles são uma banda importante, se tiveram impacto ou se foram influentes.”

Muitas pessoas criticam a organização por incluir artistas da cena hip hop, como Jay-Z, Tupac Shakur e Public Enemy, entre outros, bem como artistas com pouca ou nenhuma conexão com o rock, como Madonna, Michael Jackson, Whitney Houston, ABBA e Aretha Franklin.

Harris também falou sobre essas críticas, de pessoas que dizem que o Rock and Roll Hall of Fame não faz jus ao nome:

“Para ser bem direto, as pessoas gostam das coisas que são mais próximas a elas, e acho que precisam expandir o que pensam sobre rock and roll. É um leque amplo. Rock and roll nunca foi apenas quatro caras magros com cabelos compridos e guitarras na mão. Sempre foi diversificado. Temos a interpretação de que todos esses gêneros são variantes de rock and roll. E eu acho que, no fundo, isso frequentemente chega à questão do hip hop porque algumas pessoas não são fãs.”

Para ser elegível ao hall da fama do rock and roll, um artista precisa ter lançado seu disco de estreia há 25 anos, no mínimo. Além do Iron Maiden, elegível desde 2005, outros grandes nomes ignorados pela premiação incluem Judas Priest e Motörhead.

Bandas com Kiss e Black Sabbath foram incluídas tardiamente, enquanto Guns N’ Roses e Foo Fighters demoraram bem menos para serem selecionadas.

O evento de 2021

Foo Fighters, Tina Turner, The Go-Go’s, Jay-Z, Carole King e Todd Rundgren vão entrar para o Rock and Roll Hall of Fame em cerimônia marcada para o próximo dia 30 de outubro, em Cleveland, cidade dos Estados Unidos onde é sediada a instituição. Haverá transmissão posterior pela HBO e HBO Max, ainda sem confirmação se o especial será exibido no Brasil.

Além dos seis introduzidos para a chamada “classe de 2021”, haverá reconhecimento a Randy Rhoads, LL Cool J e Billy Preston na categoria Musical Excellend Award; Kraftwerk, Charley Patton e Gil Scott Heron no segmento Early Influence Award; e o fundador da gravadora Sussex Records, Clarence Avant, ao prêmio Ahmet Ertegun Award.

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