Em 1972, o único show do Deep Purple com Randy California na guitarra

Músico recém-saído do Spirit — banda que rendeu acusações de plágio ao Led Zeppelin — substituiu Ritchie Blackmore, com hepatite, em apresentação no Canadá

Atualmente, não é difícil imaginar o Deep Purple com outro guitarrista que não Ritchie Blackmore. Além da passagem de Tommy Bolin nos anos 1970, desde a década final do século passado, a banda já teve Joe Satriani, Steve Morse e Simon McBride como titulares da posição.

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Nos primórdios, parecia uma heresia o homem que foi responsável por levar a banda pelos caminhos do hard rock não estar presente. Mas aconteceu duas vezes. Em 28 de agosto de 1970, devido a um problema de saúde, o futuro astro do soft rock Christopher Cross assumiu a responsabilidade em San Antonio, Texas, Estados Unidos.

Dois anos mais tarde, Blackmore ficou doente mais uma vez, tendo contraído uma hepatite. Em meio a outra turnê pela América do Norte, o grupo resolveu recorrer a Al Kooper. Além do seu Blood Sweat & Tears, o músico colaborou com Bob Dylan, também tendo gravado com os Rolling Stones – é dele a trompa e o piano no hino “You Can’t Always Get What You Want”.

Como podemos observar, se tratava de um multi-instrumentista. E foi justamente aí que o problema começou. Apesar de tocar guitarra, não se tratava de um virtuoso do instrumento. Nos ensaios, ficou claro que a mistura não daria certo. Ainda assim, o quarteto remanescente tentou convencê-lo de que era só fazer as bases e o tecladista Jon Lord se encarregaria de todos os solos.

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Al se sentiu um estranho no ninho e recusou. Ainda assim, indicou um amigo que seria o substituto adequado: Randy California, recém-saído do Spirit e dando início à carreira solo.

Randy California, o discípulo de Hendrix

Nascido em Los Angeles, Randy Craig Wolfe ganhou seu apelido de Jimi Hendrix quando tocava no Jimi James And The Blue Flames. O motivo foi o fato de o baixista da banda também se chamar Randy, o Palmer – que virou Randy Texas.

Após Jimi ir para a Inglaterra, fundou o Spirit. Seu padrasto Ed Cassidy era o baterista. O grupo misturava os primórdios do hard rock com influências psicodélicas e progressivas. Ainda lançou quatro álbuns solo entre 1972 e 1986.

California no Canadá com o Deep Purple

A audição de Randy correu muito tranquila. Experiente, ele soube lidar com as principais músicas e conseguiu memorizar o que era possível. Sobrou até espaço para o toque pessoal em uma das músicas, introduzindo um slide no solo de “Child in Time”.

Além dela, foram executadas na noite de 6 de abril de 1972, de acordo com o Setlist.fm: “Strange Kind of Woman”, “Into the Fire”, “The Mule” (com o solo de bateria de Ian Paice), “Lazy”, “When a Blind Man Cries” (pela primeira vez, aproveitando que o hater da música, Ritchie Blackmore, não estava presente), “Space Truckin’” e o cover para “Lucille”, de Little Richard.

Sim, “Smoke on the Water” e “Highway Star”, maiores clássicos do então recém-lançado álbum “Machine Head”, ficaram de fora. Uma surpresa olhando para trás, mas à época elas não haviam se tornado o que são hoje, tendo demorado a ficar em definitivo no repertório.

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Um registro amador em áudio do concerto existe, tendo sido pirateado mundo afora em vários títulos e formatos. Ele pode ser conferido no player abaixo – faltando “Lucille”. A qualidade não é das melhores, valendo como curiosidade.

Apesar de tudo ter ocorrido de forma satisfatória, o Deep Purple optou por cancelar o restante da turnê. Em 1979, com a banda sem atividades – o que se manteria até 1984 – Randy fez uma excursão pelo Reino Unido como convidado do vocalista Ian Gillan, então com o grupo que levava seu sobrenome.

A trágica morte e a batalha contra o Led Zeppelin

Randy California morreu em 2 de janeiro de 1997, ao ser levado pela correnteza do mar no Havaí. Antes de desaparecer, conseguiu salvar seu filho Quinn, então com 12 anos, o tirando do local mais perigoso.

Recentemente, o nome do Spirit voltou a ficar em voga por conta do processo de plágio envolvendo “Stairway To Heaven”, do Led Zeppelin. A acusação sustentava que Jimmy Page copiou o riff da instrumental “Taurus”. Os britânicos venceram a causa, embora os responsáveis pelo espólio dos americanos ainda tentem reabri-la.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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