Por que não há mais novas bandas grandes de metal, segundo Bruce Dickinson

Vocalista do Iron Maiden citou uma série de possíveis razões para a questão, desde a tecnologia atual ao aumento da idade média do público

Bruce Dickinson acredita que a música é um reflexo da sociedade. O vocalista do Iron Maidenopinou anteriormente que grupos com alto nível de sucesso viram “instituições” e adotam um aspecto conservador quanto ao seu trabalho por causa do público. Ao mesmo tempo, enquanto artistas consolidados em tal patamar continuam lotando estádios, há uma carência de novas bandas grandes de metal. 

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Em entrevista a Juliene Moretti para o site G1, o cantor trouxe uma possível hipótese para a falta de nomes maiores da música pesada. Segundo sua análise, a questão é complexa, já que envolve desde o alto preço de ingressos e a maneira de realizar turnês até a tecnologia, que, muitas vezes, substitui as experiências físicas na nova geração. 

Ele declarou: 

“É uma combinação de fatores de moda na mídia até o jeito que se faz turnê, que mudou a disponibilidade de shows para as bandas tocarem e construírem uma base de fãs ao vivo. O fato de os preços dos ingressos estarem enlouquecidamente mais caros, as pessoas não saem tanto para ver novas bandas e seguirem elas. Tem tantas alternativas em vez de sair e ver uma banda… Você pode assistir YouTube, pode jogar um videogame imersivo, ter a experiência no equipamento de VR, são muitas distrações.”

Outro motivo engloba a quantidade de bandas disputando um espaço e a idade média do público, que parece estar aumentando: 

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“Não temos tantas bandas grandes e eu acho que é por causa do cenário atual. São muitos desafios diferentes e pessoas competindo por atenção e é muito difícil de crescer. Por exemplo, o público na América do Norte está ficando bem velho e o número de jovens está diminuindo, tem menos gente por aí. As grandes bandas como o Maiden e Metallica, que passaram pelos anos de 1980, quando existia um número grande de pessoas com 25 anos por aí, era o fim do baby boom. Mas, agora, por alguma razão, as pessoas não estão tendo mais bebês.”

Foto: Gustavo Diakov / @xchicanox

Bruce Dickinson e as etapas do sucesso

Conversando com a rádio sueca Bandit Rock (via Blabbermouth) em dezembro do ano passado, Bruce Dickinson já havia elaborado uma tese a respeito da escassez de bandas de rock/metal em patamar de arena no cenário atual. À época, citou, como primeiro culpado, a busca incansável por dinheiro dentro da indústria.

“Eu estava com um grande promotor no Brasil semana passada, quando participei da Comic Con em São Paulo, lançando o álbum ‘The Mandrake Project’. Estávamos conversando e ele disse: ‘É um problema real para nós agora, grandes festivais, promotores. Não há nenhuma atração principal’. Você pode contar os headliners nos dedos de uma mão, pessoas que são capazes disso – você os coloca no topo do cartaz e as pessoas falam: ‘Ah, sim, vou ver isso’. E, infelizmente, a razão para isso, eu acredito, é que as grandes corporações assumiram tudo e estão interessadas em ganhar dinheiro. Então elas propagam as grandes atrações, mas não trazem as bandas que criam o enredo para apresentar à base de fãs, criar a dedicação para trazê-lo à tona.”

Depois, mencionou a escalada de etapas para o sucesso, que não está mais sendo cumprida no mercado.

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“Você não se torna atração principal da noite para o dia. É preciso fazer shows em vários lugares, criar uma base de fãs. Então, as pessoas te seguem e de repente você está na Wembley Arena e pensa: ‘Oh meu Deus, esses caras estão tocando em arenas.’ E o próximo passo é: ‘Oh, eles vão ser a atração principal de um festival. Ah, sim, ótimo. Eles são a atração principal do festival.’ E nesse momento você dá um passo nesse mundo.”

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 22 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

2 COMENTÁRIOS

  1. Bobagem. Sempre há mais espaço pra mais talentos.
    O que ele disse é pertinente. Quantas bandas por aí viu com potencial mainstream surgirem ultimamente?

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