Foto: divulgação

Richie Kotzen fala sobre Smith/Kotzen, seu projeto com Adrian Smith, em entrevista exclusiva

Músicos de background relativamente distintos se uniram para projeto focado no hard e classic rock

Adrian Smith e Richie Kotzen se juntaram em um dos projetos mais aguardados do rock em 2021: o Smith/Kotzen, que lança seu álbum de estreia, homônimo, nesta sexta-feira (26).

Smith, britânico nascido em 1957, é guitarrista do Iron Maiden desde 1980, desconsiderando o período em que esteve fora, de 1990 a 1999. É cultuado por sua abordagem melódica na guitarra, por vezes, quebrando o ritmo intenso e frenético de uma das bandas de heavy metal mais famosas do mundo. Também é lembrado pelo bom vocal, que aparece, especialmente, em seus projetos paralelos.

Kotzen, americano que chegou ao mundo em 1970, surgiu como um guitarrista do tipo shredder no fim da década de 80, mas logo provou ser muito mais do que isso. Fez parte das bandas de hard rock Poison e do Mr. Big, além de liderar o The Winery Dogs, sempre colocando sua identidade própria na sonoridade. Tem ainda uma longa carreira solo, com mais de 20 álbuns lançados, onde explora influências que vão do blues ao soul, do jazz ao R&B e por aí vai. Além da guitarra, sempre assumiu os vocais dos discos que gravou, seja como co-vocalista ou como cantor principal.

Como dois músicos de idades, origens e backgrounds artísticos um tanto diferentes, ainda que dentro do rock, se juntaram para esse novo projeto? Em entrevista exclusiva, Richie Kotzen revela ser praticamente vizinho de Adrian Smith.

“Somos amigos e vivemos na mesma vizinhança há algum tempo. Sempre que ele vem para a Califórnia, nos encontramos para jantarmos juntos e coisas do tipo. Além disso, ele tem um cômodo em casa para jams. Geralmente, acabamos nos juntando com outras pessoas para tocar. Mais recentemente, alguém sugeriu que a gente tentasse compor músicas juntos. Achamos uma ótima ideia e decidimos tentar.”

Clique para ler resenha sobre o álbum “Smith/Kotzen”. Ouça o disco, abaixo, via Spotify.

A primeira música que nasceu da parceria foi “Running”, posicionada como a segunda faixa do álbum e já liberada como single, junto de um videoclipe.

“Lembro que quando nos reunimos para compor, a primeira coisa que fizemos foi a música ‘Running’, foi onde tudo começou. Rolou uma química instantânea, bem fácil, com um fluxo de trabalho bem suave. Isso evoluiu para um álbum completo, o que estamos lançando agora. Estou muito feliz com isso, assim como acredito que ele também esteja.”

Sobre o álbum do Smith/Kotzen

Musicalmente, o álbum homônimo do Smith/Kotzen funde elementos que tornaram Adrian Smith e Richie Kotzen famosos no mundo inteiro. O guitarrista do Iron Maiden contribuiu com senso melódico apurado e com a facilidade de construir solos memoráveis. O frontman do The Winery Dogs, por sua vez, ofereceu um groove imbatível e uma habilidade irrevogável de construir ganchos de harmonia, especialmente refrães. Os dois, claro, dividem os vocais – e também impressionam nesse sentido.

“Foi uma experiência tão natural que nem precisou de tanto esforço para dar certo. Cresci como fã do Iron Maiden, então estava muito empolgado com toda a situação. As jams com Adrian mostravam que estávamos nos dando bem e que tínhamos o mesmo gosto por música, seja pelo classic rock, seja pelo blues. Então, acabamos combinando nesse sentido e não precisamos forçar para que as coisas fluíssem. Por exemplo: ele trazia um riff, eu apresentava um refrão, ele fazia uma ponte e ficávamos nesse bate-bola.”

De fato, o rock clássico e o blues guiam a sonoridade do disco. Há, contudo, momentos mais ousados na tracklist, como as três primeiras faixas, que soam mais contemporâneas pelo uso de afinações mais graves na guitarra, e a longa “You Don’t Know Me”, que tem mais de 7 minutos de duração.

Com relação às músicas que recorrem às afinações mais graves – e, por consequência, soam “modernas” –, Kotzen garante que nada foi premeditado.

“Isso veio de Adrian. Ele já trouxe a guitarra afinada daquela forma e eu apenas o acompanhei. Não lembro de conversarmos sobre isso, tipo: ‘ei, vamos usar afinações mais graves’. Mas aconteceu e eu até havia me esquecido. Foi legal você ter percebido, porque, normalmente, uso afinações mais convencionais. O único álbum em que usei afinações mais graves foi ‘Get Up’ (2004). De qualquer forma, foi algo diferente para mim e ocorreu de forma tão natural que ele apenas trouxe o riff de ‘Running’ com aquela afinação. Então, mantivemos daquela forma.”

Participações

Adrian Smith e Richie Kotzen assinam praticamente tudo no álbum. Além de vocais, guitarras e composições, eles cuidaram do baixo e da produção, enquanto Kevin Shirley, produtor de longa data do Iron Maiden, ficou a cargo da mixagem.

Multi-instrumentista disciplinado, Kotzen também tocou bateria em cinco das nove canções. As outras quatro apresentam as únicas participações especiais do disco: os bateristas Nicko McBrain, do Iron Maiden, em “Solar Fire”; e Tal Bergman, da banda solo de Richie, em “You Don’t Know Me”, “I Wanna Stay” e “‘Til Tomorrow”.

Com relação ao lendário Nicko, Richie declarou:

“Fiquei tão empolgado quando Adrian disse que pediria para Nicko tocar em ‘Solar Fire’. Como disse, cresci ouvindo Iron Maiden, então tê-lo nessa música foi a melhor ideia. Ele simplesmente elevou o patamar da música. A forma como ele toca em ‘Solar Fire’ é fantástica: as viradas, o tempo… estava tudo no ponto certo. Foi muito empolgante ter a oportunidade de contar com meu nome próximo ao dele. E essa música me remete a uma vibe tipicamente ‘Richie Kotzen’, de músicas como ‘Mother Head’s Family Reunion’ e ‘Go Faster’. Tem aquela energia Kotzen old school. Fico feliz de poder representar isso no álbum.”

Sobre Tal, parceiro de longa data, o guitarrista e vocalista comentou:

“Tal e eu temos um grande histórico de parceria na música. Tocamos juntos pela primeira vez quando eu tinha 26 anos de idade, depois tocamos quando eu abri para os Rolling Stones (em 2006) e, mais recentemente, o último show que fiz antes da pandemia foi com Tal, em Miami. Somos muito próximos, ele é um dos meus bateristas favoritos no mundo todo e achei o máximo tê-lo em algumas músicas do álbum.”

Turnês e pandemia

Como as gravações rolaram antes da pandemia de Covid-19, o álbum não teve seu lançamento alterado: Richie Kotzen afirma que a data de 26 de março de 2021 estava confirmada desde o início. Porém, os planos de sair em turnê com Adrian Smith, projetados também para março deste ano, tiveram que ser adiados.

Começa, agora, o desafio de promover um disco sem turnês – e sem transmissão de show online ou similar, já que Kotzen não gosta do formato.

“Não podemos sair e fazer turnês. Ninguém pode. Para divulgar, estamos fazendo várias entrevistas, como a sua – aliás, eu agradeço por sua entrevista. Temos alguns clipes feitos, para ‘Taking My Chances’ e ‘Scars’, e esperamos gravar mais. É tudo o que podemos fazer. Conversamos sobre fazer um show online, mas eu não sei se isso faz sentido para mim. Não gosto muito dessa ideia de fazer um show sem plateia. Acho que vamos acabar esperando até podermos subir no palco e fazer um show de verdade em algum lugar.”

Ainda não houve definição sobre quais músicos acompanhariam o Smith/Kotzen em turnê, embora Richie mencione que ter Tal Bergman na bateria seria “uma escolha lógica e natural”. No atual cenário, não dá nem para especular se a banda virá ao Brasil.

Futuro de Richie Kotzen

Enquanto o projeto não pode fazer shows, Kotzen pode acabar fazendo aquilo que sempre fez: gravar músicas solo ou mesmo um álbum, para suceder o ambicioso “50 for 50”, que, em 2020, trouxe 50 faixas para celebrar o aniversário de meio século do guitarrista. Não é o plano, mas até ele sabe que pode rolar.

“Não tive a oportunidade de fazer a turnê de ‘50 for 50’, então, provavelmente, farei alguns shows para divulgar esse álbum. Com relação a um novo disco solo, não tenho planos imediatos para isso, mas em algum momento, vou acabar gravando, porque é o que eu sempre faço. Por enquanto, pode ser que eu divulgue alguns singles. Cheguei a lançar um single em 2020, no meio do ano, então, deve ser algo nessa linha. Além disso, conversei com meu amigo Stanley Clarke recentemente e temos uma ideia para uma música. Estamos tentando concluir essa faixa.”

Mas sem pressa. Após ter gravado com um de seus ídolos, o fã de Iron Maiden quer curtir o momento.

“Estou bem tranquilo com relação a músicas novas, pois estou tão empolgado com o Smith/Kotzen que eu não quero tirar a atenção da banda com Adrian. O que fiz com Adrian é uma das coisas mais legais que fiz em toda a minha carreira. Estou bem empolgado, então, quero manter o foco nisso.”

O álbum de estreia do Smith/Kotzen, homônimo, está disponível nas plataformas digitais por meio da gravadora BMG. Outros trechos da entrevista estarão disponíveis na próxima edição da revista online Guitarload.

1 comentário
  1. ótimo trabalho, à despeito de alguns exageros tradicionais, principalmente vocais, de kotzen (sua voz anasalada ao extremo ás vezes irrita e ele insiste demais no recurso), além da curta duração do disco, uma grata surpresa realmente

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