Diogo Mafra defende Edu Falaschi e é rebatido por Roberto Barros: “entrega pequena”

"Se eu tivesse sido você na banda, para mim também estaria tudo ótimo", escreveu Barros, prometendo um novo pronunciamento em breve

Como noticiado, Roberto Barros, guitarrista que trabalhou com Edu Falaschi entre 2017 e 2025, teceu críticas públicas ao cantor no início da semana. Por meio de vídeos nos Stories do Instagram, o músico acusou o ex-vocalista do Angra de não lhe dar os devidos créditos no disco “Vera Cruz” (2021) e relatou episódios em que não teria recebido tratamento adequado nas turnês, nem cachês condizentes. 

O artista alegou que ganhava um valor mais baixo que os colegas e que arcava com despesas como aluguel de equipamento. Segundo relatado, houve uma discussão na van da banda em 2018, após show na Itália, quando foi dito que todos os músicos haviam recebido cachê de R$ 1 mil por uma apresentação anterior em São Paulo enquanto, para ele, a remuneração teria sido de R$ 300.

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Roberto também afirmou que ele e os outros instrumentistas dormiam em hostels “horrorosos” durante uma turnê em 2024, enquanto Edu ficava em lugares com melhores condições. Em suas palavras, no show do Recife, a hospedagem não tinha “ar condicionado, toalha, nada; tinha pulga dentro do quarto.” 

Diante da repercussão, Diogo Mafra, guitarrista que trabalha junto de Falaschi desde o Almah em 2014 e também em sua carreira solo, trouxe a sua versão da história, com uma defesa ao vocalista, em postagem no Instagram. Conforme transcrição do site IgorMiranda.com.br, o músico garantiu que, ao menos de sua parte, nunca houve nenhuma discussão ou problema direto com o cantor.

Em suas palavras, “sempre foi muito fácil” e “tranquilo” dialogar com Edu, com quem disse ter uma “relação ótima”:

“Eu não posso falar sobre a experiência do Roberto, eu não posso falar sobre a experiência de ninguém, eu só posso falar da minha, da minha percepção sobre tudo isso, então eu vou falar do meu lado. Desde que eu comecei a trabalhar com Edu Falaschi, lá no Almah ainda em 2014, eu nunca tive problema com o Edu. Sempre foi um cara muito fácil de trabalhar. É claro que como em qualquer projeto, qualquer banda, tem coisas que a gente gosta, que a gente concorda, tem coisas que a gente não concorda e que a gente conversa. Então, no caso dele, sempre que teve alguma coisa que eu não concordei ou que eu achei que não faria muito sentido, eu conversava com ele e a gente resolvia. Nunca teve um problema grande. A gente nunca brigou. Eu nunca tive uma discussão com o Edu, porque a gente sentava e conversava. Sempre foi muito tranquilo, sempre foi muito fácil de trabalhar desde a época do Almah até hoje. A gente tem uma relação ótima, vira e mexe, quando eu tenho um tempo a mais em São Paulo, às vezes eu vou lá na casa dele, a gente passa um fim de semana lá, fica de boa na praia. Sempre foi muito bom, muito tranquilo, muito leve.”

Quanto aos cachês, o guitarrista não revelou valores, mas informou que as turnês contam com contratos que, ao serem assinados, formalizam a concordância dos músicos com as condições estabelecidas. Além disso, destacou que Edu nunca descumpriu nenhum combinado prévio:

“Em relação a lance de combinados, contratos e cachês, eu posso garantir que o Edu nunca descumpriu nenhum combinado que a gente fez. Tudo que a gente combinou e que a gente acordou foi cumprido. Inclusive, a gente trabalha com contratos. Todos nós, na hora de fazer uma turnê, um show, a gente assina um contrato. Então a gente está de acordo com o que está acontecendo ali. E desde que eu comecei a trabalhar com o Edu, ele nunca descumpriu nenhum acordo que ele fez comigo.”

Diogo também relembrou ocasiões em que Falaschi distribuiu bônus aos músicos, seja pelo sucesso de determinadas apresentações ou por vendas de merchandising. Ele relatou:

“Tiveram algumas situações de alguns shows que foram legais, que o Edu às vezes pagou a gente mais do que era combinado […]. Inclusive, nas turnês eu vendo meu merchandising e o lucro é meu. O Edu não pega nada do meu lucro. Eu vendo os meus books, camisetas, bonés e eu nunca paguei um centavo pra ele por isso e eu sei que, em algumas bandas, se você é um músico que é autorizado a vender merchandising, você tem que pagar pro dono da banda. O Edu nunca me cobrou. E uma duas ou três vezes, ele fez algumas camisetas específicas só que pra dividir o lucro com a banda. E o custo foi dele, ele pagou o custo.”

Por fim, o guitarrista explicou que mantém outras fontes de renda e que continua com Edu porque “adora trabalhar com ele”. Para ele, não haveria motivo dar continuidade à parceria por tanto tempo caso a experiência fosse negativa:

“Pela minha percepção, eu acho que o Edu enxerga a gente como parceiro. Ele me enxerga como parceiro, ele trata todo mundo bem. Não tenho o que reclamar. Nunca tive problema com o Edu, adoro trabalhar com ele […]. E sendo bem sincero, eu não preciso do cachê do Edu para pagar minhas contas. Tem várias outras coisas que eu faço, então hoje a minha a minha vida financeira, minha família, depende zero dos cachês do Edu […]. E se fosse ruim, por que eu ia estar lá? Não faz o menor sentido, entende?”

A resposta de Roberto Barros

Novamente por meio dos Stories, Roberto Barros emitiu uma nova declaração e rebateu Diogo Mafra. Em texto, o guitarrista detalhou o trabalho que desempenhou na composição dos álbuns “Vera Cruz” (2021) e “Eldorado” (2023), em contraste com a contribuição do ex-colega, que, segundo ele, “sempre será pequena”.

Prometendo mais um pronunciamento em breve, o músico escreveu:

“Com certeza existem vários lados e, para você, realmente vai estar tudo muito bom. Você não fez nada nos dois álbuns. Não foi você que passou 1 ano e meio trabalhando no disco, gastando mais de R$ 1.700 por mês para estar na casa do cara, deixando de estar na minha casa. Depois, mais 1 ano no outro disco, com os mesmos gastos, além de 6 meses de gravações, somando os dois discos. Não foi você que gravou o álbum; você só gravou os seus solos. Enquanto você estava na sua casa, com a sua família e surfando, era eu que estava lá.

Ninguém da banda tem a percepção que eu tenho, pois o único que fez tudo isso fui eu. Eu ficava dez horas por dia trabalhando, por mais de 20 dias por mês. Eu pagava meus almoços e jantas, eu pagava minhas passagens e deixava de estar na minha casa para fazer essas composições. Não foi você que quase ficou sem créditos, mesmo trabalhando igual um filho da put@. E, se não fosse o Aquiles [Priester], nem créditos eu teria.

Ou seja, claro que vai estar tudo bem para você. Você não deu 10% do trabalho que eu dei lá. Inclusive, quando eu saí do hospital, tive que refazer todos os arranjos da ‘Pegasus’ porque o Edu não gostou do que você fez. Ou seja, lá fui eu salvar o barco mais uma vez, mesmo doente.

Você vai achar tudo bom porque a sua entrega foi e sempre será pequena. A minha entrega foi gigante. Essa é a diferença entre mim e você nesse projeto.

Dentro desses pontos de vista, eu concordo com você. Se eu tivesse sido você na banda, para mim também estaria tudo ótimo. Mas, enquanto você vendia mentoria, eu fazia os álbuns que você hoje toca.”

O lado de Edu Falaschi

Indiretamente, Edu Falaschi entrou no assunto durante entrevista ao vivo para o canal Linhagem Geek na última segunda-feira (22). Sem citar nomes, o vocalista reconheceu que nem todo mundo ficou “100% feliz” em suas turnês solo mais recentes. O cantor trouxe um contraponto e destacou os custos elevados e a logística complicada de colocar os shows na estrada, muitas vezes sem contratante.

Conforme transcrição do site IgorMiranda.com.br, ele disse:

“Teve muito investimento, muita luta, teve muita gente envolvida, teve situação em que nem todos ficaram 100% felizes. É uma empresa. Alguns shows custaram caro pra car*lho, então em 30 shows de alguma turnê, eram shows meus, eu como produtor, sem contratante. Dependendo da situação, eu tinha que transformar todo o trabalho em uma certa logística que funcionasse para a turnê acontecer, pagar todo mundo como teria de pagar […]. A estrada também cobra muito: tensão, distância, cansaço… nem sempre sai com todo mundo 100% feliz.”

Edu ressaltou que nunca deixou de pagar o cachê da banda e o cachê da equipe, mesmo que tirasse do próprio bolso. Como destacado, todos os acordos e prazos foram cumpridos, ainda que não “suprissem a expectativa de 100% das pessoas envolvidas”: 

“Toda vez que eu fizer uma produção, um show, duas coisas precisam estar 100% perfeitas independentemente de um ingresso ou 5 mil ingressos vendidos: cachê da banda e cachê da equipe. Sempre pago. Muitas vezes pago do meu dinheiro, pois o contratante pode pagar 30 dias depois […]. Minha prioridade é: pode ter uma pessoa ou 5 mil pessoas na plateia, mas eu preciso pagar a todos na data combinada. Tudo que fiz com banda, equipe, todos os envolvidos… até falei com um integrante da minha banda hoje sobre isso: tudo sempre foi falado, aprovado, combinado e assinado. E eu cumpri com todos os compromissos de cachê e data de pagamento. Às vezes você não consegue suprir a expectativa de 100% das pessoas envolvidas, mas sempre fiz o meu melhor […]. Aprendi que quando você faz uma turnê, você ganha no todo, não por show. Você não pode pensar individualmente, mas no bolo. Você pensa: ‘preciso de X mil reais para bancar 20 pessoas durante 40 dias’. Não dá para falhar, não dá para pagar depois […]. Sempre dei meu melhor. Nada de caso pensado ou botei a galera na estrada sem combinar, ou sem saber o que iria acontecer. Tudo foi organizado, combinado, aprovado e assinado.”

Complementando a questão, o vocalista admitiu que sofreu prejuízos até em shows lotados, como no caso da gravação dos DVDs “Temple of Shadows in Concert” em 2019 e “Vera Cruz Live in São Paulo” em 2022, e que precisou aprender na marra como empresariar todos os envolvidos numa excursão:

“Muitas vezes tomei prejuízo, porque não deu o público que tinha que dar. Muitas vezes tomei prejuízo com 5 mil pessoas, como no show do DVD em São Paulo, pois tudo foi investido no DVD. Era caro, o show era caro, o aluguel da casa era caro. Então eu sabia que aquele show não daria lucro, mas outro daria. Pela rota, você precisaria fazer aquele show, pois não daria para fazer um show aqui e outro lá […]. Tive que aprender a ser empresário e a gerenciar pessoas, que é difícil pra car*lho, pois cada um é de um jeito. Eu me dediquei muito enquanto outros estavam curtindo. Até o Aquiles [Priester] às vezes falava: ‘vamos pra festa’. E eu estava no computador fazendo contas, tipo: ‘putz, tomei um prejuízo de R$ 5 mil aqui, vou precisar da grana e tal’ […]. É prioridade realizar o show. Independentemente de ter ou não dinheiro: você precisa fazer o show acontecer se você vendeu ingresso e prometeu que teria o show.”

Por fim, Edu mencionou a questão das hospedagens. De acordo com o artista, muitas vezes, foi preciso ficar em lugares “mais simples” devido à quantidade de despesas: 

“Fiz várias turnês que foram muito caras. Porque tinha muito day off [dia livre]. E eu tenho que bancar todo mundo naqueles dias sem ter show. Não tem dinheiro entrando. Então tem segunda-feira, terça, quarta, quinta de day off, e eu pagando para 20 pessoas alimentação, hotel… às vezes, tinha que reduzir um pouco o status da turnê, como ficar hospedado em um lugar mais simples. Sempre ficamos em hotéis, mas às vezes fica em uma pousada.”

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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