A história de quando John Lennon e Paul McCartney se conheceram

Dupla que redefiniu a história da música pop nos Beatles teve seu primeiro contato em uma quermesse de igreja no subúrbio de Liverpool

Na história da música popular, são vários os mitos de origem em volta de alguns dos maiores artistas de todos os tempos. Mas nenhum foi talvez tão simples e tão consequente para a cultura como conhecemos quanto uma festa da igreja St. Peter’s, num subúrbio de Liverpool chamado Woolton, em 1957.

Era uma quermesse, basicamente. Barraquinhas, brincadeiras, música tocando. E essa música era cortesia de uma banda formada por jovens locais apaixonados por gêneros americanos como doo-wop e rock’n’roll ou pela febre do momento no Reino Unido, o skiffle.

A banda se chamava The Quarrymen, e era liderada por um rapaz chamado John Lennon. Entre as pessoas assistindo ao show estava um jovem de 15 anos que atendia pelo nome de Paul McCartney.

Anos depois, McCartney descreveu a performance dos Quarrymen em relato transcrito pelo uDiscover Music:

“Eu lembro do John cantando uma canção chamada ‘Come Go With Me’. Ele havia a escutado no rádio. Ele não sabia os versos direito, mas sabia o refrão. O resto ele simplesmente inventou. Eu pensei: ‘bem, ele parece bom, está cantando bem e parece um ótimo vocalista’. Claro, ele estava sem óculos, então parecia muito suave. Lembro que John era bom.”

Os predestinados Paul McCartney e John Lennon

Paul McCartney havia sido convidado para o show por seu amigo Ivan Vaughan, que estava interessado em apresentá-lo a John Lennon.

O primeiro encontro entre eles consistiu numa conversa curta, onde Paul demonstrou um método de afinação para John. Então, John o desafiou a tocar alguma coisa.

Em entrevista para a Billboard, Len Garry, ex-integrante dos Quarrymen, detalhou a cena:

“Eu estava lá quando ele pegou o violão. Eu lembro dele carregando o instrumento nas costas. Eu não sabia que ele era canhoto. E ele fez uma improvisação de Little Richard. Eu achei o máximo. Eu falei para John: ‘Little Richard, é brilhante’. O rock’n’roll estava chegando e skiffle estava saindo de moda bem rápido. Eu disse: ‘ele consegue fazer o Little Richard, você não consegue fazer isso’. John não falou nada! Eu sabia que Paul conseguia tocar de qualquer jeito, eu conhecia ele da escola e ele levava o violão com ele pra aula.”

Junto com o medley de Little Richard, Paul ainda tocou “Be Bop-a-lula”, de Gene Vincent, e “Twenty Flight Rock”, de Eddie Cochran, que ele citou durante o especial de 2005 “Chaos and Creation at Abbey Road” como a canção responsável por impressionar Lennon.

O novo integrante dos Quarrymen

Depois da festa, John Lennon conversou com Pete Shotton, que tocava reco-reco nos Quarrymen, sobre uma possível entrada de Paul McCartney no grupo. Os dois decidiram pela inclusão. No encontro seguinte entre Shotton e Paul, foi feito o convite.

John e Paul mantiveram uma parceria criativa que os levou dos Quarrymen até os Beatles, redefinindo a música popular acompanhados de George Harrison e Ringo Starr. Tudo a partir de um encontro numa quermesse.

Rod Davis, outro membro dos Quarrymen, resumiu da melhor maneira possível para a Billboard:

“Era alguém que não conhecíamos, Paul, que foi apresentado a alguém que a gente conhecia. Não era grande coisa. Você explica isso para pessoas, especialmente americanos, e eles esperam que tivessem anjos escondidos atrás de nuvens soprando trombetas. Foi tudo um grande não-evento – exceto em retrospecto.”

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